Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

UM ANO MUITO ESTRANHO

2020 acaba como um dos anos mais estranhos das últimas décadas. 18 de Dezembro de 2020

2020 acaba como um dos anos mais estranhos das últimas décadas. Não é possível dizer da história porque ao longo dela o ser humano enfrentou desafios e situações no mínimo tão estranhos como os deste ano, mas 2020, com certeza, foi um ano fora da curva, tanto faz a época.

Doenças, pestes, pragas, epidemias e pandemias acompanham o ser humano desde antes de descerem das árvores, caminharem sobre dois pés e conquistarem o planeta. Ficando no tempo histórico, as pragas do Egito estão na Bíblia. E a história das antigas civilizações está recheada de pestes e pragas que dizimavam as populações das cidades. Na Idade Média, as pragas e pestes se espalharam da Ásia à Europa, matando parcelas enormes da população mundial. Quando a peste chegava a uma cidade, as pessoas deixavam de lado seu comportamento reprimido, fortemente marcado pela igreja cristã, e se soltavam em banquetes e bacanais porque a morte era quase certa e o desespero levava a todos os excessos.

Para quem acha que as pestes são coisas do passado distante, em pleno século 19, a Europa assistiu a mais de uma epidemia assolar cidades como Londres e Paris, as mais desenvolvidas do mundo. Em pleno século 20, a malária era endêmica em Roma. E a gripe espanhola, consequência direta da Primeira Guerra Mundial, matou mais seres humanos do que os quatro anos da guerra que devastou grande parte da Europa.

Durante o século 20, paralisia Infantil, sarampo, cachumba, catapora, tuberculose, febre amarela, meningite, AIDS e gripes de diferentes cepas foram constantes na vida dos brasileiros. Para não falar nas endemias como malária, doença de chagas, sífilis e hanseníase. E, mais recentemente, dengue e chicungunha.

A diferença do coronavírus para elas é que a nova pandemia se espalhou pelo planeta em velocidade alucinante, contaminando rapidamente milhões de pessoas, o que levou a mais de um milhão e seiscentas mil mortes ao redor do mundo, das quais perto de duzentas mil aconteceram no Brasil.

A grande medida de combate ao vírus e à Covid19 foi o isolamento social. Que segue firme e forte até agora, com vários países da Europa fechando boa parte das atividades até o começo do ano que vem.

O resultado foi uma das mais severas crises econômicas vividas nos últimos cem anos. Milhões de pessoas perderam seus empregos, centenas de milhares de empresas fecharam as portas, trilhões de dólares foram injetados para tentar minimizar os estragos, mas, mesmo assim, eles foram terríveis e atingiram todas as nações, sem exceção.

  O Brasil foi severamente afetado. E a situação é ainda mais complexa porque o Governo Federal, além de cometer toda sorte de equívocos no combate à pandemia, insiste no erro, tanto que até agora não temos nenhuma negociação séria do Ministério da Saúde para conseguir as vacinas necessárias para imunizar a população brasileira. O único movimento sério neste sentido é o do Estado de São Paulo, através do Instituto Butantan e da parceria para importação e produção da vacina chinesa.

De outro lado, um ano que prometia ser dramático chega ao fim menos mal do que nas previsões. E, dentro dele, o setor de seguros mais uma vez se sai melhor do que a maioria das demais atividades econômicas. Não foi um ano bom, mas também não foi um ano de todo ruim. De forma geral, as seguradoras se saíram bem dentro do contexto e algumas carteiras tiveram inclusive desempenho positivo.

2021 tem tudo para continuar sendo um ano muito complicado. Alguns analistas inclusive preveem dificuldades maiores ainda. Mas, como reza o Pai Nosso: “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, vamos viver um dia depois do outro. Não faz sentido chorar antes da hora, como é tolo gastar por conta do que ainda não se ganhou.

Boas festas e um 2021 diferente, melhor e mais feliz do que 2020.