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Pandemia acelera fluxos de inovação em hospitais

Valor Econômico - 28 de Abril de 2021

O Valor Econômico conta que, há pouco mais de três anos, quando o Hospital Israelita Albert Einstein abriu as portas da Eritz.bio, incubadora de startups voltada à área da saúde, poucas eram as instituições dispostas a falar em inovação aberta - desenvolvimento de produtos e serviços em parceria com agentes externos - no ambiente hospitalar.

A regra valia tanto para a gestão do negócio como para a adoção de ferramentas que auxiliassem na tomada de decisão por parte do corpo clínico. De lá para cá, a incubadora, pioneira na América Latina, recebeu mais de 80 healthtechs. “Ao longo dos anos fomos construindo um ecossistema de inovação, que desde o início de abril conta, também, com um fundo de investimento em participações exclusivo, com R$ 100 milhões para serem investidos em empresas em fase de validação de produtos e serviços”, diz o diretor Rodrigo Demarchi. “Nosso maior diferencial é colocar as startups em conexão com grandes especialistas. É a inovação na vida real”, afirma.

Segundo ele, a Eritz.bio trabalha em três vertentes: saúde digital, que reúne 70% das incubadas; biotecnologia (15%) e dispositivos médicos (15%). Entre as spin-offs da Eritz.bio está o Escala, app para montar e gerenciar escalas de trabalho. Os gestores criam os turnos, considerando folgas e férias dos colaboradores que acessam seus horários e podem solicitar trocas por meio da ferramenta. “Durante dois anos nós testamos o modelo de negócio no Einstein”, diz o CEO Vinícius Lima.

Hoje o Escala é usado por 240 empresas, 80% delas da área da saúde, conta. São três modalidades: plantões, destinada aos médicos; jornada, para enfermeiros, bombeiros e prestadores de serviço, e espaço, criada na pandemia para gerenciamento de salas e posições de trabalho nas jornadas flexíveis. Com custo médio de adoção de R$ 4 por usuário, a Escala espera faturar R$ 6 milhões este ano, o dobro de 2020.

Para Kenneth Almeida, diretor do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a pandemia acelerou muito o processo de inovação e abriu portas para criar um fluxo de desenvolvimento. “A urgência faz as coisas acontecerem mais rapidamente”, diz. “Desde 2018 temos um centro de inovação e em 2020 lançamos um edital focado em plataformas digitais para relação com paciente, com mais de 40 empresas inscritas”, diz.

Nos últimos dois anos, a instituição fechou 20 parcerias no modelo de open innovation e investiu mais de R$ 25 milhões na área, entre infraestrutura e projetos. O incentivo à participação interna também ganhou força. A equipe de fisioterapeutas do hospital criou um adaptador que permite a instalação de um filtro bacteriano e viral no circuito dos ventiladores mecânicos usados por pessoas com covid-19 internados na UTI, que possibilita ao paciente respirar sem que o ambiente seja contaminado. “A peça, que é descartável e custa menos de R$ 10, é extremamente eficiente e por conta disso abrimos a tecnologia para o mercado”, explica Almeida.

Com quatro anos de operação, a startup Laura - responsável pela criação de uma plataforma baseada em inteligência artificial para auxiliar o corpo clínico no cuidado com pacientes internados - viu a chave virar em 2019. “Os médicos começaram a reconhecer o quanto a adoção da inteligência artificial poderia ajudá-los ao longo da jornada dos pacientes”, diz o CEO Cristian Rocha. O hospital Oswaldo Cruz foi um dos primeiros a usar a tecnologia para monitorar pacientes internados e com covid. Em breve usará, também, o Laura Inteligência Clínica, que auxiliará o médico na tomada de decisão a partir de dados relativos ao risco de mortalidade e atendimento dos alertas disparados.

Seguindo a lógica do machine learning, o robô Laura analisa mais de 90 variáveis, se conecta ao prontuário eletrônico e monitora os relatórios de saúde e informações clínicas de cada paciente. Ao identificar qualquer anormalidade, emite um alerta. Adotado em mais de 40 instituições, o Laura já realizou mais de 8 milhões de atendimentos e ajudou a salvar 24 mil vidas.

Na visão de Rafael Ribeiro, diretor de produtos digitais do Hospital Sírio-Libanês, mais do que quantidade, o que pesa é qualidade. “Estamos atentos a empresas que ajudem a mudar os modelos de gestão, tornem os processos mais ágeis e tragam ferramentas que permitam ao hospital participar da economia digital”, diz. Entre os projetos que avançaram em 2020, ele aponta o Pronto Atendimento Digital, aplicativo que dá ao usuário acesso digital ao PA do hospital para consultas com médicos de família, prescrição e pedidos de exames digitais.