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Valor da Dasa se ajusta a preço da oferta

Valor Econômico - 08 de Abril de 2021

A rede de laboratórios e hospitais Dasa deverá voltar a ter uma cotação de mercado, após a conclusão, na terça-feira, de sua oferta pública de ações, em operação conhecida como “re-IPO”, por se tratar de empresa listada, mas sem liquidez.

Desde 2015, quando a família Bueno, que criou a Amil, assumiu o controle da empresa, apenas 2,25% dos papéis da Dasa estavam na bolsa. Com um percentual tão pequeno, quase não havia negócios com as ações e, portanto, a cotação não era considerada para avaliação do valor da empresa. Ao concluir a oferta, a Dasa chegou a esse valor, que é de R$ 32 bilhões, após definir com investidores a venda de 57 milhões de novas ações ao preço de R$ 58 cada uma. A média das cotações no ano passado da Dasa estava próxima a isso, na casa dos R$ 60.

Mas desde que a companhia informou que faria a oferta para aumentar seu percentual de ações em circulação na bolsa (free float) e aderir ao Novo Mercado, as cotações passaram a subir, principalmente este ano. Chegaram ao pico de R$ 169 em 2 de março. Essa oscilação foi causada por negócios em volume muito pequeno, sem representatividade.

As novas ações chegarão à bolsa hoje. E, ontem, os papéis já atraíram negócios, em meio a um ajuste ao preço definido na oferta. O papel fechou com queda de 50%, a R$ 71,99 - ainda muito acima da oferta. E girou R$ 52 milhões, volume expressivo para seu padrão. Por conta da oscilação e giro atípicos, o papel foi constantemente levado a leilão pela B3.

A família Bueno está impedida de negociar as ações por um período de seis meses (lock up). A oferta da Dasa alcançou R$ 3,3 bilhões, não saiu com o lote suplementar e o adicional deverá ser exercido nos próximos 30 dias, elevando a operação para R$ 3,8 bilhões, apurou o Valor.

De acordo com fontes, a família Bueno colocou R$ 500 milhões na operação, para não ser diluída, pois considerou que, com o papel a R$ 58, fazia sentido entrar. Nesse valor, a demanda pela operação alcançou duas vezes o total ofertado. A faixa inicialmente pretendida pela empresa para a operação era entre R$ 64,90 e R$ 84,50.

Após a operação, a Dasa passará a ter entre 10% e 11% de free float. O percentual mínimo exigido pelo Novo Mercado é de 25%, mas o regulamento também aceita 15% pelo período de 18 meses, se a empresa estiver aderindo ao segmento ao mesmo tempo em que faz uma oferta de ações. Esse percentual menor pode ser considerado se a oferta for superior a R$ 3 bilhões, caso da Dasa, e se as ações alcançarem volume médio diário de negociação igual ou superior a R$ 25 milhões. No entanto, a Dasa informou que solicitou à B3 autorização para manter temporariamente o free float equivalente ou superior a 10%, com o compromisso de aumentar esse percentual em até 18 meses.

Em contrapartida, a Dasa se comprometeu a reduzir os quóruns necessários para a eleição de membro do conselho de administração em separado e para a solicitação de convocação de assembleia especial para deliberar sobre a realização de nova avaliação na hipótese de cancelamento de registro de companhia aberta.

A Dasa também irá divulgar anualmente relatório com informações ambientais, sociais e de governança corporativa, tomando por base padrões internacionais. A Dasa vai usar os recursos captados na oferta para investir em seu crescimento orgânico e via aquisições, além de pagar a compra do Grupo Leforte, anunciada em dezembro.