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Atendimento médico à distância deve se tornar comum nos planos

Consultas remotas já foram adotadas há cerca de três anos por operadoras que mantêm programas de atenção primária,

O Globo - 05 de Fevereiro de 2019

O Globo destaca que o atendimento médico à distância deve se tornar uma prática bastante comum nos planos de saúde com a edição da resolução pelo Conselho Federal de Medicina (2.227/18), que define regras para telemedicina e teleatendimento.

As consultas remotas já foram adotadas, há cerca de 'três anos, por operadoras que mantêm programas de atenção primária, como médico de família. E um dos resultados apurados é a redução de 30% das idas ao pronto-socorro entre os usuários com acesso ao serviço, segundo a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge).

Cadri Massuda, presidente da Abramge PR-SC e do sindicato do setor, diz que está sendo discutido o pagamento desse atendimento, que atualmente é gratuito:

- Estamos discutindo, por exemplo, se nos planos em que há coparticipação haveria cobrança e se seria o mesmo valor da consulta presencial. Trata-se de uma estrutura cara, que deverá ser implementada por grandes empresas.

A SulAmérica, que já dispunha de teleatendimento, lançou ontem um serviço de teleorientação pediátrica que poderá ser usado por 93 mil beneficiários da empresa até 12 anos de idade. A consulta, por vídeo, será gratuita. Segundo Erika Fuga, diretora da seguradora, o serviço pode ser ampliado a outras especialidades:

- Os primeiros números mostram que 85% dos casos foram resolvidos no atendimento à distância. Mantemos um monitoramento por 30 dias para saber se o resultado foi satisfatório.

Solange Mendes, presidente da Federação Nacional da Saúde Suplementar (FenaSaúde), ressalta que o atendimento remoto é uma realidade em outros países e uma demanda do consumidor em busca de praticidade. Para ela, o teleatendimento melhora a prestação de serviço e reduz desperdício:

- Com orientação e indicação corretas, melhoramos a promoção de saúde e reduzimos desperdícios, o que pode diminuir a pressão sobre os custos do setor.

O atendimento à distância não pode, no entanto, ser uma imposição, diz Ana Carolina Navarrete, pesquisadora em saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor:

- O consumidor tem que ser informado sobre como funciona o serviço, que seus dados serão compartilhados com o médico e os profissionais de saúde e aí dar seu com sentimento. Não pode sei uma imposição e nem dificultar a consulta presencial.

Para o advogado Vinicius Zwarg, especialista em saúde o tema necessita de regulação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em nota, a ANS disse que ainda não é possível avaliar a necessidade de adaptações na regulamentação. Mas afirmou que a consulta remota não poderá comprometer o atendimento a que o beneficiária tem direito, nos prazos máximos estabelecidos, nem conflitar com as regras do setor.