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Seguradoras buscam mercados alternativos

Com o Sudeste dando sinais de enfraquecimento, nova estratégia é investir no Nordeste, onde 11 novas companhias abriram representações ou filiais só nos últimos cinco anos

Jornal do Commercio - RJ - 03 de Janeiro de 2014

Levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) indica que, em número de beneficiários de planos de saúde, área subordinada à Agência Nacional de Saúde Suplementar, o Nordeste foi a região do País que registrou a maior taxa de expansão no período de 12 meses encerrados em setembro último: 6%, totalizando mercado de 6,640 milhões de usuários. O avanço nordestino situou-se bem acima da média nacional, de 3,2% e o Norte, por sua vez, aumentou 5,8%, chegando a 1,8 milhão de beneficiários. O ainda maior mercado do País, o Sudeste cresceu abaixo do mercado nacional (2,6%), ao atingir 31,1 milhões de usuários. No Brasil, o número de beneficiários de pla-nos de saúde médico-hospitalar foi a 49 milhões, alta de 3,1%.

Tal como a pesquisa do IESS, os dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) também mostram a interiorização dos seguros de pessoas e de danos, no acumulado em 12 meses encerrados em outubro último. Com alta de 17%, aos R$ 13,147 bilhões, o Nordeste surge entre as regiões de maior crescimento, ao lado do Sul, com taxa equivalente, aos R$ 22,750 bilhões, e só superado pelo Centro-Oeste (22,3% e receita de R$ 9,469 bilhões). Já o Sudeste, com prêmios de R$ 95 bilhões, aparece com expansão de 14,6%, abaixo da média nacional, que ficou em 15,6%, aos R$ 142,898 bilhões.

Expansão geográfica

Outros dados da Susep reforçam essa busca por mercados alternativos, fora principalmente do eixo Rio-São Paulo. No Nordeste, há cinco anos, as seguradoras ou grupo delas operando na região com faturamento superior a R$ 1 milhão chegava a 60, número que pulou para 73 em 2013, representando aumento de 18,3%. No Norte, o salto foi ainda maior, de 54,8%, ao passar de 42, em 2008, para 65 seguradoras atuando na região em 2013. A concorrência também aumentou no Centro-Oeste, onde hoje há na região 74 seguradoras em atividade, contra 60 há cinco anos.

Sem o VGBL, a fatia de 8,7% do Nordeste no faturamento nacional do mercado avançou 0,4 ponto percentual em 12 meses encerrados em outubro último, confrontado aos 8,3% de idêntico período anterior. O avanço nordestino igualou-se ao do Sul e foi inferior apenas ao do Centro-Oeste, cuja parcela evoluiu 0,5 ponto percentual. O Sudeste, ao contrário, perdeu 0,5 ponto percentual de participação.

Os dados da Susep em 12 meses fechados em outubro último mostram que o crescimento do Nordeste está baseado em três segmentos chaves: veículos, pessoas e patrimonial, refletindo, sobretudo, o aumento da renda e o desempenho econômico regional. O seguro de automóvel, por exemplo, aumentou 24,1%, 5,5 pontos percentuais acima da média nacional. Já o seguro residencial subiu 21%, igualando-se à média do Brasil, enquanto a garantia estendida de bens superou em 12,1 pontos percentuais a média nacional.

No setor empresarial, o Nordeste aponta igualmente índices robustos de expansão em 12 meses, fechados em outubro último. O seguro multirrisco, que engloba várias coberturas, evoluiu 19,3%, 5 pontos percentuais acima do mercado brasileiro, que em outra modalidade, a de riscos operacionais, ficou abaixo de expressivos 85 pontos percentuais frente ao Nordeste, onde esse tipo de seguro dobrou de tamanho. A carteira de veículos respondeu por 27,1%, ou por R$ 3,560 bilhões, de todo o faturamento captado pelas seguradoras na região. Já a carteira de produtos patrimoniais representou 6,7% do total, com R$ 884 milhões.

Vida

O segmento de pessoas, conforme relatam os números da Susep, girou na região nordestina R$ 1,895 bilhão em 12 meses, 14,4% do total. O ramo cresceu significativos 28,3%, contra 18,2% do mercado nacional. Só o seguro de vida, o mais expressivo, aumentou 19,5%, para R$ 836,8 milhões. O prestamista, por sua vez, com receita de R$ 598,3 milhões, subiu 43,8%. Embora com menor peso, o seguro educacional deu pulo de 472,3%, pouco acima dos 440,7% contabilizados nos seguros dotais, aqueles que indenizam o beneficiário por sobrevivência ou morte. Já a expansão do seguro de viagem chegou a 130% e auxílio funeral saltou 61,4%.