Marsh e Prevent Senior se unem para crescer em pessoas físicas.

E mais: Concentração bancária irá enfrentar desafios das fintechs. 40% não usam cinto de segurança na estrada
Grande imprensa - 16/09/2018

Destaques

A Folha de S.Paulo relata que a concentração bancária irá enfrentar desafios das fintechs. 'A era digital de agora, com o mobile principalmente [acesso pelo celular], quebra a principal barreira de entrada a [novos] bancos de varejo, que é a necessidade de agências', diz Otávio Damaso, diretor de regulação do BC. 'Temos hoje, por exemplo, um banco digital com contas-correntes em mais de 3.000 municípios, sem agência bancária.

O Estadão revela que a corretora de seguros Marsh e a operadora de saúde Prevent Senior juntaram forças para crescer junto às pessoas físicas. A aposta é ofertar planos individuais nos canais digitais em um momento em que este mercado está escasso, uma vez que poucos players atuam no segmento.

O Estadão informa também que ao menos 4 em cada 10 pessoas que trafegam pelas rodovias brasileiras não usam o cinto de segurança, indicam dados de empresas que administram as estradas. Como consequência, motoristas e passageiros morrem e ficam feridos em situações que poderiam ser evitadas.

Resumo das notícias

Corretora Marsh e Prevent se unem para crescer em pessoas físicas

O Estadão revela que a corretora de seguros Marsh e a operadora de saúde Prevent Senior juntaram forças para crescer junto às pessoas físicas. A aposta é ofertar planos individuais nos canais digitais em um momento em que este mercado está escasso, uma vez que poucos players atuam no segmento.

O setor de saúde tem sido palco de parcerias no País entre quem vende e quem assume o risco. A seguradora espanhola Mapfre e a Qualicorp, por exemplo, conversam há tempos para explorarem o segmento juntas no que batizaram de 'Uber da saúde'. O plano, contudo, ainda não saiu do papel.

Concentração bancária irá enfrentar desafios das fintechs

A Folha de S.Paulo relata que a crise global de 2008, que teve como ponto alto a falência do Lehman Brothers, acionou um processo de fusões e incorporações de bancos no Brasil que provocou a última grande mexida de posições entre os cinco grandes do setor.

O Unibanco foi comprado pelo Itaú apenas dois meses depois da quebra do americano. Eles formaram, então, o maior banco do Brasil. O Bradesco deixou para trás a liderança entre os privados, e o Santander, que havia assumido o controle do ABN Amro Real poucos meses antes, consolidaria sua condição de único estrangeiro capaz de integrar o pequeno grupo de gigantes no Brasil, composto também pela Caixa e pelo Banco do Brasil.

Como resultado, a concentração de ativos nos cinco bancos líderes disparou, de um patamar de 62% em 2008 para 85% em 2016, segundo dados do Banco Mundial, bem acima do verificado em países emergentes como México e Chile.

É um elevado poder na mão de poucos. Mas, para o Banco Central, autoridade responsável por regular o setor, isso começou a balançar em 2013, com a explosão do fenômeno das fintechs —​startups que atuam no ramo financeiro.

A sua chegada deu início a uma nova fase do sistema financeiro brasileiro, na avaliação de Otávio Damaso, diretor de regulação do BC. O primeiro momento, de 2003 a 2010, diz ele, foi o da inclusão, com o aumento do número de pessoas com acesso a crédito e a outros produtos bancários.

A partir de 2013, o acesso digital passou a ser o principal vetor da expansão das operações financeiras. Funcionário de carreira do BC, ele lembra de uma reunião em 2008, com representantes dos bancos para discutir como ampliar a cobertura de atendimento. A resposta unânime era a aposta na instalação de novas agências. A ideia hoje soa antiquada.

'A era digital de agora, com o mobile principalmente [acesso pelo celular], quebra a principal barreira de entrada a [novos] bancos de varejo, que é a necessidade de agências', diz. 'Temos hoje, por exemplo, um banco digital com contas-correntes em mais de 3.000 municípios, sem agência bancária.'

Neste contexto, o diretor do BC diz acreditar que a competição tende a aumentar.

'A concentração preocupa quando não há competição. O nível de concentração de ativos nos bancos [do Brasil] é similar ao de muitos países, mas são bancos que competem entre si. E o mais interessante é que estão chegando novos players: fintechs, financeiras, bancos digitais', afirma.

A consequência natural da chegada desses novos atores é um número maior de instituições financeiras --e seus clientes-- potencialmente afetados em caso de eventual nova crise, como a de dez anos atrás.

Em 2008, o governo vendeu a ideia de que a tempestade nos EUA se transformara em 'marolinha' no Brasil.

Uma das explicações da fortaleza local era a solidez dos bancos brasileiros, mais capitalizados e mais regulados.

Desde então, o nível de capital guardado nos bancos do país, para fazer frente aos seus compromissos em caso de crise, seguiu elevado e até subiu.

Os maiores se comprometeram com uma régua ainda maior, conforme as regras globais apelidadas de Basileia, cidade-sede do BIS (Banco de Compensações Internacionais), o banco central dos bancos centrais.

Mas nos últimos dois anos o BC vem mudando as regras para dar acesso a novas empresas de tecnologia.

Aldo Musacchio, estudioso do sistema financeiro brasileiro na universidade americana de Brandeis, afirma que a entrada de fintechs, especialmente na concessão de crédito a consumidores e pequenas empresas, pode prejudicar a estabilidade financeira.

'O sistema no Brasil tinha poucos bancos, com muita concentração, poucos empréstimos como porcentagem do PIB [Produto Interno Bruto] e, então, tinha menos risco. Mas esse sistema era mais fechado para a pequena empresa', afirma.

'Com as fintechs adicionamos muito mais pessoas ao sistema bancário, mas também adicionamos risco e possível instabilidade. É um 'tradeoff' [dilema] importante de se discutir.'

A sua avaliação é que a maior inclusão é necessária, mas sem perder de vista a estabilidade.

'Aí entra o papel do Banco Central, de regulamentar as fintechs e ter certeza de que elas têm as provisões necessárias dado o risco que estão adicionando ao mercado', diz.

Segundo o economista Roberto Luis Troster, especialista em setor bancário, o BC exige de fintechs o cumprimento de obrigações semelhantes às de pequenos bancos, o que afastaria riscos de crises sistêmicas.

Ele afirma, porém, que o BC deve se preocupar menos com isso e mais com medidas para ampliar a inclusão financeira.

'A atividade bancária não é uma finalidade em si, o banco é apenas um intermediário. O que temos agora é um sistema sólido e eficiente, mas um baixo crescimento econômico', afirma.

40% não usam cinto de segurança na estrada

O Estado de S. Paulo informa que ao menos 4 em cada 10 pessoas que trafegam pelas rodovias brasileiras não usam o cinto de segurança, indicam dados de empresas que administram as estradas. Como consequência, motoristas e passageiros morrem e ficam feridos em situações que poderiam ser evitadas. Em 2017, a Polícia Rodoviária Federal registrou 3.588 acidentes em que os ocupantes estavam soltos no veículo, resultando em 132 mortes – uma a cada três dias, em média – e 5.370 feridos.

Estudo nas cinco regiões do País feito pela Arteris, responsável por 3,2 mil quilômetros de rodovias no País, apontou que 8,9% dos motoristas não usam, eles próprios, o cinto de segurança e 36% dispensam o passageiro de colocá-lo. No Estado de São Paulo, levantamento da Artesp, a agência estadual de transporte, chegou a resultado semelhante: 7% dos motoristas e 35% dos passageiros do banco de trás não usam o dispositivo.

Considerado uma proteção vital em caso de acidente, o cinto de segurança é de uso obrigatório tanto no banco da frente quanto no de trás. O não uso configura infração grave, punida com 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 195,23. No caso de criança sem cinto ou cadeirinha, a infração passa a ser gravíssima, com 7 pontos na carteira e multa de R$ 293,47.

A pesquisa da Arteris também levantou entre os motoristas as justificativas para a não utilização ou não indicação aos passageiros do equipamento de segurança. Entre os que estavam sem cinto, 35,5% admitiram que houve falta de atenção. Outros 15,5% transferiram a responsabilidade aos passageiros, enquanto 12,8% alegaram baixa necessidade do uso, pois fariam trajetos curtos.

O levantamento da Arteris foi realizado de 15 a 27 de julho de 2017 com 2.686 motoristas. Segundo a concessionária, o estudo retrata a distribuição de condutores pelo território nacional. A margem de erro é de 1,19%, para mais ou para menos.

Em São Paulo, a pesquisa feita pela Artesp em 2016 que apontou que 35% dos passageiros no banco de trás não usam o dispositivo também mostrou que o porcentual pode ser ainda maior, dependendo da cidade. Os municípios com os piores índices foram Franca (49%), Santos (46%) e Barretos (46%).

Outros estudos ainda em finalização devem chegar a conclusões semelhantes. “Estamos em fase de coleta para um estudo nacional sobre o cinto e os dados preliminares que obtivemos são assustadores”, afirma o médico especialista Aly Said Yassine, do Departamento de Inovação e Tecnologia da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). A abordagem envolverá, até o mês de novembro, entrevistas com 3 mil motoristas de todas as regiões do Brasil e deve ser publicada em janeiro.

“A impressão é de que os passageiros que sentam atrás se acham protegidos mesmo sem o cinto. As pessoas ignoram que podem ser projetadas para fora, para a carroceria do carro ou, o que é pior, contra as pessoas que estão na frente”, diz Yassine.

Sensação de proteção. Dados de um levantamento mais antigo, realizado entre janeiro de 2012 e junho de 2016, também pela Artesp, mostram as consequências dessa falsa sensação de proteção. Em acidentes ocorridos nas rodovias paulistas concedidas, 57,4% dos mortos no banco traseiro estavam sem o cinto. A pesquisa confirma dados de estudos de medicina de tráfego, que apontam redução de 45% no risco de morte em acidentes para quem está com cinto no banco da frente e até 75% para passageiros do banco de trás.

O especialista da Abramet lembra que, sem o equipamento de segurança, o peso da pessoa com o impacto chega a ser 15 vezes maior. “O cinto reduz perto de 100% das lesões nos quadris, 60% das na coluna, 56% das lesões na cabeça, 45% no tórax e 40% no abdome”, diz

Yassine, considerando os cintos de três pontos de fixação, os mais comuns nos automóveis.

Para Helvécio Tamm de Lima Filho, superintendente da Arteris, a maioria dos acidentes tem como causa falhas humanas, muitas vezes motivadas por comportamentos deliberados de risco, como é o caso de não colocar o cinto. “Precisamos motivar motoristas e passageiros a refletir sobre os riscos de viajar sem esse item.”