Denise Bueno
Denise Bueno

Jornalista especializada na indústria de seguros brasileira e internacional

Lloyd’s of London estima pagar entre US$ 3 bi e US$ 4,3 bi em indenizações por Covid-19

As previsões globais de perdas seguradas de US$ 107 bilhões são semelhantes às perdas por catástrofes naturais em 2005As previsões globais de perdas seguradas de US$ 107 bilhões são semelhantes às perdas por catástrofes naturais em 2005 15 de Maio de 2020

Fonte: Reuters

O Lloyd’s de Londres estima pagar entre US$ 3 bilhões e US$ 4,3 bilhões em pedidos de indenizações relacionadas à pandemia de coronavírus, valor semelhante às perdas dos ataques de 11 de setembro, informou nesta quinta-feira. As perdas globais com subscrição e investimentos podem atingir um recorde de US$ 203 bilhões em 2020, acrescentou.

A Zurich Insurance anunciou na quinta-feira que espera US$ 750 milhões pela pandemia no segmento de seguros gerais (no life) neste ano. As seguradoras também perderam dinheiro devido à queda dos mercados financeiros, com perdas em investimentos que usam para pagar os sinistros relatados. “Acho que ninguém em nosso setor jamais viu os dois fatos acontecerem ao mesmo tempo”, disse à Reuters o presidente-executivo do Lloyd’s, John Neal. As perdas de investimento foram de US$ 96 bilhões.

As previsões globais de perdas seguradas de US$ 107 bilhões são semelhantes às perdas por catástrofes naturais em 2005, lideradas pelos furacões Katrina, Rita e Wilma e em 2017, incluindo os furacões Harvey, Irma e Maria, informou o Lloyd’s.

As estimativas do Lloyd’s não incluem seguro de vida e consideram medidas contínuas de distanciamento e lockdown em 2020, bem como uma queda no PIB global. A maior parte das perdas de seguros considera o cancelamento ou adiamento de grandes eventos em todo o mundo, incluindo as Olimpíadas, reclamações lucros cessantes e crédito comercial.

Neal disse que o setor de “Property” do Reino Unido representa menos de 2% do mercado dos negócios do Lloyd’s, acrescentando que “quaisquer reivindicações válidas devem ser pagas”.

As seguradoras de vida também estão sendo atingidas pela crise, principalmente porque as medidas de lockdown impedem que os agentes atendam aos clientes. A Prudential disse na quinta-feira que suas vendas no primeiro trimestre na Ásia caíram 24% e espera um segundo trimestre desafiador.

Mas a crise também cria oportunidades para novos produtos. O Lloyd’s está subscrevendo riscos de ensaios clínicos e está considerando o seguro de longo prazo após o evento para ajudar as empresas a se recuperarem de pandemias, incluindo o COVID-19.

É improvável que a sala de subscrição do Lloyd’s, que recebe quase 50 mil pessoas, seja aberto antes de agosto, disse Neal. Mas parte da equipe do Lloyd’s pode começar a retornar à torre da City de Londres em junho, acrescentou.