Previdência: um dia você vai precisar dela

Convenhamos: quem vai se aposentar daqui a 20 anos tem que refletir sobre isso. Não é ser pessimista, mas realista. Porque previdência e poupança de longo prazo não se faz da noite para o dia.
Tribuna do Pará - 12/12/2017

Por Renato Follador
Tudo o que você precisa saber sobre aposentadoria, reforma da previdência social e previdência privada. Tire suas dúvidas sobre o INSS com Renato Follador!


Muitos acham que defendo só a previdência privada.

Não é verdade. Digo sempre que o INSS é fundamental por, pelo menos, 4 razões:

*Primeira, só no INSS tem o auxílio-doença, o salário-maternidade, a aposentadoria por invalidez e as aposentadorias especiais, para quem trabalha em atividades prejudiciais à saúde ou à integridade física, como trabalhos insalubres ou perigosos;

*Segunda, a previdência social do INSS é vitalícia e protegida da corrosão da inflação. É fato que as aposentadorias maiores têm caído em número de salários mínimos, mas o poder de compra dessas aposentadorias tem sido rigorosamente mantido nos últimos quinze anos. É errônea a comparação em número de salários mínimos. Não é a aposentadoria que está diminuindo, mas o mínimo que ficou maior;

*Terceira- e pouca gente sabe disso- para quem aplica em previdência privada só pode abater até 12% da renda na Declaração Anual de Imposto de Renda se contribuir também para o INSS;

por fim, sempre é bom diversificar quando falamos de projetos de longo prazo, como é a previdência.

Para muitos a aposentadoria está longe, daqui a 20, 25, 30 anos. Vocês já pararam para pensar como estará o mundo lá na frente?

Se em duas décadas tudo mudou, que dirá nas próximas.

Que será do emprego com a tecnologia avançando freneticamente? Que catástrofes naturais estão por vir? O que representaria para a economia mundial- hoje interligada- um Japão ser dizimado por um terremoto? Ou o sistema bancário europeu quebrar? Ou, ainda, uma guerra de fundamentalismo religioso ser deflagrada?

Convenhamos: quem vai se aposentar daqui a 20 anos tem que refletir sobre isso. Não é ser pessimista, mas realista. Porque previdência e poupança de longo prazo não se faz da noite para o dia.

Por isso, diversificar é a palavra. Se o governo brasileiro quebrar, sobra a previdência privada. Se os bancos quebrarem, sobram os fundos de pensão.

Daí meu trabalho de educação e conscientização. De estimular a poupança e o planejamento financeiro pessoal.

Previdência não pode ser uma aposta. Ter mais de uma fonte de renda na velhice é imprescindível, especialmente uma sendo do governo e outra do setor privado.