Em cinco anos, gastos dos planos de saúde aumentam R$ 49 bilhões

E mais: Axa dá pontapé à integração da XL no Brasil. Estadão: "A previdência complementar será fortalecida". Mais de 90% das lavouras dos EUA são cobertas por seguro rural
Grande imprensa - 14/09/2018

Destaques

O Globo revela que os gastos do sistema de saúde suplementar no Brasil subiram 40% entre 2012 e 2017, ou R$ 49 bilhões a mais, segundo estudo encomendado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). A principal razão por trás desse avanço, de acordo com os organizadores do levantamento, foi o aumento da frequência do uso dos serviços disponíveis pelos pacientes. Críticos do setor, no entanto, dizem que o avanço pode ser um problema de má gestão.

O Estadão registra que a seguradora francesa Axa deu o pontapé inicial para a integração da operação da americana XL no Brasil, após a conclusão da aquisição dos negócios globais realizadas pelo grupo. Juntas, as empresas formam uma companhia de mais de R$ 1,3 bilhão em faturamento no País.

O Canal Rural destaca que mais de 90% da área agricultável dos Estados Unidos conta com seguro rural. De acordo com o professor de economia da Universidade de Brasília (Unb), Jorge Nogueira, o incentivo do governo norte-americano dado às empresas para compensar riscos desconhecidos foi o que popularizou essa prática por lá. “A experiência internacional exigiu um prazo muito longo, de algumas décadas, para quebrar a desconfiança do produtor e da companhia”, explica. Nogueira diz que as empresas brasileiras ainda não conhecem os riscos.

Resumo das notícias

Axa dá pontapé à integração da XL no Brasil

O Estadão registra que a seguradora francesa Axa deu o pontapé inicial para a integração da operação da americana XL no Brasil, após a conclusão da aquisição dos negócios globais realizadas pelo grupo. Juntas, as empresas formam uma companhia de mais de R$ 1,3 bilhão em faturamento no País. O negócio, no entanto, ainda está em análise pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Com a integração, Renato Rodrigues, da XL, assume o cargo de Deputy CEO da Axa no Brasil e passa a integrar o Comitê Executivo da seguradora.

'Estamos construindo um novo capítulo da Axa no Brasil e a integração com a XL vai acelerar nosso crescimento. Nossa ambição é estar entre as maiores seguradoras do País”, diz Delphine Maisonneuveu, CEO da Axa Brasil.

Mais de 90% das lavouras dos EUA são cobertas por seguro rural

O Canal Rural destaca que mais de 90% da área agricultável dos Estados Unidos conta com seguro rural. De acordo com o professor de economia da Universidade de Brasília (Unb), Jorge Nogueira, o incentivo do governo norte-americano dado às empresas para compensar riscos desconhecidos foi o que popularizou essa prática por lá. “A experiência internacional exigiu um prazo muito longo, de algumas décadas, para quebrar a desconfiança do produtor e da companhia”, explica.

Nogueira diz que as empresas brasileiras ainda não conhecem os riscos. O docente realiza um trabalho acadêmico que compara as condições do seguro rural entre EUA e Brasil, e nele a discrepância resultante dessas realidades fica clara: apenas 12% da área plantada na safra brasileira 2016/2017 foi coberta, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Em 2013, o produtor Ademir Cenci, de Brasília (DF), precisou recorrer ao prêmio do seguro, por conta de perdas de produção, mas acabou no prejuízo mesmo assim, porque a modalidade contratada cobria apenas o valor financiado para custeio. “O sinistro vai garantir ao banco o valor que ele me emprestou. Não vai me indenizar os recursos, esforço e tempo que coloquei na terra. É um produto que garante muito mais a sobrevivência do banco do que a do produtor”, lamenta.

Na contramão, o agricultor Kenneth Lunt, de Iowa (EUA), sempre aderiu ao seguro com apoio do governo. Ele escolhe o nível desejado e a União faz o subsídio de uma parcela. “Na minha opinião, é melhor do que me dar o dinheiro”, explica.

No Brasil, por meio do Mapa, foram oferecidos R$ 400 milhões para prêmios de seguro rural no último plano safra, mas seria necessário mais de R$ 1 bilhão para atender todos os agricultores nacionais. Mas, com as contas públicas em colapso, o recurso é contingenciado todos os anos. A Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) acredita que o crescimento das contratações de apólices no Brasil precisa do auxílio da iniciativa privada. “Talvez essas demandas possam ser atendidas por outras instituições financeiras, como cooperativas e revendas, que estimulam os seus clientes a fazer o seguro, facilitando a aquisição”, defende o vice-presidente da Comissão Nacional da entidade, Joaquim César.

Como resultado da política de subvenção, os Estados Unidos têm pelo menos 17 empresas que oferecem seguro rural. Essa concorrência gera modalidades mais atraentes ao produtor. “Procuro um agente de seguro de lavoura, com o histórico da família, e aí existem muitas escolhas: posso ter de 25% a 85% de cobertura; pode ser completa para receita ou só para os bushels de produção, por exemplo”, exemplifica o fazendeiro norte-americano.

Já no Brasil, culturas com grande risco de quebra, como o feijão, sequer contam com opções de apólice.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem uma proposta para aproximar o produtor do seguro: utilizar informações das propriedades que adotam agricultura de precisão para que seguradoras possam estudar mais a fundo como funciona essa propriedade. “E aí sim ter condições de criar um serviço customizado para o agropecuarista”, defende a assessora técnica da Comissão Nacional de Política Agrícola da instituição, Fernanda Schwantes. Ela afirma que a CNA levou a demanda para a Fenseg e estão estudando como viabilizar um produto dessa natureza.

A previdência complementar será fortalecida

Editorial econômico do Estadão

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) pôs em discussão novas regras sobre os fundos de pensão, com vistas a fortalecer os controles a que essas entidades estão sujeitas, ampliar a transparência da gestão das carteiras mediante avaliação periódica do valor dos investimentos realizados por elas e impor a baixa contábil de ativos que sofreram perdas. É um passo adiante depois da Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional (CMN), de maio passado, contendo diretrizes de aplicação dos recursos garantidores dos planos administrados pelos fundos.

Minutas apresentadas pela Previc em encontro da associação dos fundos (Abrapp) têm por objetivo aumentar a segurança dos participantes das entidades fechadas de previdência complementar (EFPC), evitando os riscos registrados em alguns planos de benefícios. Os participantes têm sido convocados para pagar contribuições maiores em decorrência de desequilíbrio dos planos.

O objetivo é fortalecer a governança, inclusive em fundos de grande porte, notou o presidente do Petros, da Petrobrás, Walter Mendes. Ele promoveu uma apuração interna sobre irregularidades no fundo, para definir a responsabilidade de antigos dirigentes quanto ao descumprimento de normas e falta de diligência em operações que provocaram elevados prejuízos.

Os fundos de pensão reúnem 2,5 milhões de participantes e 3,7 milhões de dependentes, segundo a Revista da Abrapp. Têm R$ 846 bilhões em ativos (equivalentes a 12,8% do Produto Interno Bruto) e pagam anualmente benefícios de R$ 48,5 bilhões a 827 mil participantes assistidos.

Com o corte dos juros e a volatilidade dos mercados de risco, inclusive no mercado de ações (que representa cerca de 17% do patrimônio total das entidades), a administração dos fundos tende a ser cada vez mais profissional. A Previc quer que os fundos designem um administrador responsável pela gestão de riscos. O objetivo final é assegurar o equilíbrio atuarial dos fundos.

Estão também em discussão as contratações de seguro para cobertura de invalidez e morte de participantes e a simplificação dos procedimentos contábeis, para adequá-los aos padrões globais. O objetivo é modernizar as normas, diferenciar as EFPCs por seu porte e seguir rigorosos princípios éticos, afirmou o diretor da Previc, Fabio Coelho.

Brasil certinho

Hildegard Angel escreve no Globo que, enquanto Roraima nos envergonha, afugentando venezuelanos, há um Brasil que dá certo na questão imigratória. “Em São Paulo, 26 jovens de 16 a 20 anos, refugiados do Congo e de Angola, concluíram esta semana curso profissionalizante sobre apólices e seguro em geral. O Instituto Techmail e a Escola Nacional de Seguros entregaram a todos os seus diplomas. Este é o Brasil que eu quero”, afirma.

Em cinco anos, gastos dos planos de saúde aumentam R$ 49 bilhões

O Globo destaca que os gastos do sistema de saúde suplementar no Brasil subiram 40% entre 2012 e 2017, ou R$ 49 bilhões a mais, segundo estudo encomendado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). A principal razão por trás desse avanço, de acordo com os organizadores do levantamento, foi o aumento da frequência do uso dos serviços disponíveis pelos pacientes. Críticos do setor, no entanto, dizem que o avanço pode ser um problema de má gestão.

Em 2012, cada usuário de plano de saúde realizou 21,1 eventos, como consultas e atendimentos ambulatoriais. Em 2017, esse número subiu para 28,1, segundo o estudo.

Martha Oliveira, diretora executiva da Anahp, diz que vários fatores explicam a maior frequência de pacientes nos consultórios e hospitais. Entre eles, a crise econômica, que fez muita gente, por medo de perder o emprego e o plano de saúde, antecipar exames e consultas.

O advogado Rafael Robba, especialista em Direito à Saúde e sócio do escritório Vilhena Silva, discorda das conclusões da pesquisa:

- Se está havendo abusos, são as operadoras que devem fazer o gerenciamento desse atendimento. Parece uma conclusão muito simplista dizer que o paciente está utilizando mais o sistema.