5ª Semana Nacional de Educação Financeira foi aberta oficialmente em Brasília


CNseg - 15/05/2018

A 5ª Semana Nacional de Educação Financeira, realizada pelo Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef), da qual a CNseg é membro, teve sua abertura oficial em evento realizado na sede do Banco Central, em Brasília, com a participação do diretor-superintendente da Previc e presidente do Conef, Fábio Coelho; do diretor do Banco Central, Maurício Mota, do diretor da Susep Paulo dos Santos;  do presidente da CVM, Marcelo Barbosa, e do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. 

O tema da Educação Financeira ganhou mais relevância, no Brasil e no mundo, incentivado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), como lembrou Fábio Coelho, após a crise financeira internacional de 2008 quando, entre outras razões, uma série de investimentos equivocados, levou muitos à falência.  

Mas, apesar de todos os benefícios para os indivíduos de uma vida financeira organizada, a realidade brasileira aponta, em pesquisa de 2015 da OCDE, que 56% dos entrevistados não se preocupam em organizar o orçamento doméstico e 69% não pouparam nada nos últimos 12 meses. Comportamentos oriundos, segundo o diretor do BC, tanto da falta de educação financeira, como do forte apelo do consumo. O presidente da CVM, Marcelo Barbosa, por sua vez, lembrou que, com a queda dos juros, há uma tendência de um maior número de pessoas migrarem para o mercado de capitais, o que exigirá um conhecimento ainda maior sobre o tema. Tema, este, cujo desconhecimento afeta de forma particular os idosos, que são as maiores vítimas de golpes financeiros. 

Paulo Santos, representando o superintendente da Susep, Joaquim Mendanha,  lembrou que a educação financeira também inclui educação em seguros, permitindo que os cidadãos possam tomar decisões de forma mais acertada e planejada. E, no âmbito da Susep, afirmou haver uma preocupação constante com a questão do papel social do seguro, que protege pessoas, ampara famílias e garante a continuidade dos negócios.  

Com a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Educação Financeira passa a ser obrigatória e deverá ser abordada principalmente em Matemática e Ciências da Natureza para crianças do ensino fundamental. O Banco Central (BC) participou do processo de elaboração do documento, que começa a valer a partir do próximo ano letivo, por meio de audiências públicas. 

As estratégias da AEF para a difusão da educação financeira

E para falar da abordagem da educação financeira para as crianças e jovens, ninguém mais apropriado que a professora Claudia Forte, presidente da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil). Segundo ela, quando mais cedo as crianças começarem a tratar do tema, mais o país avança. E, para isso, a AEF utiliza, em suas estratégias de ensino, muitos componentes de ordem tecnológica e de gamificação para se aproximar desses jovens. Além disso, em parceria com a TV Escola, desenvolveram um extenso programa de capacitação remota de professores. 

Influenciadores digitais debatem os meios mais eficientes para levar ao grande público a mensagem da educação financeira

E para ajudar a educar financeiramente esses jovens, os influenciadores digitais têm um papel fundamental no mundo moderno, razão da formação da mesa seguinte, composta pela jornalista e fundadora do canal Me Poupe!, Nathalia Arcuri; pelo empreendedor e criador do canal O Primo Rico, Thiago Nigro; pelo autor do livro “Felicidade dá lucro”, Márcio Fernandes, e pelo gerente do Sebrae Nacional, Guilherme Kessel, moderador dos debates. 

Nathalia é uma das que apostam no entretenimento como forma de educar e passar as mensagens necessárias. Jornalista de formação, afirma que seu público é de aqueles  sem tanto conhecimento sobre o mercado de capitais mas que gostariam de investir. Segundo ela, para conseguir atrair a atenção das pessoas é necessário focar não apenas no conteúdo, mas também na mensagem. “Quem assiste meus vídeos, quer se divertir também”, afirmou Nathalia, cuja opinião é compartilhada por Thiago Nigro, para quem é preciso “driblar a chatice”. 

Já para o autor do livro “Felicidade dá lucro”, antes de alguém querer se aprofundar no tema da educação financeira, precisa encontrar algum propósito de vida, pois as pessoas que não sabem o que querem são capazes de aceitar qualquer coisa que faça minimamente sentido para elas. “Quem vive uma ‘vida de gado’ não pensa em educação financeira, mas quando se reinsere um propósito na vida, a educação financeira volta a ser buscada”, disse. “Com o propósito, vem o foco e as distrações se reduzem”, complementou Nathalia. 

A 5ª Semana Nacional de Educação Financeira prossegue com atividades por todo o Brasil até o dia 20 de maio. Para mais informações, acesse www.semanaenef.gov.br.