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Insurance Meeting: “O fim do seguro como o conhecemos”

CNseg - 07 de Novembro de 2019
Rob Galbraith, diretor de Inovação do AF Group e autor do livro “O fim do mercado de seguros como conhecemos” (“The end of insurance as we know it”, em inglês), participa do Insurance Meeting, no dia 7, que acontece em Sao Paulo, promovido pela Confederação das Seguradoras. Confira abaixo a íntegra da entrevista com Rob Galbraith concedida para o portal da CNseg:

Quais tecnologias emergentes você acha que terão mais impacto no mercado de seguros nos próximos anos? 

Acredito que três grandes tecnologias já estão revolucionando o seguro hoje e o farão ainda mais nos próximos anos. A primeira é a Telemetria, que utiliza sensores baratos em carros, residências, empresas e em dispositivos móveis, entre outros, capturando e transmitindo dados para se observar e medir, em tempo real, o comportamento das pessoas e de sistemas e está fazendo dessa era a era do Big Data. A segunda é a Inteligência Artificial (IA) em todas as suas variedades como, por exemplo, o aprendizado da máquina, aprendizado profundo, floresta aleatória, etc., dando sentido a todos esses dados de streaming, exatamente da mesma forma como o GPS envia sinais para os dispositivos móveis das pessoas e indica o caminho mais rápido para o destino desejado. E a terceira tecnologia, que ainda está em sua infância, é o Blockchain ou, mais amplamente falando, a Tecnologia de Registro Distribuído (DLT, na sigla em inglês), que tem o poder de remover muitos intermediários e ineficiências dos processos de seguro para tornar os produtos mais baratos e mais amplamente disponíveis para aqueles que precisam.

As novas tecnologias causam um grande impacto na maneira como as pessoas se relacionam e fazem negócios. O que as seguradoras precisam fazer para se adaptar a esses novos tempos?

As seguradoras devem fazer três coisas importantes para se adaptar a esse mundo de mudanças aceleradas. Primeiro, elas devem enfrentar com afinco suas ineficiências e pendências técnicas causadas por sistemas e processos desatualizados, procurando maneiras de avançar no século XXI. Em segundo lugar, elas devem estar dispostas a encontrar parceiros confiáveis que possam ajudá-las nessa jornada, incluindo as insurtechs, em vez de seguirem sozinhas. Por fim, elas devem preparar seus funcionários para esse novo mundo, fornecendo treinamento e comunicação contínuos para ajudá-los a trabalhar efetivamente com a tecnologia, pois os funcionários que não o fizerem serão substituídos por essa mesma tecnologia.

Como você vê o setor de seguros dentro de 10 anos? Quais processos deixarão de existir e quais continuarão a existir da mesma maneira?

Eu acho que haverá muitas fusões e aquisições e o mercado será dominado por organizações maiores, que lidam com a maioria das demandas de seguro em escala, atuando com margens de lucro reduzidas, bem como por players de pequeno e médio porte, que podem oferecer produtos e serviços mais personalizados, mas com prêmios e margens mais altas.

O que os líderes do mercado de seguros precisam fazer para se adaptarem a esses novos tempos de disruptivos?

Eles precisam encontrar vozes confiáveis dentro e fora de sua organização que possam lhes dar uma avaliação honesta de seus pontos competitivos fortes e fracos. Os líderes precisam desenvolver e articular uma visão e um roteiro para se manterem relevantes no futuro e à frente dos concorrentes mais lentos, sempre equilibrando e priorizando a agilidade e a flexibilidade, à medida que as tecnologias mudam, considerando sempre as expectativas dos clientes.

E quanto aos trabalhadores do mercado de seguros? Que papéis devem deixar de existir e que novas necessidades surgirão?

Acho que ainda teremos agentes e corretores para linhas de negócios mais complexas, pois o seguro sempre envolverá confiança e relacionamento. Além disso, funções que ajudem a identificar exposições emergentes e a desenvolver rapidamente novos produtos e serviços para atender a necessidades crescentes serão críticas. Também penso que haverá mais cientistas de dados, que possuem um conjunto de habilidades mais amplo, substituindo atuários e subscritores. Já os processos intermediários, que não agregam valor aos clientes, deverão ser automatizados ou eliminados.

Como a tecnologia pode (caso possa) simplificar os processos de seguro e torná-lo mais atraente, acessível e inclusivo?

Geralmente, o que dificulta a automatização dos processos de seguro são os profissionais ligados a processos ineficientes e a necessidade de lidar com sistemas legados desatualizados. Muitas novas insurtechs já estão familiarizando-se com os processos das seguradoras tradicionais e personalizando suas ofertas para facilitar sua integração. Outras surgem de profissionais do seguro com amplo conhecimento sobre de onde estão as ineficiências e como capitalizá-las. Existem muitas oportunidades para melhorar o seguro e, com o tempo, a tecnologia inevitavelmente tornará a indústria muito mais eficiente, o que, por sua vez, a tornará mais atraente, acessível e inclusiva.