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Rede D´Or acelera sua expansão com Perinatal

O Globo - 27 de Junho de 2019

O Globo relata que a Rede D´Or São Luiz assinou acordo para a aquisição da maternidade Perinatal, marcando sua entrada nesse segmento no Rio de Janeiro. Além das unidades da Perinatal na capital fluminense (em Laranjeiras e na Barra), estão incluídas no negócio as unidades intensivas de atendimento neonatal mantidas pela maternidade em hospitais da Região Metropolitana do Rio. A compra ainda será avaliada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que regula a concorrência.

Segundo fontes do setor, o grupo D´Or tem outras aquisições fora do Rio no radar. O plano é quase dobrar seu número de leitos em cinco anos, passando de 6,4 mil para 11 mil, e a meta é que 80% da expansão seja pelo chamado crescimento orgânico, ou seja, por construção de unidades. Atualmente, a rede ergue seis hospitais em Rio, Macaé, Campinas e São Paulo. Entre as unidades em construção está a maternidade Star, em São Conrado, que deve ficar pronta em 2020.

A expansão da Rede D´Or, no entanto, vai além do aumento do número de unidades de atendimento. O grupo também busca diversificar sua atuação por meio de parcerias com grandes operadoras para a formatação de planos com atendimento em sua rede hospitalar.

- Não faz sentido termos um plano próprio, mas já temos parceria com três grandes operadoras que formataram produtos específicos com foco na nossa rede, complementados com algumas outras unidades. Com essas parcerias conseguimos uma economia de management e o plano chega com um preço final menor para o consumidor - diz o presidente executivo da Rede D´Or São Luiz, Heráclito Gomes, sem informar quais são as operadoras parceiras.

AMIL MANTERÁ PERINATAL

A Rede D´Or travou este ano uma queda de braço com a Amil - operadora de planos de saúde com 6,2 milhões de usuários - sobre o modelo de remuneração dos serviços hospitalares. O resultado foi o descredenciamento de sete hospitais da Rede D´Or São Luiz, no Rio, pela operadora. A Amil diz, no entanto, que manterá a cobertura da Perinatal.

Os dois grupos, aliás, têm sido vorazes compradores de hospitais no Rio. Essa concentração já preocupa unidades de atendimento de pequeno e médio porte, que temem ficar enfraquecidas na concorrência com as redes.

Guilherme Xavier Jaccoud, presidente do Sindicato de Hospitais e Clínica do Rio de Janeiro (SindhRio), diz que a concentração de hospitais em redes e a verticalização dos piamos de saúde por meio de unidades próprias de atendimento são uma forte tendência para a redução de custos nos serviços hospitalares, também já vista entre os laboratórios clínicos:

- É um movimento de mercado que não tem mais volta e tem um inevitável efeito sobre os pequenos e médios hospitais. A tendência é que só se mantenham nesse cenário aquelas unidades que têm um atendimento muito específico e de grande relevância. O que há muito se pergunta é quando a Rede D´Or se juntará a uma operadora para lançar um plano de saúde.

Para a Associação Brasileira de Piamos de Saúde (Abramge), a tendência de concentração de hospitais é a terceira onda de um movimento iniciado em 1998 com os planos de saúde, que atingiu posteriormente a área de diagnóstico. Para a entidade, a 'concentração é algo irreversível'. Em nota, a Abramge ressalta, que 'os órgãos de controle e de proteção da concorrência são maduros e experientes, competentes na proteção dos interesses da população'.

Espaço para novas fusões

O número de hospitais no país está encolhendo. De 2010 a 2019, recuou de 6.907 para 6.702. Esta perda de 205 unidades é resultado do fechamento de 560 hospitais privados e da abertura de 355 públicos, segundo dados da Federação Brasileira de Hospitais. Mas aponta também grande oportunidade de mercado.

- O Brasil tem um número gigantesco de hospitais, mas não de leitos. É um setor ainda pouco profissionalizado, o que permitirá muitas consolidações, avalia Daniel Greca, sócio-diretor líder de Saúde da KPMG.

Ele acredita que o país vive uma segunda onda de fusões e aquisições no segmento, desde a abertura ao capital internacional nessa área da saúde.

- Vemos agora fundos e grupos do setor comprando planos e hospitais já consolidados. E uma mudança na cadeia de valor, com operadores de saúde verticalizando suas redes e hospitais oferecendo assistência, o que permite maior controle de custos, destaca Greca.

A compra da Perinatal pela Rede D´Or e também a do Grupo São Francisco, com sede no interior de São PauIo, pela operadora de saúde Hapvida, no mês passado, refletem essa tendência.

O Brasil tem 4.267 hospitais privados. No Estado do Rio são 310, sendo 134 deles na capital. A Rede D0r agora tem 14 na cidade.