home / notícias / Mineradoras pagam até 30% mais por seguro após Brumadinho

Mineradoras pagam até 30% mais por seguro após Brumadinho

Valor Econômico - 12 de Abril de 2019

O Valor Econômico relata que uma sequência de acidentes na atividade de mineração em todo o mundo, entre eles o rompimento de barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, elevou em até 30% o preço de seguros para o setor. Enquanto algumas seguradoras estão mais reticentes em fechar contratos, outras simplesmente desistiram de atender as mineradoras.

“O setor de mineração historicamente dá prejuízo para as seguradoras em todo o mundo. Quando a seguradora ganha dinheiro, é obra do acaso, por isso muitas saíram desse negócio”, diz Nery Silva, chefe para seguros corporate e comerciais na América Latina da Generali, seguradora que decidiu não trabalhar com as mineradoras.

Contribui para a restrição a dificuldade em transferir o risco no mercado internacional, o que acaba resultando em um preço maior a se pagar. “Como a sinistralidade tem aumentado, as resseguradoras têm repassado aumento de taxas entre 10% e 30% aos clientes”, afirma Wellington Zanardi, diretor de mineração da corretora Marsh Brasil. De acordo com o executivo, apenas em casos isolados, de empresas que não tiveram sinistros e com contratos de longo prazo, o preço tem se mantido.

O caso do seguro de responsabilidade civil, especificamente, é mais difícil, uma vez que os acidentes na mineração resultam em grande volume de indenização a terceiros. Para fechar a apólice, as empresas têm se comprometido a arcar com uma alta franquia, antes de ter acesso ao dinheiro das seguradoras.

Dificilmente as empresas terão redução dessas franquias ou aumento da cobertura neste momento, a não ser que não tenha um histórico de sinistros. Além disso, as conversas têm de ser iniciadas com muita antecedência, conforme disse Zanardi.