Seguro e previdência às MPEs só devem ganhar força depois de 2019

Sugestões voltadas para micro e pequenas empresas (MPEs) fazem parte de um documento com 22 propostas entregue pela CNseg aos candidatos à presidência no início deste mês.
DCI - 22/10/2018

O DCI relata que as novas propostas do mercado segurador para micro e pequenas empresas são “factíveis”, mas devem demorar mais de um ano para trazer retornos significativos ao setor. Voltadas para previdência, medidas esperam andamento das reformas e da economia.

As sugestões voltadas para micro e pequenas empresas (MPEs) fazem parte de um documento com 22 propostas, entregue pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg) aos candidatos à presidência no início deste mês.

De acordo com o relatório, a ideia seria incentivar as MPEs a “contratarem programas de proteção previdenciária privada e securitária para seus colaboradores”, mediante tratamento fiscal diferenciado.

Para o CEO da Travelers, Leonardo Semenovitch, porém, o motivo de as seguradoras ainda não atuarem de forma significativa entre as MPEs é por causa da baixa adesão dessas companhias aos seguros.

“É um território bastante inexplorado. Entre as pequenas empresas, apenas 27% têm alguma apólice real e, quando olhamos o universo dos microempresários, menos de 5% possuem alguma cobertura. E os motivos vão desde a falta de uma cultura de seguros no Brasil até a atual situação econômica do País”, explica.

Ainda que a recuperação da economia brasileira já esteja despontando, os especialistas ponderam a espera do empresariado de maiores certezas quanto às medidas importantes – como a reforma da Previdência – e um retorno efetivo de sua receita.

Segundo o CEO da CredRisk, Phillip Krinker, a previsão de avanço para o mercado segurador é de 10% a 15% em 2019, mas, independentemente do candidato que ganhe a corrida eleitoral, é “muito difícil” ter impactos no curto prazo.

“O segmento demora para reagir, tanto para sentir uma crise como para voltar da recessão. A economia deve, sim, retomar, mas o mercado de seguros só costuma reagir depois dos demais setores”, comenta.

Para o superintendente comercial da Brasilprev Mauro Guadagnoli, porém, na medida em que a economia avance nos próximos meses e impulsionem a discussão em torno da reforma, as expectativas são “cada vez melhores”.

“Intensificamos as ações de formação da cultura previdenciária. Nesse cenário, as empresas têm um importante papel. Além disso, vale ressaltar que planos de previdência privada estão cada vez mais presentes nos pacotes de benefícios das empresas, independentemente do porte delas”, completa Guadagnoli.

Ao mesmo tempo, outro ponto levantado pelos especialistas é o advento de novas tecnologias que tem acontecido no setor, os quais permitem não apenas uma manutenção dos preços das apólices – medida já prevista para a área de saúde, inclusive, já incorporadas nas propostas da CNseg –, mas também facilitariam a adesão dos produtos pelos clientes.

“Mesmo que existam poucos corretores especializados em seguros para pessoas jurídicas, a aplicação de novas tecnologias trará maior facilidade para adesão e benefícios ao mercado”, diz Semenovitch e acrescenta que, por isso, as seguradoras deverão, cada vez mais, adaptarem seus sistemas. “Quanto mais acesso à informação, produtos e plataformas, melhor”, conclui.