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Fundos acirram disputa por compra de ativos de saúde

É nesse setor que os fundos ganharam uma bolada de dinheiro recentemente

Valor Econômico - 06 de Junho de 2019

Fundos acirram disputa por compra de ativos de saúde

O Valor Econômico relata que o setor de saúde tem sido citado, recorrentemente, por gestores de fundos de participação entre os alvos preferenciais no Brasil. Também é nesse setor que os fundos ganharam uma bolada de dinheiro recentemente em venda de ativos - daí o interesse em comprar mais. Uma pesquisa da consultoria Bain & Company mostra que essa atratividade é global, não uma particularidade brasileira.

O volume global de investimento de fundos de private equity em transações de saúde foi o maior em 12 anos em 2018, somando US$ 63,1 bilhões - alta de 50% pelo segundo ano seguido. O número de transações subiu de 265 para 316 de 2017 para 2018. Considerando também as chamadas compras estratégicas, feitas por empresas e não por fundos, o volume foi recorde: chegou a um total de US$ 435 bilhões - passando a marca histórica de US$ 432 bilhões em 2015.

'É um dos setores tradicionais que passa por forte transformação, como novos modelos de negócios, soluções integradas, novos players e diversas alterações tecnológicas', diz André Castellini, sócio da Bain & Company. 'Além disso, não tem demanda cíclica, o que significa uma defesa em qualquer cenário econômico', complementa.

O interesse dos fundos de participação aliado ao interesse de investidores institucionais de longo prazo, como fundos de pensão, de fundos de inovação e de compradores estratégicos que buscam consolidação faz com que os preços desses ativos fique cada vez mais alto. Não é uma disputa por pechinchas. O múltiplo médio de transações de saúde chega a ser o dobro do setor de varejo, por exemplo.

'São múltiplos altos em média, em torno de 12 vezes o Ebitda nas transações do ano passado. São empresas com crescimento mais acelerado do que companhia de consumo, por exemplo', explica Castellini.

No Brasil, a gestora Kinea comprou este ano uma participação no Centro Clínico Gaúcho. No ano passado, a H.I.G Capital e o Pátria compraram ativos de saúde no Espírito Santo - duas gestoras que já têm e já tiveram outros ativos no setor. A Blackstone comprou a operadora Samp. A gestora do Goldman Sachs investiu na Oncoclínicas e a Crescera Investimentos (ex-Bozano) tem hospitais e unidades de hemoterapia. A gestora Carlyle não fez transações recentes no setor, mas tem a rede de hospitais D'Or São Luiz como um dos principais ativos de seu portfólio no país.

Um dos fundos da Vinci Partners comprou este ano o laboratório Cura, de São Paulo, que já se uniu ao Mérya, da região Sul. 'Saúde é uma das verticais que estamos focando, como um setor que tem um vento estrutural favorável', diz Bruno Zaremba, chefe de private equity da Vinci Partners. 'Um vetor é a demografia brasileira, que terá daqui por diante aumento percentual da população idosa e outro é a tecnologia, que vem melhorando os serviços e criando modelos de negócio.'