Previdência renda fixa terá baixo retorno em 2018 e 2019


DCI - 09/03/2018

O DCI registra que, com juros baixos, a maior parte dos planos de previdência renda fixa irá ter retorno menor do que 6,75% em 2018 e abaixo de 8% em 2019. O motivo é a concentração expressiva de títulos públicos (81%) nas carteiras de investimentos.

Segundo estudo da consultoria independente PrevStudio, no mercado há produtos muito bons, mas também produtos ruins com altas taxas de administração e carregamento que comprometem a rentabilidade dos planos em momentos em que os juros estão historicamente baixos. “Muita gente está perdendo dinheiro em fundos de previdência. A maioria dos planos de renda fixa irá render abaixo do DI”, alerta o diretor da PrevStudio, Geraldo Magela.

Na prática, a insatisfação dos cotistas como rendimento dos planos abertos parece ter alcançado a intenção de novos aportes em previdência privada. De acordo com o levantamento da PrevStudio feito com 1.201 fundos de investimentos PGBL e VGBL, que reúnem R$ 733 bilhões em patrimônio, a captação líquida caiu 80,97% no primeiro bimestre de 2018 para R$ 1,344 bilhão, ante R$ 7,065 bilhões em igual período de 2017.

O professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-SP), Walter Franco Lopes, pondera que a queda da taxa básica de juros, a Selic, é o principal fator de mudança no comportamento dos investidores. “As camadas mais esclarecidas estão buscando alternativas, e isso implica mudanças no portfólio de investimentos”, afirma Lopes.

Em metodologia diferente, dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima) também mostraram resgate líquido de R$ 1,392 bilhão no primeiro bimestre em previdência renda fixa, compensado por aportes de R$ 1,704 bilhão em previdência multimercados nesse período. Na amostra da Anbima, o segmento de previdência registra patrimônio de R$ 740,56 bilhões.

Já dados oficiais da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), que incluem além dos VGBLs e PGBLs, os antigos planos tradicionais de benefício definido não mais comercializados, tinham patrimônio de R$ 756,16 bilhões em 2017, alta de 17,6% ante 2016. “Desde 2008, as reservas avançam a uma taxa de dois dígitos ao ano, refletindo o interesse crescente dos brasileiros por formação de poupança de longo prazo”, diz o presidente da Fenaprevi, Edson Franco.

Na expectativa do representante, o setor possui muito potencial. “Embora o número de participantes tenha crescido, hoje apenas 14,7% da população ocupada possui plano de previdência aberta no país. Com a retomada da economia e do emprego, há espaço para ampliar esta base, incluindo, não apenas os trabalhadores com carteira assinada, mas também profissionais liberais e outros indivíduos que necessitam de um planejamento financeiro de longo prazo”, diz o presidente da Fenaprevi.

Quanto ao sistema de fundos de pensão, o presidente da Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Luís Ricardo, aponta o desafio de expandir a previdência associativa e de incentivos fiscais para planos corporativos em pequenos negócios. “Nos instituídos, mais sensíveis ao debate da reforma da Previdência Social, a adesão é maior. Nossa agenda junto ao governo busca a extensão dos planos até o terceiro grau de parentesco”, disse Luís Ricardo. Ele conta que a regulação dessa permissão de agregar familiares deverá ocorrer ainda neste ano.

O presidente também ressaltou a criação de produtos como o PrevSonho, voltado para as novas gerações de trabalhadores. “A geração Y precisa de um produto mais simples para acumular recursos”, afirmou o dirigente. Quanto ao desafio de melhorar a rentabilidade dos planos fechados, Luís Ricardo disse que os gestores estão direcionando mais aportes para renda variável (ações), fundos multimercados e investimento no exterior.