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Liderança global aponta clima como risco maior

O Fórum Econômico Mundial (WEF) aponta como as cinco maiores preocupações temas ligados às mudanças climáticas

Valor Econômico - 16 de Janeiro de 2020

O Valor Econômico relata que quando o Fórum Econômico Mundial (WEF), realizado anualmente na cidade suíça de Davos, aponta como as cinco maiores preocupações das principais lideranças globais temas ligados às mudanças climáticas isso tem implicação gigantesca. Significa que países, empresas, investidores e organizações de todos os setores estão prestes a começar a se mover em direção a mudanças regulatórias, transformações de indústrias inteiras, revolução nos hábitos de consumo e realocação de capital para modelos de negócios melhor adaptados aos novos tempos.

Esses cenários estão previstos no 15ª relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, conduzido pelo grupo Marsh & McLennan e pela seguradora Zurich Insurance Group, junto com consultores da Universidade de Oxford, na Universidade Nacional de Cingapura e no Centro de Processos de Decisão e Gerenciamento de Risco Wharton da Universidade da Pensilvânia. Pela primeira vez em 10 anos, os cinco primeiros lugares da lista de ameaças com maior probabilidade de ocorrer foram dominados por itens relacionados às mudanças climáticas.

O levantamento ouviu 750 especialistas e tomadores de decisão globais, entre CEOs, representantes de governos, líderes de organizações multilaterais e acadêmicos e coloca os eventos climáticos extremos, como inundações e tempestades, no topo das preocupações. Em seguida, aparece a falha na mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Na terceira posição, surgem os grandes desastres naturais, como tsunamis, furacões e terremotos. Uma grande perda de biodiversidade e colapso do ecossistema ocupa o quarto lugar entre os principais riscos para os próximos anos. Por fim, danos e desastres ambientais causados pelo homem fecham a lista.

Não por acaso, temas como “Evitando um Apocalipse Climático” e “Forjando um Caminho Sustentável em Direção a um Futuro Comum” deixam de ser tópicos mais associados às Conferência das Partes da Nações Unidas (COP) e passam a dominar também a programação do encontro anual do Fórum Econômico, que começa no dia 20 e se estende pelos próximos quatro dias.

Segundo Eugenio Pascoal, CEO da Marsh Brasil e presidente da Marsh & McLennan Companies no país, a pesquisa mostra que “o mundo chegou a um momento de mudança”. Na visão do executivo, as discussões de Davos vão funcionar como um gatilho para as empresas no mundo todo começarem a se mobilizar em relação às mudanças climáticas e suas consequências econômicas e sociais. “A forma de fazer negócio mudou e está mudando.”

De acordo com Edson Franco, CEO da Zurich no Brasil, “os riscos são interconectados e empresas e governos têm de olhar de maneira prática essas questões”. Conforme Peter Giger, diretor de riscos da Zurich, a atividade humana já causou a perda de 83% de todos os mamíferos selvagens e de metade das plantas que sustentam os sistemas de produção de alimentos e medicamentos. “Ecossistemas biologicamente diversos capturam grandes quantidades de carbono e fornecem enormes benefícios econômicos estimados em US$ 33 trilhões por ano — o equivalente ao PIB dos EUA e da China juntos”, aponta o executivo no relatório.

O levantamento do fórum mostra que as gerações mais jovens têm uma visão mais alarmante. Segundo a pesquisa, os nascidos após 1980, conhecidos como “millenials”, classificaram os riscos ambientais em um grau bem mais elevado do que outros entrevistados, no curto e longo prazo. Quase 90% desse grupo de entrevistados acreditam que “ondas de calor extremo”, “destruição de ecossistemas” e “saúde impactada pela poluição” serão agravadas em 2020. Conforme mudam as gerações, os percentuais caem para faixas entre 77% e 67%.

O presidente do Fórum Econômico Mundial, Borge Brende, alerta para as consequências. “Os últimos cinco anos estão no caminho para serem os mais quentes já registrados, desastres naturais estão se tornando mais intensos e mais frequentes e, no ano passado, testemunhou-se um clima extremo sem precedentes em todo o mundo.”

Brende ressalta que as temperaturas globais caminham para um aumento médio de três graus centígrados no fim do século, o dobro do que os especialistas alertam ser o limite para evitar consequências econômicas, sociais e ambientais graves. Para o executivo, os impactos da elevação incluirão perda de vidas, tensões sociais e geopolíticas e impactos econômicos negativos.