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Transtorno mental custa US$ 1 tri à economia global

Valor Econômico - 07 de Maio de 2021

Um estudo liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que depressão, ansiedade e doenças relacionadas custam US$ 1 trilhão por ano à economia global em perda de competitividade, informa o Valor Econômico. No Brasil, os pedidos de afastamento do trabalho por causa de transtornos mentais aumentaram 26% em 2020, em comparação com 2019. Foram mais de 576 mil solicitações, segundo a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho.

O problema tem levado muitas empresas a buscar serviços especializados para apoiar seus empregados. “As empresas estão percebendo que saúde mental não é custo, é investimento, pois reduz o número de sinistros, aumenta o engajamento e reduz o absenteísmo, entre outros benefícios”, diz a psicóloga Milene Rosenthal.

Pioneira em psicoterapia on-line no Brasil, ela é fundadora da Telavita, que em 2020 participou de um programa de aceleração do Google ao vencer a competição Startup Battle, em São Francisco (EUA). Um dos focos da startup são as operadoras de saúde. Entre seus clientes estão categorias profissionais bastante vulneráveis à ocorrência de transtornos mentais, como trabalhadores em plataformas de petróleo.

Na pandemia, a Telavita teve aumento de 680% na demanda de serviços. Entre abril de 2020 e fevereiro deste ano, a rede de centros médicos Dr. Consulta realizou mais de 88 mil atendimentos on-line e presenciais de psiquiatria e psicologia. Desses pacientes, 27% procuraram a healthtech pela primeira vez e 65% são mulheres.

A faixa etária de quase um terço dos que procuram o serviço está entre 21 anos e 30 anos. Depressão ou doenças relacionadas, como transtorno de humor ou ansiedade, são os principais diagnósticos. “Mais da metade dos municípios do Brasil não têm psicólogo, e muitas vezes a única opção de ajuda é a terapia on-line”, afirma presidente da Vittude, Tatiana Pimenta.

A plataforma digital, criada há três anos, presta serviços de psicologia on-line e educação emocional para organizações como Microsoft, Grupo Boticário, SAP, Saint-Gobain e Renner. Em 2020 o número de contratos corporativos da empresa passou de sete para 120 e a receita cresceu 540%. Tatiana ressalta a importância de preparo para lidar com os colaboradores: “Muitos profissionais de recursos humanos estão adoecendo, pois, ao se colocarem na posição de ouvintes, também sofrem”.

Criado em 2017 pelo psiquiatra e neurocientista Diogo Lara, o aplicativo Cíngulo oferece um método on-line de terapia autoguiada como alternativa ou complemento a tratamentos de saúde mental. “Em dez anos de pesquisa com big data, desenvolvemos um teste com 36 perguntas que fazem uma avaliação simples, precisa e profunda da pessoa, para que ela comece uma trilha com sessões de autoconhecimento”, conta.

O programa já foi baixado 2,4 milhões de vezes e tem 55 mil assinantes. “Parte do conteúdo é gratuito, pensando nas pessoas que não podem pagar”, diz. Em 2019 o Cíngulo foi eleito o melhor app do ano no serviço de distribuição digital Google Play. A demanda dos psicólogos, clínicas e consultórios por ferramentas digitais tem criado oportunidades para startups como a PsicoManager, criada em 2015 em Uberlândia (MG).

A plataforma oferece agendamento on-line de pacientes, personalização de prontuários, automatização de cobranças e lembretes de sessão, entre outras funcionalidades. “Estamos nos integrando com a fintech Iugu para lançar uma solução chamada PsicoBank, que permitirá aos profissionais fazer transações bancárias e investimentos dentro da plataforma”, diz o fundador, José Guilherme Honorato.

A eCare Life, rede de clínicas de atendimento em saúde mental, pretende lançar no primeiro semestre um aplicativo para conectar pacientes com uma rede de psicólogos. De acordo com o diretor médico, Eduardo Tancredi, o eClick funcionará inicialmente 12 horas por dia, sem necessidade de agendamento. “Nosso objetivo é evitar que situações agudas se tornem doenças graves ou crônicas”, afirma.