Capitalização avança na América Latina


Valor Econômico - 11/03/2019

O Valor Econômico relata que os países da América Latina que adotaram o sistema de capitalização individual viram um expressivo aumento de seu déficit nominal e ainda pagam a conta pela transição de um regime de repartição para um de capitalização. Na maior parte deles, o sistema é questionado pelo valor baixo das aposentadorias.

No México, o regime de capitalização pagará seus primeiros benefícios em 2021. Em 1994 o país gastava 1% do PIB com Previdência, segundo o Banco Mundial. Hoje gasta 4%. A passagem para o sistema de capitalização se deu em 1997. O modelo funciona em um esquema tripartite, no qual a contribuição total é de 6,5% sobre o salário do trabalhador. Destes, 1,25% fica a cargo do empregado, 3,5%, do empregador e 1,75%, do Estado. “Teremos trabalhadores recebendo menos de 30% do último salário”, diz Alejandra Macias Sánchez, do Centro de Pesquisa Econômica e Orçamentária, na Cidade do México.

O Chile, primeiro país da região a adotar o regime de capitalização, em 1981, pagou 4,5% do PIB pela transição nos primeiros cinco anos, segundo a Superintendência de Pensões, e ainda paga mais de 2,4% do PIB pela mudança. De acordo com Andras Uthoff, economista da Universidade do Chile, o Estado tem que arcar com as aposentadorias do sistema antigo e pagar as contribuições de quem já estava no mercado de trabalho e mudou de sistema. Ele afirma que o Estado chileno deve pagar a conta por mais 15 anos.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a Colômbia, que adotou a capitalização em 1994, passou de gasto com Previdência de 1,5% do PIB em 1992 para 4% do PIB hoje.