home / notícias / Momento é de esperar para ver, diz CEO da Allianz

Momento é de esperar para ver, diz CEO da Allianz

“Melhorar a infraestrutura e a educação será importante para o país continuar sendo bem-sucedido como uma democracia", avalia Oliver Bäte

Valor Econômico - 10 de Setembro de 2019

O grupo alemão Allianz, que fatura perto de € 130 bilhões ao ano, acaba de fazer uma grande aposta no mercado brasileiro, conta o Valor Econômico. Dono de uma das maiores seguradoras do mundo, assinou um cheque de R$ 3 bilhões para a compra da carteira de automóveis e ramos elementares da SulAmérica. Planeja ainda lançar planos de previdência, se a reforma da Previdência sair do papel.

“A nova compra é uma oportunidade de ganhar tamanho, acessar talentos e corretores. E, obviamente, ter ganhos de escala”, disse o alemão Oliver Bäte, presidente do grupo desde 2014, que falou ao jornal em passagem por São Paulo. No país, considerando o critério IFRS, a seguradora saiu de um prejuízo operacional de R$ 561 milhões em 2014 para um lucro de R$ 104 milhões em 2018.

Já na posição de investidor institucional, com a credencial de quem administra aproximadamente € 2,2 trilhões em investimentos, considerando a gestora Pimco, da qual o grupo é dono, o Brasil perde relevância. Bäte afirma que o momento ainda é de “esperar para ver” as reformas na prática para investir no país. Do portfólio total, só € 100 milhões estão aplicados no Brasil, nos segmentos de energia, distribuição de gás e data center.

“Melhorar a infraestrutura e a educação será importante para o país continuar sendo bem-sucedido como uma democracia. Vocês precisam construir algo como o ‘Brazilian Dream’”, disse.

Valor: Qual a estratégia da Allianz no Brasil, após a compra da carteira da SulAmérica?

Oliver Bäte: Quando me tornei presidente, tínhamos uma situação difícil no Brasil. E trabalhamos muito duro para mudar isso. No último ano, dissemos: agora que estamos fora de perigo, precisamos de maior participação, porque, quando não se está no topo, há desafios — com os intermediários, que nunca dão a mesma parcela de atenção; e com os talentos, particularmente no Brasil, que preferem empresas em posição de liderança. É diferente no Peru ou na Colômbia, onde os talentos locais preferem trabalhar em multinacionais. Para nós, a nova compra é uma oportunidade de ganhar tamanho, acessar talentos e corretores. E, obviamente, ter ganhos de escala. A SulAmérica criará uma empresa, que será combinada à nossa operação, processo que deve durar de seis a nove meses.

Valor: Qual o objetivo com a carteira de automóveis?

Bäte: O seguro de carro no Brasil é basicamente o ‘casco’ [cobre roubo, furto ou dano]. Por definição, o cliente desse produto tem mais dinheiro, porque quer proteger seu próprio bem, mas não queremos atingir apenas as pessoas ricas. O Brasil é um dos poucos países que não têm responsabilidade a terceiros obrigatória em seguro de carro, e aí está uma oportunidade. Estamos atentos a caminhões e frotas, área que precisamos investir porque é parte importante da economia. Sempre nos dizem que o seguro de carro está morrendo, porque o carro não será propriedade privada. Por um bom tempo, isso não será verdade, porque o custo médio do reparo está crescendo — e fortemente — devido às peças de carros elétricos.

Valor: A Allianz vai oferecer os produtos “pay as you use”, de pagamento conforme o uso?

Bäte: Temos essas tecnologias, mas veremos a preferência do consumidor. E não significa que esse produto seja melhor. Nos primeiros três anos de licença para dirigir, a propensão para ter um acidente é 15 vezes maior do que aos 30 anos. Mas a sociedade decidiu não tarifar o jovem no preço real porque ele não teria como pagar por nenhum seguro. Há um nível de subsídio cruzado nesse sistema e, portanto, o que a sociedade quer é a questão. Acredito na telemetria, mas por um motivo diferente: melhorar a forma de dirigir e controlar o risco. O poder da telemetria não é diferenciar o risco bom do ruim, é dar feedback de como o motorista dirige e, a partir daí, melhorar os riscos de forma geral.