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CIAB Febraban: Seguros dá passos largos na utilização das tecnologias digitais

CNseg - 13 de Junho de 2019

Ainda no primeiro dia da Trilha do Seguro, no CIAB Febraban, o indiano Venugopal Shivram, consultor sênior Estratégico de Analytics e Big Data da Tata Consultancy Services (TCS), e o brasileiro Curt Zimmermann, diretor de TI e Operações da Bradesco Seguros, debateram as transformações do seguro para o mundo digital.

O moderador do painel Luis Freitas, gerente de Tecnologia da Informação da CNseg, abriu o debate perguntando ao consultor da Tata como podemos repensar o seguro para o mundo digital. Apesar das dúvidas de todos em relação ao que vai acontecer nos próximos anos, todos concordam que é preciso avançar. E rápido.

Segundo Shivram, a indústria de seguros dá passos largos na utilização de tecnologias como Inteligência Artificial (IA), Machine Learning (ML) e Automação Cognitiva para trabalhar os dados que permitam a oferta de uma subscrição personalizada no futuro. Por enquanto, os dados servem para melhorar e agilizar os processos e criar novos negócios. “Temos muitos exemplos da vida real. Uma seguradora de vida nos Estados Unidos, por exemplo, oferece cotações de seguro de vida com base em uma selfie”, afirmou.

A empresa adotou a IA para determinar de forma confiável e precisa a idade, o sexo e o índice de massa corporal (IMC) do candidato, realizando uma cotação com base nesses parâmetros. “Isso contrasta com a prática predominante de empresas que emitem apólices de vida on-line de ‘valor mais baixo’ para atender à demanda do segmento. Isso realmente revela o quanto temos de avançar para acompanhar o que muitas já fazem”, citou.

Com a Internet das Coisas (IoT), os sensores embutidos em equipamentos transmitem dados que podem ser analisados para obter insights importantes para melhorar processos, aprimorar o atendimento ao cliente e mitigar o risco. Usando ainda o exemplo da residência, ele citou que o teto da casa informará à seguradora que pode ocorrer um vazamento nas próximas duas semanas e a seguradora programará automaticamente uma equipe de reparos para evitar um acidente que gere indenização de alto valor.

Da mesma forma, no seguro de vida, os relógios inteligentes notarão variações nos batimentos cardíacos e emitirão alertas. “Claramente, o potencial de transformação da IA e da IoT em seguros é imenso. A indústria precisa adotar essas novas tecnologias e mudar sua mentalidade para a mitigação de riscos a partir da identificação de riscos”, recomendou.

Segundo Curt, da Bradesco Seguros, o Brasil ainda está engatinhando, mas já aplica as tecnologias no mesmo ritmo que mercados de seguros em países desenvolvidos. “Conseguimos, de alguma forma, até pela presença de empresas globais, avançar em passos parecidos com os países desenvolvidos”, afirmou ele. Segundo Curt, o Brasil tem algumas peculiaridades que outros países não têm. “Acredito que a tecnologia vai mudar a forma de comercialização, mas, muito mais, a prestação de serviços. Também acredito que o mercado caminha para a personalização das ofertas, mas temos de aprender como precificá-las. Muitas vezes vemos que o preço não faz sentido para muitas pessoas dentro de um grupo. Temos muito a aprender”.

Curt apresentou dados consolidados de três pesquisas (Gatner, TCS e Delloite). “Eles mostram como mudou a entrega de serviços e de seguros”, afirmou. Entre as seguradoras, 36% estão em processo de transição de modelo de negócio. O investimento médio das seguradoras até 2020 em IA será de US$ 124 milhões. Cerca de 53% das empresas já iniciaram uma jornada em robótica. Até 2023, estima-se que a adoção já seja praticamente universal. IA e ML empatam com Analytics, com  32%, como as tecnologias que são divisores de água para as seguradoras. “Estamos no início de uma jornada. Nem sabemos o que não sabemos ainda. Estamos começando a puxar o fio de um novelo e não tenho ideia de onde vamos parar. Mas afirmo que esse é o momento mais legal para todos”, concluiu. Freitas, da CNseg, concordou, afirmando: “Os desafios são enormes”.