Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

JURO ALTO E SEGURO

As seguradoras agradecem penhoradamente ao Banco Central por manter o juro básico acima de 13%. Juro alto é ruim para a economia, mas é a maneira clássica de se conter a inflação e é isso que o Banco Central está fazendo. 04 de Novembro de 2022

As seguradoras agradecem penhoradamente ao Banco Central por manter o juro básico acima de 13%. Juro alto é ruim para a economia, mas é a maneira clássica de se conter a inflação e é isso que o Banco Central está fazendo.

Como o futuro não está claro, tanto no mundo, como no Brasil, a autoridade monetária optou pela manutenção do juro básico em patamar com gordura para dar a tranquilidade necessária ao país, num momento em que as coisas vão mal nas nações desenvolvidas, ameaçadas pela inflação mais alta dos últimos quarenta anos, pelas consequências da guerra da Ucrânia e pela recessão que pesa sobre elas. Só que o quadro pode ser mais severo e pode começar a fazer água por aqui, conforme os indicadores mais recentes apontam que já está acontecendo.

O maior problema dos juros altos é que eles tolhem a capacidade de desenvolvimento, em primeiro lugar, pelo custo do financiamento das empresas e, em segundo, porque as famílias preferem manter seus recursos aplicados com boas taxas de remuneração a gastar com produtos de consumo. Essas premissas fazem com que o juro alto seja ruim para a nação como um todo e, consequentemente, ele também é ruim para o setor de seguros, na medida em que o esfriamento da economia restringe a capacidade de contratação de novas apólices.

Mas a atividade seguradora tem uma particularidade que faz com que os juros altos alavanquem o resultado das seguradoras. O princípio básico da atividade é o mutualismo. Através dele as companhias de seguros são enormes cofres, cheias de dinheiro, representado pelos prêmios pagos, com os quais constituem o fundo de onde sacam os recursos para custear sua operação e fazer frente aos sinistros.

Esses recursos são aplicados no mercado financeiro, boa parte deles em títulos públicos, que são justamente os papéis que remuneram o investimento de acordo com a taxa básica do Banco Central. Neste momento, há um plus importante no rendimento dos títulos públicos em relação à inflação do período, que está em queda em função da adoção de uma série de medidas mais ou menos demagógicas que, em algum momento no ano que vem, cobrarão sua conta, mas que, neste momento, propiciam uma remuneração real elevada.

As seguradoras que estão ganhando dinheiro agradecem e as que não estão tão bem na foto também. As primeiras têm margem para adotarem políticas comerciais agressivas e baixarem o preço de seus produtos, mantendo a rentabilidade, e as segundas, com a remuneração elevada da aplicação dos prêmios, conseguem melhorar resultados não tão bons, inclusive revertendo prejuízos.

O que vai acontecer para frente ainda não está claro, mas com certeza 2023 será um ano complicado para a economia global e para o Brasil. Nós temos, na visão dos economistas, um quadro preocupante e uma série de incógnitas ainda não foram respondidas, o que obriga as empresas a serem cautelosas. De qualquer forma, neste momento, os juros altos são uma benção para as seguradoras.