Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

SEGURO PARA O AGROBUSINESS

Em tempos de vacas magras, a alternativa é olhar para onde o sol está batendo, analisar o que pode ser feito e tocar em frente da melhor forma possível. 26 de Março de 2021

Em tempos de vacas magras, a alternativa é olhar para onde o sol está batendo, analisar o que pode ser feito e tocar em frente da melhor forma possível. Com o coronavírus correndo solto, o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente, antes de poder dizer que venceu a pandemia.

Mais de três mil mortos por dia compromete qualquer planejamento. Não há como se falar em crescimento econômico. O que o país conseguiu fazer foi a façanha de ficar sem saúde e com a economia debilitada, caminhando para uma piora séria, em função da redução do auxílio emergencial. O que foi feito no ano passado foi bom porque permitiu aos mais pobres uma renda indispensável para sua sobrevivência e que, ainda por cima, manteve a economia razoavelmente aquecida, reduzindo a recessão para algo próximo de 4%, muito menos do que o incialmente previsto.

No final do ano, o auxílio terminou e o que foi votado para substituí-lo é insuficiente para as famílias mais pobres sobreviverem e para a economia se manter minimamente aquecida. Entre secos e molhados, perdem todos. E o país não conseguirá se recuperar porque o empobrecimento social decorrente da adoção das novas medidas agravará o fechamento de empresas, mantará o desemprego em patamares elevados e aumentará a miserabilidade do povo, jogando milhares de pessoas nas ruas.

Então não há remédio, não há setor que se saia bem em meio ao caos criado pela falta de visão do Governo Federal na condução da pandemia? A impossibilidade da vacinação em massa nos condena a continuarmos reféns do vírus e suas mutações, sem um único atalho para um futuro melhor?

É verdade, não temos a menor possibilidade de vacinar rapidamente 70% da nossa população, número considerado necessário para atingir a imunidade de rebanho, sem a qual não conseguiremos estancar o ritmo de crescimento da pandemia. De outro lado, temos um setor que se sai extraordinariamente bem, sendo referência no mundo, pelos ganhos de produtividade constantes e pela sua importância cada vez mais relevante para o fornecimento de alimentos para a humanidade.

O agronegócio brasileiro é exemplo para as sociedades mais desenvolvidas. O que foi conseguido nas últimas décadas nos coloca como segundo maior produtor de alimentos do mundo e, ano a ano, melhoramos nosso desempenho. É aí que temos que focar nossa atenção. É no agronegócio que estão as oportunidades para vários outros setores econômicos, entre eles o setor de seguros.

Ao longo dos últimos anos, o setor de seguros aumentou bastante sua participação e interação com o agrobusiness. Numa feliz soma das ações do governo com o setor privado, os empresários rurais passaram a contar com seguros mais modernos e afinados com suas necessidades e com mais recursos do governo para pagar suas apólices. Foi um avanço importante e que não tem razão para não prosseguir, abrindo inclusive outras portas para as seguradoras oferecerem seus produtos e para as pessoas que giram em torno do agronegócio terem proteção eficiente para suas vidas, seus patrimônios e capacidade de ação.

O universo do campo é muito mais do que os seguros para as culturas de grão, como soja, milho e trigo. Há mais culturas a serem seguradas, mas, mais importante, há outros seguros a serem desenvolvidos.

As propriedades rurais espalhadas pelo país são bastante heterogêneas, variando de enormes áreas plantadas com soja a pequenas propriedades produtoras de hortifruti granjeiros. Se uma parte está atendida, a maioria dos agricultores não tem proteção adequada para suas propriedades e sua produção.

Qual a quantidade de imóveis erguidos nas propriedades rurais que não tem seguros? Quantas sedes, silos, armazéns, garagens, casas de funcionários, moendas, etc., não têm qualquer tipo de proteção? Quantas pessoas envolvidas com o agronegócio não têm seguro de vida?

Este universo pode começar a ser a solução, ou a resposta, para as dificuldades apresentadas pelos setores que tradicionalmente contratam seguros e que estão seriamente atingidos pela crise.