Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

SEGUROS E FÉRIAS

Nos meses de verão, o número de sinistros aumenta. São os meses de férias e neles a probabilidade de acidentes acontecerem é maior do que no restante do ano. As razões são simples e enumerá-las não é difícil. 10 de Dezembro de 2021

Nos meses de verão, o número de sinistros aumenta. São os meses de férias e neles a probabilidade de acidentes acontecerem é maior do que no restante do ano. As razões são simples e enumerá-las não é difícil. A primeira é que, nesses meses, mais pessoas saem de suas rotinas e se expõem a riscos que normalmente evitariam. A lista é longa. Vai de acidentes pessoais a acidentes de veículos, passando por todas as atividades humanas que direta ou indiretamente atingem as pessoas.

A segunda é que, nos meses de verão, por conta das férias, há um aumento do relaxamento das pessoas e, consequentemente, uma menor atenção no que acontece em volta, sujeitando até quem não está fazendo nada a uma maior probabilidade de acidente.

O aumento do tráfego nas estradas é mais um fator a ser considerado, da mesma forma que a prática de atividades pouco familiares e o aumento da ingestão da cervejinha gelada na beira da água. É bom não esquecer que a maioria dos afogamentos no mar, em represas ou em rios acontece depois que a vítima bebe uma birita a mais, entra na água e acaba se afogando.

Além disso, estar no lugar errado na hora errada também é um fator de aumento dos riscos que ameaçam as pessoas e seus patrimônios. Um minuto antes ou um minuto depois e o acidente não aconteceria, mas ele acontece exatamente no instante em que causa mais danos, independentemente da vítima ter qualquer interferência ativa na sequência dos acontecimentos.

Quantas pessoas são atropeladas por barcos, motos aquáticas, pranchas de surf, automóveis, motos, bicicletas, patinetes e o mais que trafega, navega ou voa? Elas não fizeram nada, nem deixaram de fazer, apenas estavam no caminho do veículo desgovernando, dirigido imprudentemente ou com negligência por quem estava no comando.

As seguradoras sabem disso, tanto que é comum algumas delas disponibilizarem guinchos e carros de apoio para auxiliar as autoridades nas rodovias. Da mesma forma que outras instalam postos de atendimento e primeiros socorros para auxiliar nos acidentes que acontecem à beira mar. E outras, ainda, oferecem suporte para a ação da polícia, seja no apoio ao combate ao crime, seja no sentido de disponibilizarem equipamentos importantes para a comunicação rápida entre os seus efetivos, etc.

Todas essas ações têm caráter social e mostram o comprometimento das seguradoras com a comunidade, especialmente com o bem-estar do cidadão durante os meses de férias.

Além disso, as seguradoras pagam as indenizações devidas em função de todos os tipos de eventos que atingem seus segurados, ativa ou passivamente. Nesses meses, elas desembolsam mais do que nos outros meses do ano, mas essa diferença não é suficiente para desequilibrar ou colocar em perigo a estabilidade de uma companhia de seguros. Seus cálculos, a constituição das reservas e a contratação de resseguros dão a solidez necessária para enfrentarem as variações sazonais que atingem suas carteiras. E os meses de verão não são exceção.