Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

VIOLÊNCIA E SEGURO

O mundo atravessa uma quadra muito especial, para não dizer estranha. 29 de Julho de 2022

O mundo atravessa uma quadra muito especial, para não dizer estranha. O aumento da violência é uma realidade palpável e pode ser medida no aumento da frequência e intensidade dos fenômenos naturais, bem como na explosão de ações humanas de uma agressividade inaudita, nos mais variados campos das relações sociais.  

É isso mesmo. A violência está solta, mas não é apenas humana. A natureza é muito mais destrutiva e ataca em todas as regiões do planeta com a sem cerimônia de quem sabe que é incontrolável. Este é o primeiro ponto: a natureza tem se manifestado cada vez com mais força, muitas vezes através de eventos inéditos na região atingida.

Começando pelos incêndios que destroem a Europa e os Estados Unidos, seguindo pelos incêndios que comem solto no Brasil, para chegar nas quase duas mil mortes por calor na Europa e daí entrar de cabeça na série de eventos decorrentes das mudanças climáticas – furacões, tempestades, tufões, granizos, nevascas, calor extremo, frio extremo, seca etc. – não há como não se preocupar com o que vem pela frente, em intervalos cada vez mais curtos, em todas as partes do planeta.

Mas se a violência da natureza atinge picos inéditos nos últimos dez mil anos, a violência humana não fica atrás. A guerra da Ucrânia chama mais a atenção porque é um conflito armado de grandes proporções, onde intenções pouco claras das partes direta e indiretamente envolvidas complicam mais as coisas, impedindo a correta compreensão do que realmente acontece, não apenas no campo de batalha, mas especialmente nas discussões fora das vistas, onde o poder mundial vai sendo discutido e reorganizado.

A quantidade de ataques com armas de fogo contra a população nos Estados Unidos explodiu. O que acontecia uma vez a cada dez anos, se transformou em realidade cotidiana, sendo rara a semana em que alguém não atira e mata dezenas de pessoas. E a Europa, pouco habituada com este tipo de violência, também entrou na dança. Até países como a Dinamarca e a Noruega experimentam a nova realidade completamente desconhecida.

Não são apenas os ataques com armas que assustam. O número de acidentes de trânsito com vítimas é um sinal do grau de violência e irritabilidade que contamina as pessoas. E as brigas pelos motivos mais fúteis não ficam atrás. Se sucedem em todas as partes, inclusive nas ditas civilizadas.

O Brasil não é exceção à regra, nem nos casos de aumento da violência dos eventos naturais, nem nos eventos de origem humana. A seca que castiga o sudeste e o número estarrecedor de um carro roubado ou furtado a cada seis minutos em São Paulo são mais do que suficientes para não deixar dúvidas.

Entre as muitas consequências negativas geradas por esse cenário está o impacto no resultado das seguradoras. O aumento dos eventos significa o aumento das indenizações e elas atingem todas as carteiras de seguros. Tanto faz sua origem, o aumento das mortes afeta os seguros de pessoas. O aumento das perdas de bens atinge as carteiras de seguros patrimoniais. E, no total, o resultado das companhias de seguros piora. Quem vai pagar a conta é o segurado. Seus seguros custarão mais caros.