Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

SINISTRALIDADE DO SEGURO DE AUTOMÓVEIS

Seguindo no tema da semana passada, já faz algum tempo que o seguro de automóveis tem apresentado uma sinistralidade alta, comprometendo o resultado de várias seguradoras com foco neste seguro. 22 de Julho de 2022

Seguindo no tema da semana passada, já faz algum tempo que o seguro de automóveis tem apresentado uma sinistralidade alta, comprometendo o resultado de várias seguradoras com foco neste seguro.

Quando todo mundo torcia para o quadro mudar, os quatro primeiros meses deste ano apresentaram um crescimento forte nos casos de furto e roubo de veículos. No período, foram roubados ou furtados, na cidade de São Paulo, mais de vinte e nove mil veículos, totalizando um veículo a cada seis minutos.

Os mais velhos, ou com melhor memória, irão se lembrar que no passado esse número já foi pior, que já houve época que os roubos e furtos chegaram próximos de um veículo a cada três minutos, o que é um número impressionante em qualquer lugar do mundo.

Nos últimos anos, os números da violência e da criminalidade haviam apresentado recuo em praticamente todos os campos, inclusive o roubo e furto de veículo. O auge desse quadro foi em 2020, durante da pandemia do coronavírus. Com o isolamento social e as pessoas saindo menos, a sinistralidade da carteira de automóveis teve um dos melhores resultados de sua história, com as seguradoras focadas no seguro de veículos apresentando balanços com números exuberantes, entre os melhores da década.

Em 2021, o quadro começou a mudar. O seguro de veículos se transformou num problema, primeiro pela falta de componentes, especialmente semicondutores, o que reduziu a quantidade de automóveis zero quilômetros e catapultou o preço dos veículos usados.

Na sequência, os custos dos reparos aumentaram exponencialmente em função do aumento do preço das peças e, finalmente, os roubos e furtos voltaram a crescer, piorando ainda mais um resultado que já estava ruim.

O Brasil vive um momento de aumento generalizado da violência. Não são apenas os crimes contra o patrimônio que assustam. Racismo, intolerância, feminicídios, estupros, latrocínios, assassinatos, brigas de torcidas etc. se tornaram assuntos corriqueiros, sendo raro o dia em que não há notícia de um crime violento.

Estamos vivendo uma realidade cruel, na qual a violência meio que foi incorporada ao dia a dia das pessoas. A sociedade não se espanta mais com barbaridades como o assassinato de alguém em plena luz do dia para roubar um mero celular. Com o acirramento dos ânimos em função das eleições, pelo que já se vê, a violência tende a crescer ainda mais. Como se não bastasse, várias decisões judiciais passam a sensação de impunidade e de que o crime compensa.

O dado grave no aumento do número de roubos e furtos de veículos nos quatro primeiros meses do ano é que a maioria das ocorrências é de roubo, ou seja, crimes em que há violência ou grave ameaça para se atingir o resultado.

Este cenário não deve mudar. O crime de forma geral seguirá em alta e os ladrões de carro continuarão agindo em ritmo acelerado. Isso quer dizer que os roubos e furtos de veículos dificilmente terão uma redução mais consistente ao longo de 2022.