Plano odontológico cresce na crise

E mais: Em grandes riscos, é importante a atenção em relação à apólice. Penteado: "Revolução silenciosa".
Grande imprensa - 20/10/2018

Destaques

O Jornal do Commercio (PE) relata que os planos exclusivamente odontológicos têm conseguido bons resultados nos últimos anos e aumentado consideravelmente o número de beneficiários. Apenas entre maio e agosto de 2018, registraram 695.583 vínculos a mais, um crescimento de 3% no período, ao passo que os médico-hospitalares tiveram variação de apenas 0,2%.

O portal Investing.com informa que o BTG Pactual reduziu a o preço-alvo das ações da Hapvida de R$ 35,00 para R$ 32,00, mantendo a recomendação de compra. Na visão dos analistas, o aumento da sinistralidade, principalmente nos planos corporativos, pode exercer maior pressão.

Antonio Penteado Mendonça escreve no site do Sindseg SP que ao longo dos últimos anos o setor de seguros passou por uma profunda revolução. “Mudou o perfil das companhias, mudou o perfil dos riscos, mudou a forma de relacionamento, mudou o perfil dos executivos, mudou o foco das seguradoras. No entanto, foi uma revolução silenciosa”, diz.

“Contratar uma apólice com limite máximo de indenização de R$ 500 mil, quando os ativos da empresa representem R$ 1 milhão, é algo que, dificilmente, vai atender às expectativas do segurado em caso de um incêndio, por exemplo”.

Edson Toguchi, superintendente de grandes riscos da Sompo Seguros, no site do Sindseg SP.

Resumo das notícias

Plano odontológico cresceu com a crise

O Jornal do Commercio (PE) relata que, seguindo o caminho contrário dos planos de saúde médico-hospitalares, os planos exclusivamente odontológicos têm conseguido bons resultados nos últimos anos e aumentado consideravelmente o número de beneficiários.

Apenas entre maio e agosto de 2018, os odontológicos registraram 695.583 vínculos a mais, um crescimento de 3% no período, ao passo que os médico-hospitalares tiveram variação de apenas 0,2%, conforme a Nota de Acompanhamento de Beneficiários do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), apresentada no mês de agosto.

De acordo com o advogado especialista em saúde, Elano Figueiredo, o crescimento dos planos odontológicos segue um movimento contínuo e, embora pareça contraditório, impulsionado pela recessão econômica. “Nós estamos diante de um processo de conscientização do brasileiro, quando entende a importância, não só do plano de saúde, mas a importância da saúde bucal. E isso tem se dado até mesmo num período de crise e desemprego, já que o preço da mensalidade dos planos odontológicos é menor do que os planos de saúde em geral”, afirma Figueiredo.

Segundo dados do Sindicato Nacional de Odontologia de Grupo (Sinog), o ticket médio dos planos odontológicos é de R$ 14,65, enquanto os dos planos hospitalares é de RS 263,60. Em maio de 2018, os planos odontológicos superaram a marca de 23 milhões de beneficiários. O segmento coletivo empresarial continua a responder pela maior parte dos vínculos, com 16,9 milhões de beneficiários, ou seja, 74,4% do mercado.

Em Pernambuco, o número de beneficiários era de 898 mil até agosto, crescimento de 4% em relação ao mesmo período de 2017.

Um exemplo da expansão das redes odontológicas no Estado é o Plano Odonto Digital Clin (antigo Ortoclin), que está fechando os oito consultórios que mantinha em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, e se transformando na primeira plataforma digital odontológica do Brasil. Ao todo, a rede conta agora com mais de 8 mil dentistas credenciados e atendimento disponível em todo o País. “Aumentamos a rede quatro vezes nos últimos dois anos.

Somente em 2018 já crescemos 26,5% e ainda esperamos crescer 20% até o fim de deste ano”, conta o CEO da empresa, Breno Neves.

Segundo ele, a rede hoje já atende 5 mil clientes, que pagam de R$ 18 a R$ 40 no caso de, respectivamente, serem pessoa jurídica ou física. “Cerca de 90% dos nossos clientes são dos planos odontológicos coletivos empresarias.

Aqueles que são pessoa física seguem o perfil de estarem nas classes C e D e não terem plano de saúde. Temos apostado muito no crescimento do plano odontológico e estamos investindo cerca de R$ 150 mil a R$ 180 mil ao mês”, reitera Neves.

Embora enfrentem dificuldades, os planos de saúde ficaram no positivo em relação ao aumento do número de beneficiários acima dos 59 anos. Dos 47,3 milhões de beneficiários médico-hospitalares em agosto, mais da metade (29,1 milhões) tinha entre 19 e 58 anos e 6,9 milhões estavam com 59 anos ou mais. Em comparação com o mesmo período de 2017, o número de beneficiários entre 19 a 58 anos caiu 0,3%. A faixa de 59 anos aumentou 2,5%.

BTG corta preço-alvo de Hapvida para R$ 32; recomendação segue de compra

O portal Investing.com informa que o BTG Pactual reduziu a o preço-alvo das ações da Hapvida de R$ 35,00 para R$ 32,00, mantendo a recomendação de compra. Na visão dos analistas, a companhia continua aperfeiçoado e lançando protocolos para seus médicos para outros hospitais reforçando os cuidados preventivos e melhorando o controle de sinistros. Por outro lado, o aumento da sinistralidade, principalmente nos planos corporativos, pode exercer maior pressão. Com isso, as ações operam em queda de 1,16% a R$25,50.

Para a equipe do banco, a estimativa é que a sinistralidade tenha sido em cerca de 60% nos últimos cinco anos, indo para 58% em 2017. Levando em consideração o aumento máximo para reajuste de preços, considerando a inflação médica e o envelhecimento da população, além dos índices de produtividade, a equipe optar por uma postura mais conservadora.

O BTG destaca que apesar dos preços terem crescido, a sinistralidade aumentou, o que levou a reduzir as projeções para 2019 e 2020 em 6% e 9%, respectivamente, o que levou à redução do preço-alvo. Apesar disso, a ação opera com desconto de 21%, o que mostra que o cenário já pode estar precificado.

Os analistas explicam que três variáveis são vitais no segmento de panos de saúde: aumento no número de associados (Hapvida teve alta de 7% no ano), ticket médio (alta de 13% em um ano) e sinistralidade (queda de 20 pontos base na comparação anual. Os números mostram que a situação é melhor do que a registrada no momento do IPO.

Em Grandes Riscos, é importante a atenção em relação à apólice

Entrevista de Edson Toguchi, superintendente de grandes riscos da Sompo Seguros, ao site do Sindseg SP.

Como tem se comportado o mercado de seguros de grandes riscos neste ano?

Esse é um segmento muito sensível ao panorama econômico e político, tendo em vista que esse ramo também atua diretamente com projetos de infraestrutura, que são desenvolvidos conforme a capacidade das instituições públicas ou privadas de captarem recursos. Por conta das eleições e da retração econômica observada até 2016, o mercado de seguros de grandes riscos caminhou de forma perene. Mas ainda está aquém de seu potencial. Com criatividade e um bom planejamento podemos disponibilizar soluções que venham atender às necessidades dos segmentos que contratam essa categoria de seguros em diferentes atividades econômicas.

Foram registrados, em anos anteriores, grandes acidentes envolvendo ativos de grandes empresas. Esses acidentes vêm influenciando as vendas desses produtos?

As grandes empresas já têm, em sua maioria, a cultura de proteger seus ativos contratando seguros. De qualquer forma, esses acontecimentos trouxeram à luz questões relevantes referentes ao risco contratado e limites máximos de indenização. É necessário que os representantes das empresas contemplem valores exequíveis e que representem a garantia total, caso aconteça. Contratar uma apólice com limite máximo de indenização de R$ 500 mil reais, quando os ativos da empresa representem R$ 1 milhão, é algo que, dificilmente, vai atender às expectativas do segurado em caso de um incêndio, por exemplo.

Por isso, a cada renovação ou situação que exija um endosso, como a compra de um novo equipamento pesado, por exemplo, é de suma importância examinar todas as cláusulas da apólice e atualizar seus valores, se for o caso. Para isso, é importante consultar o corretor de seguros de confiança, que é o profissional gabaritado a fazer essa avaliação e prestar todos os esclarecimentos.

A economia em compasso de espera também é um fator que influencia as vendas nesse segmento?

O Brasil está num momento de retomada da economia, após o PIB do país registrar um crescimento de 1% em 2017 e logo depois de dois anos de índices negativos. Mesmo com o impacto da paralisação no setor de transporte de cargas, a expectativa do Banco Central é de que, neste ano, o PIB alcance um crescimento de 1,4%. Com isso, as obras de infraestrutura públicas ou privadas devem ser retomadas e projetos até então arquivados agora começam a “sair do papel” a partir de 2019.

Nosso principal desafio é o de atuar nesse segmento altamente complexo e competitivo, trazendo soluções diferenciadas aos corretores e segurados. Dessa forma, nosso objetivo para a carteira de Grandes Riscos é o de viabilizar a subscrição dentro de um equilíbrio financeiro, de maneira que o segurado tenha a cobertura adequada para seu negócio.

Que outros fatores têm sido determinantes na comercialização destes produtos?

Muitos projetos de infraestrutura que estavam suspensos vão sair definitivamente, com respectivas assinaturas contratuais e entrega de apólices de garantia de execução do projeto e fornecimento de serviços, a exemplo dos projetos de melhoria/ampliação de rodovias, estradas, ferrovias e aeroportos, entre outros.

Os recentes leilões da Aneel, que envolveram ativos de linhas de transmissão e geração e distribuição de energia, são um exemplo recente. Outro exemplo é a área de Petróleo & Gás. Notícias veiculadas na mídia de economia recentemente apontaram que, em um ano, a União alcançou R$ 27,9 bilhões em seis leilões de 48 áreas marítimas para exploração de petróleo. Isso demonstra o interesse dos grandes grupos do setor em investir em projetos relacionados com o pré-sal. 

A Sompo conta com soluções em Seguro Garantia voltadas tanto às obras privadas quanto públicas. A companhia estrutura soluções tailor made necessárias para a conclusão da obra, desde o Seguro de Garantia do Licitante (Bid Bond) e Executante (Performance Bond), Riscos de Engenharia e a cobertura de danos a terceiros (Responsabilidade Civil), caso ocorra algum imprevisto. Justamente com o objetivo de mitigar as perdas não relacionadas a eventos da natureza, é que investimos no Gerenciamento de Risco para contribuir para que a obra seja concluída dentro do prazo e sem contratempos.

Qual é a estratégia que a empresa tem adotado nesse mercado? Quais são as iniciativas que vem adotando para conquistar espaços?

A Sompo já conta com expertise em subscrição na área de Grandes Riscos e investiu significativamente no Gerenciamento de Riscos, o que foi crucial para alcançarmos os resultados expressivos na carteira, a exemplo do seguro de Transportes, ramo em que a Sompo é líder de mercado. Esse fator, aliado ao crescimento mundial da Sompo International Group, trouxe mais capacidade de subscrição para a expansão da carteira e para podermos trabalhar no desenvolvimento de soluções para novas coberturas e segmentos.

A iniciativa mais recente foi a criação da Área de Agronegócios com o objetivo de desenvolver soluções de seguros voltados a atender os players do segmento. Essa área está sob responsabilidade do Marcio Martinati, um profissional com ampla expertise em desenvolvimento de produtos e com profundo conhecimento do agronegócio brasileiro. Um fator predominante, que tem contribuído substancialmente para o crescimento da nossa carteira de Grandes Riscos são as parcerias com corretoras e resseguradoras a fim de apresentar contratos tailor made, nos quais os segurados contam com coberturas sob medida para seu empreendimento.

Essa é uma iniciativa que acontece tanto no Brasil quanto em outros mercados, como no Japão. Um exemplo foi parceria que a Sompo estabeleceu com um corretor internacional que resultou num projeto desenvolvido para atender uma grande usina eólica, com o qual foi possível definir condições bastante vantajosas para o cliente. Além da parceria, buscamos inovar no desenvolvimento de soluções. 

Posso citar a que foi estruturada para atender ao setor de energia, que já dá demonstrações de uma retomada de fôlego para novos projetos. Por meio dela, atendemos ao cliente tomador (que fornece o bem ou presta o serviço) que pretende comprar energia no mercado spot (também chamado de mercado disponível ou de curto prazo, que tem a finalidade, na maior parte dos casos, de suprir uma demanda imprevista de energia).

Revolução silenciosa

Por Antonio Penteado Mendonça, no site do Sindseg SP

Ao longo dos últimos anos o setor de seguros passou por uma profunda revolução. Mudou o perfil das companhias, mudou o perfil dos riscos, mudou a forma de relacionamento, mudou o perfil dos executivos, mudou o foco das seguradoras.

No entanto, foi uma revolução silenciosa. Não chamou a atenção, muito embora tenha redesenhado companhias e redefinido estratégias. Curiosamente, a análise dos rankings do setor não mostra a profundidade das mudanças, o que leva a certeza de que as estatísticas são fundamentais para a compreensão do que acontece, ao mesmo tempo que não detectam fatos relevantes.

Não é possível dizer que isto foi mais importante do que aquilo, então é necessário entender as diferentes alterações dentro de um contexto global, no qual todas as peças são importantes, independentemente de seu tamanho.

As seguradoras ligadas aos grandes conglomerados financeiros se consolidaram como os grandes players nacionais e ocupam posições de destaque entre os maiores faturamentos do setor. Todavia, isto não significa que o desenho deste faturamento seja o mesmo de alguns anos atrás. Ao contrário, previdência complementar aberta e planos de saúde privados são essenciais para explicar a posição de mais de uma seguradora, enquanto no geral, o seguro de veículos, ainda importante, em função da crise perdeu participação relativa.

Com mais de um trilhão e duzentos bilhões de reais em reservas o setor de seguros se tornou um dos grandes administradores de recursos do país. Boa parte deles é proveniente das operações de previdência complementar aberta, representadas pelos PGBL’s e VGBL’s que ao longo das últimas décadas se transforaram nos principais investimentos de longo prazo.

A leitura do ranking das operadoras de planos de previdência complementar aberta não deixa dúvidas, a operação está em sua maior parte sob controle das empresas ligadas aos conglomerados financeiros. É a consequência lógica da capilaridade das agências bancárias e da confiança que marcas nacionalmente conhecidas dão a produtos de maturação de dez anos ou mais.

De outro lado, os planos de saúde privados, parte dos quais é administrado por seguradoras, geram receitas maiores do que o faturamento somado de todo o setor de seguros.

Sua ordem de grandeza é maior do que os recursos destinados a saúde pública pelo governo brasileiro. E, no entanto, os planos de saúde privados atendem apenas ¼ da população. Mas estão longe de viverem dias confortáveis, como acontece nos Estados Unidos ou na Europa, onde as empresas ligadas a saúde estão entre as mais valorizadas em processos de aquisição e fusão, em função do faturamento e do potencial de crescimento.

Os valores alcançados em recentes aberturas de capitais de operadoras de saúde brasileiras mostram que o mercado acredita que em algum momento não muito distante acontecerá a mudança das regras e que o setor terá dias mais felizes.  Mas afirmar que isto é uma certeza é temerário, até porque não há nenhum movimento oficial mais expressivo neste sentido.

Quanto aos seguros tradicionais, entre eles os seguros de veículos, os seguros de vida, os seguros individuais e os seguros empresariais, as mudanças também estão em curso. Uma comparação de cinco anos atrás com o que acontece hoje, mostrará nitidamente o redesenho de várias operações, sendo que as que mais chamam atenção são as que envolvem as carteiras de grandes riscos.

A consequência deste movimento é a redução do número de companhias interessadas em segurar os grandes riscos empresariais e a concentração destes seguros nas mãos de grupos internacionais.

Aliás, o crescimento da presença de companhias internacionais pode ser visto em todos os segmentos. Dos seguros de vida, aos seguros de automóveis, dos riscos financeiros aos seguros de responsabilidade civil, sua presença tem se acentuado, tanto pela compra do controle de seguradoras nacionais, como pela abertura de novas empresas diretamente controladas por capital estrangeiro.

Neste momento, os impactos da crise brasileira ainda estão afetando o funcionamento do mercado, mas, assim que o Brasil retomar o crescimento, o setor de seguros deverá crescer exponencialmente, gerando trabalho, riquezas e uma proteção mais adequada ao patrimônio nacional.