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AGCS muda estrutura e se fortalece para atender clientes neste cenário de Covid-19

Sonho Seguro - 04 de Agosto de 2020
A Allianz Global Corporate & Specialty SE (AGCS) está estabelecendo uma nova estratégia de atuação para trazer ao mercado um perfil de empresa de liderança. Agora, toda a América Latina se juntou à Espanha e Portugal em uma úncia região chamada IberoLatam. “Nós somos um mercado bem maduro na região Ibérica (Europa) e a possibilidade de crescimento lá existe, mas não tanto quanto um mercado emergente como América Latina. Então nós unimos esses dois cenários de mercado: o emergente e o estável”, conta Gláucia Smithson, CEO América do Sul da AGCS.

Ela acredita que o grupo terá mais evidência no mercado e a probabilidade de soluções aos clientes também. “Essa união nos fará mais eficientes analisando as melhores práticas em ambas regiões. Estamos bastante otimistas com as mudanças e acreditamos que os resultados positivos que já conquistamos esse ano, mesmo com a crise provocada pelo novo coronavírus, deve se intensificar”, contou ela ao blog Sonho Seguro.

Leia a entrevista abaixo:

Como se comportou o mercado de seguros nos últimos meses com o começo da pandemia? Muitos sinistros? Como foram regulados, remotamente?

No segmento de grandes riscos, as grandes empresas sentem o impacto da crise na economia, mas ao mesmo tempo a maioria possui um plano de continuidade de negócios maduro, o que permite um maior equilíbrio. Aquelas que não tinham esse tipo de plano perceberam sua importância. Além disso, com a pandemia o tema infraestrutura passou a ser ainda mais debatido. Este será um atrativo de novas fontes de recursos para o mercado segurador não só para o Brasil, mas para a América Latina como um todo. No que diz respeito a nossa operação, a AGCS como um todo está rodando de uma maneira 100% virtual e remota. A administração de sinistros está ocorrendo como se estivéssemos no escritório. Nossa companhia está totalmente para uma realidade que nem sabíamos que viria a acontecer.

Os clientes pediram muitas adequações nos contratos?

As alterações vieram do mercado e não ao contrário. Começamos a mudar nossos termos e condições tendo em vista a nova realidade do mercado. Nossa realidade é diferente comparado a outros países, fomos mais reativos do que defensivos nesta crise. Essa foi a posição do segmento de grandes riscos como um todo.

Nas fábricas fechadas, houve compensação em prêmios pela redução de riscos? E a retomada, traz expectativa de maior volume de acidentes?

Agora, que muitas companhias se preparam para reabrir após um período de inatividade, é importante que elas permaneçam vigilantes para mitigar perdas que possam ocorrer como resultado dessa reabertura. As empresas devem prestar atenção especial às condições de equipamentos e instalações elétricas, pois cerca de 20% a 30% dos sinistros de incêndio da AGCS estão relacionados a elas. As seguradoras também devem se preparar para um aumento de incidentes resultantes de defeitos técnicos ou erros operacionais depois que as máquinas forem reiniciadas ou limpas em preparação para a reabertura de instalações. A análise da AGCS a respeito dos sinistros mostra que os incêndios já representam quase um quarto (24%) do valor de todos os acionamentos de seguros em um período de cinco anos, sendo a principal causa de perdas. O trabalho ou a manutenção malfeitos (8%) e os danos às máquinas (5%) são classificados como a terceira e a sétima principais causas de sinistros, respectivamente.

Como vê a discussão de pagamento de seguro de lucros cessantes, dentro e fora do Brasil?

Empresas de todo o mundo vêm sofrendo perdas com fábricas fechadas ou cadeias de abastecimento interrompidas. No entanto, as apólices padrão de property / interrupção de negócios (BI) não oferecem cobertura, pois uma perda de BI é desencadeada apenas por danos físicos a propriedade. Para alguns clientes corporativos, a AGCS oferece cobertura limitada para interrupção dos negócios sem danos prévios à propriedade. Essas extensões especiais de apólice não são comuns no mercado e estão disponíveis apenas com limites baixos. Além disso, em muitos casos, a cobertura exige que seja identificado um surto nas instalações para classificar o incidente como doença ‘de notificação compulsória’, bem como uma ordem das autoridades exigindo o fechamento das operações.


Como o fechamento de tantas empresas, muitas delas em recuperação judicial, afetam o setor e a AGCS?

A longo prazo as indústrias vão sofrer, e isso afetará todos os setores sem exceção. Mas graças ao mercado segurador, muitas empresas vão conseguir se salvar desta crise. As empresas começaram a registrar um número cada vez mais crescente de reclamações relacionadas, por exemplo, à responsabilidade de executivos (D&O) e ameaças cibernéticas. Portanto, mais do que nunca o mercado segurador se faz essencial.

Quais as expectativas em mudanças dos contratos para este início de retomada? 

Devemos pensar nas mudanças de atitudes dos Risk Managers para essa nova realidade, entender o que eles estão fazendo para garantir a continuidade de negócios. Muitas empresas não possuem uma pessoa dedicada a analisar o risco e os impactos caso um planta seja paralisada, por exemplo. Precisamos melhorar a atitude de proatividade em relação ao mercado de seguros e resseguros, com profissionais dedicados à gestão de risco dentro das companhias.