Economia do Seguro

Francisco Galiza

Francisco Galiza

Mestre em Economia (FGV); membro da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência); autor do livro “Economia e Seguro – Uma Introdução” (3ª edição); coordenador da Revisão do Dicionário da Funenseg, em 2011; professor do MBA-Seguro e Resseguro (FUNENSEG); sócio da empresa Rating de Seguros Consultoria (www.ratingdeseguros.com.br).

Visão Pessimista para a Economia?

Comentários Econômicos - 23/08/2013

Os motivos são vários.

Diminuição nas taxas de crescimento, subida do dólar, queda nos indicadores de confiança dos empresários, aumento de incerteza, e até erros específicos de política econômica. Não há como esconder, o fato é que começou a haver certo desânimo com alguns países emergentes - e, infelizmente, também com o Brasil.

Assim, não surpreende que o departamento econômico internacional de um dos maiores grupos seguradores do mundo tenha divulgado, nesse mês de agosto, o estudo "The end of the emerging market boom?"

Ver...

https://www.allianz.com/v_1376036108000/media/economic_research/publications/working_papers/en/EM201308e.pdf

Em particular, citamos um texto do estudo.

"Brazil's economic development has been a source of disappointment for years now. After real GDP climbed by 7.5% in 2010, growth slowed considerably in the years that followed, closing 2012 at less than 1%. One of the main reasons behind this development has doubtless been the move by the Brazilian government to gradually ditch the stability focused economic policy it had pursued for years. One of the key elements of this policy was monetary policy aimed primarily at ensuring price stability. In the period between August 2011 and October 2012, the Brazilian central bank slashed its key rate by a total of 525 basis points in an attempt to kick-start the economy and weaken the national currency, the Brazilian real. During the same period, however, the rate of inflation was stuck in the top half of the target corridor (4.5% +/- 2 percentage points), after having been well above the target corridor at the start of the rate-cutting cycle. This monetary policy, with its conflicting goals of promoting growth and battling inflation, will certainly have robbed Brazil of some of its economic policy credibility. The same applies to its fiscal policy, which has become more expansive again in recent years. It would appear that achieving a sustained high primary surplus is no longer deemed to be as important as it was only a few years back. Last but not least, the investments in infrastructure, education and healthcare that Brazil urgently requires are being made, if at all, at too sluggish a pace. The country's inadequate infrastructure, in particular, poses a considerable growth obstacle for the Brazilian economy."

Ou, em tradução livre, e resumindo.

"O desenvolvimento econômico brasileiro tem sido uma fonte de decepção há alguns anos. Depois que o PIB subiu 7,5% em 2010, o crescimento diminuiu consideravelmente nos anos que se seguiram, fechando 2012 em menos de 1%. Uma das principais razões foi, sem dúvida, o movimento do governo brasileiro em abandonar gradualmente o foco na estabilidade econômica, que tinha perseguido durante anos. Um dos elementos-chave nessa estratégia foi a política monetária que se destinava principalmente a garantir a estabilidade dos preços. Entre agosto de 2011 e outubro de 2012, o Banco Central do Brasil reduziu a sua taxa básica em 525 pontos base, em uma tentativa de relançar a economia e enfraquecer a moeda nacional, o real brasileiro. Durante o mesmo período, no entanto, a taxa de inflação se situou no limite da meta (4,5% + / - 2 pontos percentuais). Essa política monetária, com seus objetivos conflitantes de promoção do crescimento e lutando contra a inflação, certamente comprometeu a credibilidade da política econômica. O mesmo se aplica à sua política fiscal, que se tornou novamente mais expansiva. Parece que alcançar um elevado superávit primário sustentado não é mais considerado tão importante quanto era apenas há alguns anos. Por último, mas não menos importante, os investimentos em infra-estrutura, educação e de saúde que o Brasil necessita urgentemente estão sendo feitos, em sua totalidade, em um ritmo muito lento. Infra-estrutura inadequada do país, em particular, representa um obstáculo considerável para o crescimento da economia brasileira."

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