Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

UM ANO E VÁRIOS RESULTADOS

O faturamento do setor de seguros em 2021 cresceu na comparação com 2020. Já o resultado consolidado do setor não teve o mesmo desempenho. 18 de Fevereiro de 2022

O faturamento do setor de seguros em 2021 cresceu na comparação com 2020. Já o resultado consolidado do setor não teve o mesmo desempenho. 2020 foi um ano atípico, com variáveis inéditas influenciando os resultados das companhias e isto fez com que várias seguradoras tivessem lucros recordes ao longo dele. A queda da sinistralidade em geral, a queda da sinistralidade de automóveis, especificamente, a redução da utilização dos planos de saúde privados para procedimentos não relacionados à covid19 tiveram impacto positivo nos balanços de praticamente todas as seguradoras, o que fez do exercício um dos mais rentáveis nos últimos anos.

Mas o que foi bom em 2020 não se repetiu em 2021. Apesar do aumento do faturamento da atividade, os resultados sofreram outras influências e, consequentemente, tiveram desempenho diferente do ano anterior.

O seguro de veículos, que em 2020 havia sido generoso com o setor, em 2021 foi bem mais duro e o aumento dos custos dos sinistros teve impacto bastante pesado no resultado da carteira de muitas seguradoras. A falta de carros zero, o aumento do preço dos usados, a carência de peças, o aumento exponencial do custo das peças, a desvalorização do real, etc, impactaram o ramo e cobraram seu preço.

Os seguros de vida também tiveram um aumento nas indenizações, porque as mortes por covid19 foram pagas pelas seguradoras. E os planos de saúde privados viram os procedimentos represados em 2020 serem retomados em 20201, aumentado a saída de dinheiro de seus caixas.

Há outros impactos, como a alta sinistralidade do seguro rural, mas os expostos são suficientes para explicar por que os resultados do ano de 2021 variam tanto, indo de números muito bons a números muito ruins, dependendo do foco de cada companhia e das decisões de suas gestões.

Grosso modo, mesmo faturando mais, as seguradoras não repetiram o desempenho de 2020. Ainda que várias delas conseguindo desempenho positivo, eles foram, na média, menos expressivos, vítimas dos impactos que impediram a repetição do resultado do ano anterior.

Isso quer dizer que os balanços de 2021 apresentarão números bem diferentes, variando muito de companhia para companhia, em função do foco do negócio e das ações desencadeadas pelas administrações de cada uma.

A leitura dos números de dezembro de 2021 mostra que, se algumas seguradoras tiveram desempenho acima de um bilhão de reais, outras tiveram resultados negativos na casa das centenas de milhões de reais. Como não são números consolidados e auditados, é necessário aguardar as publicações dos balanços para se saber exatamente o que aconteceu com cada companhia.

O que é certo é que, se algumas distribuirão dividendos, outras serão obrigadas a chamar capital novo para reorganizarem suas contas e fazer frente às suas necessidades de reservas e recursos para manterem suas operações adequadamente protegidas. Aliás, se não o fizerem, serão autuadas pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), que fiscaliza o setor com competência e tem a posição de cada seguradora em base quase que diária.

Quer dizer que estamos na antevéspera de uma quebradeira? Não, quer dizer que é hora de todos prestarem atenção.