Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

UMA NOVA SUSEP

O encontro do setor de seguros com a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), promovida pelos sindicatos dos corretores de seguros e das seguradoras do Estado de São Paulo, no último dia 18, foi um sucesso. 22 de Abril de 2022

O encontro do setor de seguros com a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), promovida pelos sindicatos dos corretores de seguros e das seguradoras do Estado de São Paulo, no último dia 18, foi um sucesso.

Evento raro de se ver no país, o Superintendente da autarquia, Alexandre Camillo, trouxe seus quatro diretores para participarem com ele de uma conversa franca com os integrantes do setor de seguros. E foi isso o que aconteceu, num contraponto às atitudes da Superintendente anterior, que não gostava do diálogo, que fechou praticamente todos os canais de comunicação e impunha sua vontade de cima para baixo, sem conhecer a realidade do setor ou os meandros da atividade, com prejuízos evidentes para a sociedade brasileira, que do dia para a noite ficou órfã do único arrimo eficiente para as vítimas dos acidentes de trânsito, o DPVAT, o seguro obrigatório de veículos.

Com uma postura completamente oposta, Alexandre Camillo se mostra o nome que o mercado precisava para apaziguar os ânimos e permitir a retomada do diálogo, essencial para consolidar e desenvolver o setor de seguros brasileiro, num momento extremamente desafiador como o que atravessamos, não só no país, mas no mundo.

Como ele colocou em sua palestra, as mudanças climáticas, os riscos sanitários, o desenvolvimento e a inovação tecnológica são assunto suficiente para exigir a atenção do setor de seguros pelas próximas décadas. O que valia até ontem, não vale mais hoje, especialmente depois da pandemia da convid19, que alterou as sociedades e as pessoas.

O problema é que a nova realidade ainda não se consolidou. Novas formas de fazer negócio surgem todos os dias e novos riscos decorrentes delas necessitam proteção. Seguradoras e resseguradoras sabem que precisam tratar do assunto, mas ainda não há consenso e no Brasil, particularmente, a situação assume contornos extremamente sérios, com resseguradoras abandonando o país, várias atividades sem cobertura e os seguros empresariais, mesmo na crise, custando mais caros.

A palestra de Alexandre Camillo foi ponderada, lúcida, clara, objetiva e mostrou o quê e como está sendo e será feito. Depois de apresentar sua diretoria e as atribuições de cada diretor, ele foi extremamente profissional e deu uma ampla visão da atividade no momento e das perspectivas para o futuro, colocando na mesa os temas mais quentes, inclusive o “Open Insurance”, que gera tantas discussões, mas que já tem pontos irreversíveis, o que, aliás, ele deixou bastante claro.

Alexandre Camillo e seus diretores não apenas “venderam seu peixe”. Eles foram além e apresentaram uma nova SUSEP, aberta ao diálogo, ou melhor, prestigiando o diálogo como a forma mais eficiente do setor funcionar harmoniosamente, levando em conta suas tipicidades e confrontando-as com a realidade nacional.

Como ele disse, a única forma de se evoluir é colocar os problemas e dificuldades na mesa e discutir com todos os interessados as soluções possíveis. Com certeza, ele tem tudo para fazer uma grande gestão frente à autarquia.