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Opy Health planeja aquisições de R$ 2 bi

Valor Econômico - 21 de Outubro de 2021

A Opy Health, gestora de infraestrutura hospitalar do fundo IG4 Capital, pretende captar R$ 2 bilhões para aquisição e construção de hospitais até 2024. A estratégia é que cerca de um terço desse montante venha de novos acionistas, que fariam um aporte entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões, em troca de uma fatia minoritária da empresa. Tanto a entrada desses investidores quanto uma primeira aquisição podem ocorrer ainda neste ano.

O modelo da Opy é diferente dos grupos consolidadores de saúde. A empresa adquire os imóveis dos hospitais e passa a ser remunerada por eles com a locação e prestação de serviços de gestão administrativa, financeira, predial, limpeza, compra de equipamentos, ou seja, tudo que não é relacionado ao atendimento médico.

A Opy também pretende construir e arrendar hospitais para empreendedores que desejam se concentrar apenas no serviço assistencial de saúde. Esse formato de negócio - adotado em outros países - é usado em Parcerias Público Privada (PPP) nas quais a Opy já atua. No começo de 2020, a empresa assumiu a concessão dos hospitais Delfina Aziz, em Manaus, e Metropolitano Dr. Célio de Castro, em Belo Horizonte.

O Delfina Aziz é o hospital de referência para atendimento de casos de covid-19 em Manaus. Hoje, a empresa administra 850 leitos com esses dois hospitais públicos, mas é da área privada que virá seu maior crescimento. O objetivo é adquirir entre 10 e 12 ativos nos próximos três anos. “Com a entrada no setor privado, nossa meta é triplicar de tamanho, ter 3 mil leitos, até 2024”, disse Otávio Silveira, presidente da Opy Health.

Neste ano, a estimativa é de uma receita de R$ 280 milhões e um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 160 milhões. Além do aporte dos novos acionistas, 70% dos R$ 2 bilhões que serão investidos nas aquisições virão de emissão de dívida. Um dos instrumentos financeiros que devem ser usados são os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), tendo em vista o portfólio de imóveis da Opy.

“Podemos usar os imóveis como lastro para financiamentos alongados. Estamos montando uma SPE [Sociedade de Propósito Específico] que vai deter todos os imóveis que vamos comprar e, provavelmente, essa SPE vai se alavancar através de CRIs”, disse Rogério Bolzani Caldas, diretor financeiro da Opy Health.

Outros mecanismos como debêntures de longo prazo também podem ser adotados. Para essa nova etapa, a Opy montou uma equipe de fusões e aquisições, liderada por Graciema Bertoletti, ex-Amil. “Há vários médicos fundadores que não querem se desfazer dos seus negócios. E nosso modelo funciona muito bem, porque ao vender apenas o imóvel esse médico se capitaliza para ser mais competitivo, não precisa cuidar de assuntos administrativos, financeiros e predial. Pode ficar focado na parte médica, que normalmente é o que ele mais gosta, sua vocação”, disse Graciema.

Outros formatos de transação como a venda de uma fatia do empreendimento imobiliário nos casos de sócios que desejam deixar a operação também podem ser adotadas. A remuneração paga pelos hospitais pela prestação de serviços pode ter ainda um variável em casos de metas alcançadas como satisfação do cliente, entre outros indicadores que são estabelecidos entre as partes.