Bancos querem regras para 'big tecs'

E mais: A saúde no STF. Penteado: "Todo cuidado é pouco no carnaval". E financiamento para carro entre 2010 e 2011 gerou calote de R$ 22,8 bi
Grande imprensa - 12/02/2018

Reportagem da Folha de S.Paulo relata que os bancos querem regulamentação das “big tecs”. 'Se eu preciso de capital para emprestar, que as mesmas regras valham para todos - para as gigantes da internet também', diz Francisco González, presidente do conselho do banco espanhol BBVA.

 

Antonio Penteado Mendonça, em sua coluna no O Estado de S. Paulo, alerta que “a irresponsabilidade que faz parte do dia a dia dos acidentes de trânsito brasileiros no carnaval sobe alguns tons”.

 

Na saúde suplementar, a professora da UFRJ, Ligia Bahia, escreve no O Globo que a Câmara dos Deputados não pode ignorar recentes decisões do STF na discussão do projeto da lei dos planos de saúde.

 

Na economia, O Estado de S.Paulo revela que “boom” de financiamento para carro entre  2010 e 2011 gerou calote de R$ 22,8 bi. “Tudo o que se fabricou, vendeu. Com a chegada dos novos consumidores, motivados pela emoção e que não tinham experiência com financiamentos, é óbvio que se esperava um aumento da inadimplência”, diz o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras, Luiz Montenegro. “Eu prefiro olhar isso como um profundo aprendizado.”

 

 

Resumo das notícias

Bancos querem regras para 'big tecs'

Reportagem da Folha de S.Paulo conta que o ingresso das grandes empresas de tecnologia no setor bancário ameaça a estabilidade financeira, e os maiores grupos de tecnologia norte-americanos e chineses deveriam estar sujeitos à mesma regulamentação que os grandes bancos, de acordo com importantes líderes do setor financeiro europeu.

Francisco González, presidente do conselho do banco espanhol BBVA, foi um dos que soltaram o alerta. Para ele, empresas como Facebook e Amazon, dos EUA, e Alibaba e Tencent, da China, 'substituirão muitos bancos'. Ele apelou a um órgão mundial como o G20 (grupo de 20 grandes economias) por providências, declarando que as autoridades precisavam 'colocar ordem nessa imensa mudança', que poderia 'acarretar riscos para a estabilidade financeira'.

Os bancos estarão em desvantagem diante de competição cada vez mais intensa das grandes de tecnologia, por conta da disparidade na regulamentação dos dois setores, disse o González, acrescentando que, 'se eu preciso de capital para emprestar, que as mesmas regras valham para todos --para as gigantes da internet também'.

As grandes empresas de tecnologia vêm sendo criticadas por diversas coisas, recentemente --manobras para evitar impostos, comportamento que restringe a competição, publicação de conteúdo extremista e por terem facilitado a interferência da Rússia em eleições.

'Há certamente um clima que diz que essas empresas precisam assumir mais responsabilidade por seu conteúdo, serviços e pelos dados de que elas dispõem sobre as pessoas', disse Bruce Carnegie-Brown, presidente do conselho do Lloyd's, o mercado de seguros de Londres.

Todo cuidado é pouco no carnaval

Em sua coluna no O Estado de S. Paulo, Antonio Penteado Mendonça alerta que a irresponsabilidade que faz parte do dia a dia dos acidentes de trânsito brasileiros no carnaval sobe alguns tons e em praticamente todos os acidentes há na causa o consumo de bebidas alcoólicas ou drogas, somadas ao cansaço, à falta de atenção e à excitação que faz o cidadão, por exibicionismo, deixar de lado qualquer resquício de bom senso ou respeito pelo próximo.

“O grande drama é este. Invariavelmente, gente que não participa da festa paga o pato. A maioria dos acidentes de trânsito envolve outros veículos que estavam próximos, trafegando dentro das regras e com os cuidados necessários”, diz.

China emite regras sobre empréstimos de seguradoras no exterior

O Estado de Minas informa que reguladores da China emitiram novas regras sobre empréstimos para seguradoras de bancos no exterior com garantias dadas por bancos locais. Trata-se do mais recente esforço de Pequim para evitar os riscos de saída de capital.

Empréstimos com a finalidade de obter moeda estrangeira e transferir ativos para o exterior estão proibidos, afirmou nesta segunda-feira a Comissão Regulatória de Seguros da China, em comunicado conjunto com a Administração Estatal de Câmbio. A nota é datada de 5 de junho, mas não havia sido publicada até segunda-feira.

Ao emprestar do exterior com garantias domésticas, o nível de solvência das seguradoras no fim do trimestre anterior não pode ser inferior a 150%, disseram os reguladores.

A saúde no STF

A professora de UFRJ, Ligia Bahia, escreve no O Globo que as recentes decisões do STF sobre ressarcimento ao SUS e obrigatoriedade de justificar negação de coberturas de planos privados não deixam dúvidas sobre a amplitude das garantias contratuais que envolvem a saúde. “Empurrar pacientes graves para o SUS foi considerado enriquecimento ilícito”, diz.

A autora continua lembrando que julgou-se que fornecer um documento com a negação de coberturas assegura “transparência” para o cumprimento da legislação. E validou-se a regra que proíbe reajuste por faixa etária para maiores de 60 anos, com base na Constituição, que “impõe a todos o dever de auxiliar os idosos”. Segundo o ministro Marco Aurélio Mello, esse conjunto de regras tem sentido inequívoco ao afirmar que “a promoção da saúde pelo particular não exclui o dever do Estado, mas deve ser realizada dentro das balizas do interesse coletivo”.

“A Câmara de Deputados e a ANS (dirigida por pessoas indicadas pelo Senado) deverão se ajustar às determinações do Poder Judiciário. Será contraditório com a decisão do STF querer aprovar no Legislativo um plano com coberturas muito restritas — como previsto no projeto de autoria de empresas de planos, relatado pelo deputado Rogério Marinho (PSDB-RN)”, conclui.

Financiamento para carro gerou calote de R$ 22,8 bi

Reportagem do O Estado de S. Paulo relata que, dos R$ 209 bilhões emprestados por bancos para o financiamento de carros em 2010 e 2011, houve problemas para receber R$ 38,1 bilhões: R$ 22,8 bilhões são considerados prejuízo, mas as instituições financeiras ainda tentam reaver R$ 15,3 bilhões, de acordo com dados do Banco Central.

O período marcou um “boom” no setor automotivo, com desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros, novos projetos de montadoras e concessão de crédito fácil pelos bancos, que liberaram em média R$ 3.339,66 a cada segundo em financiamentos. Em abril de 2011, dos créditos com prazo superior a 60 meses concedidos para a compra de veículos, 34% tiveram problemas. Em 2017, esse número não chegou a 1%. Ainda hoje há consumidores com carnê para quitar daquele período, e 251 registravam atraso de 30 dias nos pagamentos, segundo o Banco Central

“Tudo o que se fabricou, vendeu. Com a chegada dos novos consumidores, motivados pela emoção e que não tinham experiência com financiamentos, é óbvio que se esperava um aumento da inadimplência”, diz o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras, Luiz Montenegro. “Eu prefiro olhar isso como um profundo aprendizado.”.