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Crise reduz custos das apólices

Crise no setor ainda deve levar cerca de 18 meses para ser normalizada, segundo especialista

Jornal do Commercio-RJ - 14 de Agosto de 2015
Por Alberto Salino
A crise que abate o setor de óleo e gás no País, impactado pela operação Lava-Jato e pela queda de preços do petróleo, em um quadro macroeconômico deteriorado, tem refletido diretamente no mercado de seguros, elevando a concorrência e diminuindo os custos das coberturas, num momento em que o segmento está em desaceleração. Diretor dessa área da consultoria e corretora de seguros Aon, Paulo Niemeyer calcula que o número de sondas de perfuração em operação no Brasil caiu de cerca de 55,
em 2014, para 38 ativas hoje - 31% menos -, indicando que os contratos foram renegociados, cancelados ou simplesmente não renovados.
 
À quantidade de sondas paralisadas aliam-se os casos, que também aumentaram, de unidades em período de lay-up, ocasião em que as unidades ficam paralisadas e atracadas em um porto ou terminal. O executivo conta ainda que, em âmbito global, muitas unidades conhecidas como new builds, também foram paralisadas e aguardam compradores e/ou afretadores, sem contratos vigentes. "Esse cenário acarreta uma considerável incerteza aos estaleiros e construtores navais, e também a armadores", acrescenta.
 
Paulo Niemeyer acredita que a crise no setor ainda deve levar cerca de 18 meses para ser normalizada e, por isso, as empresas precisam ficar atentas aos riscos que afetam suas operações e, por consequência, os fluxos de caixa. E vê a situação do Brasil ainda mais grave devido aos acontecimentos que envolvem denúncias de corrupção no mercado, as quais afetaram todo o setor petrolífero e sua vasta cadeia de fornecedores, causando falências de desemprego, queda da curva de produção, desinvestimentos e a desconfiança de investidores.
 
Para ele, contudo, o mercado de seguros tem sido favorável às empresas, já que alguns produtos como riscos operacionais e de construção apresentam queda de 5% a 35% nos prêmios (preços). "A retração na demanda, o aumento excessivo de oferta de capacidade e capital, além da baixa sinistralidade, têm atraído seguradoras e resseguradoras para o mercado, gerando maior competitividade e reduzindo os custos dos seguros para as empresas. Até o momento, já tivemos crescimento de 17% na capacidade global disponível no mercado, o que causou US$ 7 bilhões de capital para subscrever riscos da atividade de óleo e gás", relata Niemeyer.
 
Mais exigências
 
No seguro de danos materiais de equipamentos e controle de poço (blow out), além da redução nos prêmios, o especialista da Aon explica que a subscrição dos riscos tem analisado, além da saúde financeira das empresas, fatores como, entre outros, os valores dos ativos segurados, as características e localidade dos poços e os desafios logísticos. Já em outros produtos, a exemplo da garantia e de proteção a executivos (D&O, na sigla em inglês), cujos principais fatores de análise do risco são o balanço financeiro e fluxo de caixa das empresas, a crise tem impactado negativamente, com elevação nos prêmios das apólices e, em alguns casos, com dificuldades para aceitação do risco no mercado. "Esses produtos apresentaram aumento no número de sinistros e também de valor de indenização. Só em 2014, registramos crescimento de 560% em indenizações de D&O comparado com 2013", aponta Paulo Niemeyer.