Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

QUAL O MELHOR SEGURO?

Qual o melhor seguro? Será que existe isso? Será que um seguro é tão melhor do que os outros que se destaque automaticamente, como a lâmpada de Aladim do setor? Este seguro não existe. 09 de Outubro de 2020

Qual o melhor seguro? Será que existe isso? Será que um seguro é tão melhor do que os outros que se destaque automaticamente, como a lâmpada de Aladim do setor? Este seguro não existe. Mas o melhor seguro existe e ele não tem que ser necessariamente o melhor para todos, ele tem que ser o melhor para fazer frente às necessidades do segurado que o escolhe.

Não existem dois riscos iguais. Não existem dois objetos do seguro iguais. Não existem dois segurados iguais. Mesmo se tomarmos dois irmãos gêmeos, que moram na mesma rua, têm o mesmo carro e dirigem da mesma forma, os seus seguros de veículos, ainda que contratados na mesma seguradora, serão riscos diferentes.

Um é mais cuidadoso, outro é mais arrojado; um dirige mais devagar, outro tem o pé mais pesado; um faz manutenção rigorosamente de acordo com o manual, outro esquece de trocar as pastilhas do freio; um deixa o carro na garagem, outro estaciona na rua, etc. São centenas de particularidades que fazem com que, por mais parecidos que dois seguros sejam, eles sejam no máximo semelhantes, mas jamais iguais.

As seguradoras sabem disso e sabem também que por mais que as respostas do questionário de risco sejam as mesmas, de verdade, cada seguro é único, porque cada risco é único. É aí que entram a lei dos grandes números, as estatísticas e os cálculos atuariais. Com base neles, as seguradoras precificam seus seguros de forma a compensar as individualizações que não podem entrar no preço básico do seguro, sob pena de inviabilizar o produto.

Seguro é massa. A base é o mutualismo, o pagamento do prêmio de cada segurado, calculado proporcionalmente ao todo, compondo o grande fundo de onde a seguradora retira os recursos para pagar as indenizações, custear seu funcionamento e remunerar os acionistas. Em princípio, quanto maior o mútuo, mais barato o seguro pode custar porque, proporcionalmente, a incidência de sinistros e os custos operacionais são menores.

Atualmente, com as ferramentas gerenciais à disposição das seguradoras, os seguros podem ser precificados individualmente, com grande precisão, em boa parte das carteiras. Se, no passado, o bom segurado acabava pagando parte do preço do seguro do mau segurado, atualmente a precificação, baseada em todos os dados a que a seguradora tem acesso, faz com que o seguro custe o preço justo para cada segurado.

Alguém poderia perguntar: “Então, todos os seguros são perfeitos e os melhores que existem?” E a resposta seria: “Depende.” Cada seguro é um seguro e cada seguradora é uma seguradora. Não existem duas seguradoras iguais.  Da mesma forma que os segurados, elas são no máximo semelhantes. E isto se reflete em suas apólices, em sua política comercial, na regulação e na liquidação dos sinistros. Ou seja, cada seguradora é única e funciona de acordo com suas características, sua história, políticas de relacionamento interno e externo, canais de distribuição, cessão de resseguro e decisões tomadas pelos responsáveis pelas diferentes áreas da companhia, levando em conta o momento do setor e da seguradora dentro dele.

É por isso que a melhor forma de contratar a maioria dos seguros comercializados no Brasil é através de um corretor de seguros. O corretor de seguros não é um vendedor de apólices, ele é um comprador de proteção para o segurado. Isso faz com que ele precise conhecer o setor de seguros, a realidade do mercado, a sociedade em que interage, o segurado que ele vai atender, os produtos que servem para cada situação e as tipicidades de cada seguradora.

Assessorando o segurado, o corretor de seguros tem condições de lhe mostrar cada produto, confrontá-lo com os riscos, mostrar as vantagens e desvantagens, os pontos fortes e os pontos fracos de cada apólice.

O resultado será o melhor seguro. Não existe um seguro amplo, geral e irrestrito que seja melhor do que todos os outros. O melhor seguro é o que é melhor para cada segurado individualmente, o que atende suas necessidades de proteção, dentro dos limites do contrato, particularidades da seguradora e preço justo.