Prevenção ajuda a reduzir custos


Jornal do Commercio (PE) - 10/03/2019

O Jornal do Comercio (PE) informa que depois de perder cerca de três milhões de usuários entre 2014 e 2017, o setor de saúde suplementar ainda pena para se recuperar. A opinião é do médico Orestes Pullin, presidente da Unimed do Brasil, maior cooperativa de serviços médicos do mundo, com cerca de 350 cooperativas locais que cobrem 84% do território nacional.

O Sistema Unimed tem 37% de participação no mercado nacional de planos de saúde em número de beneficiários e atende cerca de 18 milhões de clientes. Na Unimed Recife, são 210 mil. Orestes Pullin critica 0 que chama de excesso de regulação do setor e aponta que investimento em saúde básica não é coisa apenas para política pública, e sim para empresas privadas que querem reduzir seus custos.

 

O sistema de saúde suplementar tinha 50,4 milhões de usuários há cerca de quatro anos. Com a crise, caiu para 47,3 milhões. Em 2018, no geral, ocorreu um aumento de 200 mil contratos. Um aumento discreto de 0,4%.

'Em um universo de 47 milhões, isso é o mesmo que se manter estável', diz o presidente da Unimed. 'Boa parte dos contratos de planos de saúde são de pessoa jurídica. A nossa expectativa é de que haja de fato uma recuperação da economia do País para que o sistema como um todo possa, efetivamente, melhorar', afirma Pullin.

A Unimed é uma das poucas empresas do setor a ainda comercializar planos individuais de saúde no País. A maioria das operadoras oferece apenas planos coletivos ou empresariais.

A principal crítica das entidades de defesa do consumidor é a de que os planos coletivos não precisam seguir as regras de reajuste de preços determinadas pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Segundo a associação Proteste, no último ano, os aumentos dos planos coletivos chegaram a 40%, em alguns casos, enquanto os planos individuais só puderam aplicar reajustes de até 13,55%. Curiosamente, do total de planos ativos no Sistema Unimed, apenas 25,2% são individuais e os demais 74,8% são coletivos.

Segundo presidente da Unimed, não é que não haja mercado para os planos individuais. 'A questão é que este segmento é tão excessivamente regulado pelas autoridades, com mecanismos tão intensos de proteção dos interesses dos beneficiados, que as próprias operadoras saíram do mercado. São planos com custos muito monitorados, muito controlados.

A Unimed continua oferecendo planos individuais até pela própria característica da cooperativa. A pouca adesão aos planos individuais está atrelada ao baixo poder aquisitivo da população e pelo fato do preço de venda desses planos ser maior do que os dos planos coletivos', defende Pullin.

ASSISTÊNCIA PRIMÁRIA

Para ele, uma forma de conter os custos futuros com assistência mêdico-hospitalar e que vão impactar o valor do boleto do plano de saúde ê dar mais atenção à saúde primária. O presidente da Unimed diz que a cooperativa acompanha o modelo de assistência usual no Brasil e, segundo ele, o que há hoje no País não é o modelo mais adequado.

'O processo de atendimento é muito pouco focado em atenção primária, por ser algo que não faz parte da cultura nacional. No modelo europeu, 40% dos médicos trabalham com assistência primária, aqui no Brasil não temos nem 1% dos médicos atuando na base', diz Pullin.

A Unimed aposta que investir em atenção básica e constante evita o chamado desperdício assistencial, por exemplo, com internações prolongadas que poderiam ter sido evitadas por um acompanhamento preventivo do paciente. Segundo a Unimed, quando o paciente ê acompanhado por um médico especialista em atenção primária ou médico da família, este primeiro contato resolve de 80% a 90% dos problemas de saúde do usuário sem que seja necessário acionar um especialista.