Fundações reduzem aportes à metade


Valor Econômico - 10/07/2018

O Valor Econômico relata que uma particularidade da rodada recente de captações de fundos de private equity, segundo gestores, é que os fundos de pensão brasileiros sumiram desse mercado. Se antes eles já representavam uma parcela pequena, essa participação encolheu ainda mais. 'Há um desequilíbrio de funding no Brasil em relação a mercados como Estados Unidos e Europa, que é a ausência dos investidores institucionais em fundos de participação, tanto de private equity quanto de venture capital', diz um gestor.

A participação de private equity na carteira das fundações atualmente é de 1,4%, segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). É a metade do que os fundos tinham em 2014, quando a participação atingiu o pico de 2,9%.

As fundações insistiam na criação de comitês de investimento, para que pudessem participar das decisões dos fundos. Esse modelo é diferente do americano, em que os fundos de pensão não podem opinar sobre as escolhas dos gestores. O resultado desses comitês acabou sendo desastroso para algumas fundações. 'Houve casos em que o representante do fundo de pensão entrou no comitê, entrou no conselho da empresa. Com a recessão, a companhia teve dificuldade financeira e até funcionário da fundação acabou em processo trabalhista e teve autuações por gerar perdas para a fundação', explica outro gestor. Casos desse tipo aconteceram com fundações como Petros, Funcef e Postalis.

Sem o resultado esperado, alguns fundos de pensão já começaram a mudar suas políticas. A Previ, por exemplo, que é o maior fundo de pensão da América Latina, resolveu abrir mão desse comitê de investimento.

O que as fundações querem adotar é o padrão internacional, em que entram no 'advisory board', um conselho consultivo que não opina sobre as escolhas de investimento, mas sobre questões de transparência e conflitos de interesse. 'Mas o nível de conforto das fundações para fazer isso na prática ainda é muito baixo', admite o diretor de investimentos de outro fundo de pensão. 'Ninguém quer ficar respondendo como pessoa física por um investimento de decisão de terceiros.'