Seguros: vendas estáveis no acumulado do ano, até julho


Sonho Seguro - 13/09/2018

Até julho deste ano, as vendas de seguros ficaram estáveis em relação ao mesmo período de 2017. Isso significa dizer zero de crescimento. Se considerarmos a inflação, de 4,48% acumulada nos últimos doze meses considerando julho passado, a crise chegou ao setor e os números mostram que as vendas estão encolhendo. Dados analisados pela consultoria Siscorp, com base nos dados estatísticos divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), revelam que a arrecadação do setor totalizou R$ 117 bilhões, de janeiro a julho deste ano, considerando-se seguros gerais, de vida e VGBL (sem capitalização, PGBL e saúde).

O VGBL, que por anos puxou o crescimento do setor, segue amargando queda de 7% no acumulado dos sete primeiros meses do ano. DPVAT também recua 23%, decorrente da redução do preço do seguro determinada pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). Já riscos especiais, que contempla seguros sofisticados como de petróleo e nucleares, exibe alta de 108% no período analisado, para R$ 468 milhões. Segundo a corretora JLT, esse incremento vem do otimismo com a retomada do segmento de óleo e gás com o anúncio do lucro de R$ 6,9 bilhões da Petrobras e também pela arrecadação recorde na 15ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Vale ressaltar também a carteira de automóveis, que depois de quedas sucessivas, segue há três meses sinalizando melhora e exibe avanço de 5% até julho, para R$ 20,5 bilhões. Microsseguros, que ainda não rompeu a barreira dos R$ 100 milhões em prêmios, registrou avanço de 47%.

Outra novidade, além das vendas menores, é o braço segurador do Banco do Brasil, que assumiu a liderança do ranking elaborado pela Siscorp, mesmo com queda de 13% na arrecadação comparado a julho de 2017, com receitas de R$ 22,4 bilhões nos sete meses deste ano. O Bradesco vem em segundo, com R$ 20 bilhões. Em ambos, o VGBL tem uma grande participação: 77% e 64%, respectivamente.


Caixa, Prudential, Icatu, SulAmérica e Liberty registraram no período os maiores índices de crescimento. O avanço da Caixa vem Youse, a plataforma digital que se tornou uma das maiores anunciantes do setor no ano passado. Em jantar realizado com corretores em São Paulo nesta semana, a Prudential divulgou alta de 23% na totalidade de prêmios de seguros de vida individual no primeiro semestre ante um ano, rompendo a marca de R$ 1 bilhão. A Icatu cresceu 18% em seguro de vida, enquanto o mercado apresentou crescimento de 12% no primeiro semestre de 2018.

A SulAmérica registrou crescimento de 75% no volume de prêmios em novas contratações do seguro personalizado para lojas de cosméticos e perfumarias no acumulado do primeiro semestre de 2018, em comparação ao ano anterior. O setor de institutos de beleza e estética (salões, esmalterias, espaços de depilação etc.), que também conta com um seguro personalizado da SulAmérica, igualmente apresentou aumento de prêmio em contratações novas, ficando na casa de 25% no período acumulado de 2018 contra 2017.

“A personalização de produtos conforme as demandas dos clientes é uma estratégia da companhia que evidencia o trabalho constante de ouvir e atender diferentes perfis de negócio. O avanço dos números para estes segmentos mostra que estamos no caminho certo, sempre de olho nas tendências do mercado”, avalia o vice-presidente de Auto e Massificados da SulAmérica, Eduardo Dal Ri. “Este comportamento também demonstra maturidade por parte destes setores, em franco crescimento no país, já que contratar um seguro significa reconhecer a importância de proteger o patrimônio”, completa.

A Liberty tem comemorado a venda do seguro sob medida para automóveis, comercializado pela nova marca Aliro. As soluções da nova marca foram criadas para pessoas que buscam serviços mais simplificados e acessíveis: por isso o nome Aliro, que significa acesso em Esperanto, conhecida língua criada para comunicação internacional, informa a companhia.

Apesar das vendas menores, o lucro do seguro segue avançando. Analistas citam que boa parte do aumento do lucro vem de seguradoras que inovam em produtos, melhoram a comunicação com consumidores, que estimulam os corretores a venderem produtos antes fora do portfolio e também pelo uso de tecnologia, que traz ganhos com eficiência, redução de fraudes e de desperdício de tempo e de recursos financeiros.