Interrupção de negócios é principal risco para as empresas em 2017

Lucro cessante lidera ranking global da AGCS pelo quinto ano consecutivo; no Brasil, crise e corrupção também são destaques
Risco Seguro - 12/01/2017

Por Rodrigo Amaral

 

A interrupção dos negócios (coberta no Brasil pelas apólices de lucro cessante) constituem o principal risco para as empresas globais em 2017, de acordo com a Allianz Global Corporate and Specialty.

O mais recente Barômetro de Riscos publicado anualmente pela seguradora alemã também mostra que os riscos cibernéticos ganham espaço na agenda das empresas, chegando à segunda colocação no ranking nos Estados Unidos e à primeira na Alemanha e no Reino Unido.

No Brasil, a interrupção dos negócios também lidera o ranking elaborado pelo braço de grandes riscos da Allianz, que coletou os resultados através de entrevistas com mais de 1.200 profissionais de risco, a maioria dos quais trabalha em grandes empresas sedidas em mais de 50 países.

Os resultados brasileiros refletem a atual conjuntura vivida pelas empresas, já que o segundo principal risco apontado pelos entrevistados no país é entorno macroeconômico, que fica apenas no sexto lugar no ranking global.

Vale também destacar a alta percepção de risco de corrupção, risco de roubo e fraude no Brasil, onde ficou na quinta posição do ranking. Em termos globais, a corrupção fica em 11º lugar. (Veja acima alguns dos resultados da pesquisa).

O terceiro principal risco no Brasil é o cibernético, enquanto que a volatilidade de mercado ficou em quarto. As mudanças regulatórias ficaram empatadas com a corrupção em quinto lugar.

Ano difícil à vista

Uma das conclusões mais claras do estudo é que, após um 2016 difícil, as empresas devem enfrentar um 2017 que também promete ser bastante complicado.

“As empresas de todo o mundo estão se preparando para um ano de incertezas”, afirmou o CEO da AGCS, Chris Fischer Hirs.

“Mudanças imprevisíveis no ambiente legal, geopolítico e de mercado ao redor do planeta são itens constantes na agenda dos gestores de risco e dos conselhos. Uma gama de novos riscos está emergindo além das ameaças permanentes dos incêndios e das catástrofes naturais, o que requer que se repense as ferramentas atuais de monitoramento e gestão de riscos.”

A interrupção de negócios lidera o ranking dos riscos corporativos da Allianz pelo quinto ano consecutivo.

Mas as razões porque este risco preocupa as empresas têm evoluído com o passar dos anos. Enquanto o principal motivador desta preocupação alguns anos atrás eram as interrupções de operações devido a eventos naturais que afetam a cadeia de suprimentos, como exemplificado pelas enchentes na Tailândia em 2011, agora as consequências de riscos cibernéticos e geopolíticos sobre as atividades das empresas ganham cada vez mais peso.

A pesquisa reflete um dos grandes desafios enfrentados hoje pelo mercado de seguros, que é a elaborar coberturas satisfatórias na área de interrupção de negócios sem danos físicos, ou seja, em que as estruturas físicas das empresas não são afetadas diretamente por uma perda.

Protecionismo

O segundo principal risco apontado pelos entrevistados é a volatilidade em seus mercados, um problema agravado pela perspectiva da adoção de medidas protecionistas nos Estados Unidos e outros países. A Allianz cita levantamento de sua subsidiária Euler Hermes, segundo a qual de 600 a 700 medidas protecionistas foram adotadas globalmente a cada ano desde 2014.

“Estamos vendo medidas protecionistas em mercados emergentes como a China, Brasil ou Indonésia, mas também oriundas dos Estados Unidos e do Reino Unido”, disse Ludovic Subran, chefe de Pesquisa Econômica da Allianz Research.

No que diz respeito ao riscos cibernéticos, terceiros no ranking, a AGCS alerta que eles não se restrigem aos ataques de hackers, a ação de funcionários descontentes ou outras causas comuns de problemas nesta área. A adoção de novas leis de proteção de dados em vários países aumenta o desafio que as empresas enfrentam nesta área.

É o caso, por exemplo, da dura legislação de proteção de dados que a União Europeia adotará a partir de maio do ano que vem e que deve afetar qualquer empresas que tenha operações no bloco.

As catástrofes naturais e as mudanças regulatórias completam a lista dos cinco principais riscos enfrentados pelas empresas globais.

Cique aqui para descarregar o relatório em inglês.