Leonardo de Freitas

Leonardo de Freitas
Diretor-executivo da Bradesco Seguros e vice-presidente do Sindseg SP

2019 será um ano de muito trabalho, prevê Leonardo de Freitas

2019 deverá ser um ano de muito trabalho para o sindicato, que se dedicará a um conjunto de iniciativas de vital importância para a indústria seguradora.
18/03/2019

Quais são as iniciativas que o Sindseg SP irá colocar em prática neste ano?

Para 2019, a expectativa no Sindseg SP é de um ano de muito trabalho. Entre as nossas prioridades está a de manter uma relação bastante estreita com os corretores. Nosso plano é promover o debate participativo e convergente entre seguradoras e corretores sobre os diversos tipos de seguros, buscando a evolução do setor e o fortalecimento da boa imagem do mercado segurador na sociedade. Outra frente de atuação do Sindseg SP, não menos importante, será a construção de parcerias com os Executivos estaduais e municipais, de modo a unir esforços no combate ao crime organizado e outras práticas nocivas à sociedade. Nesse contexto, consideramos o desenvolvimento de programas educativos para a sociedade, focados na segurança de motoristas, motociclistas e pedestres. No âmbito da preservação dos direitos e deveres das seguradoras, o Sindseg SP enfatizará o combate ao “seguro que não é seguro”, alertando para possíveis fraudes, a exemplo do que vem sendo registrado no segmento da proteção veicular.

Quais são suas expectativas em relação ao desempenho do setor segurador em 2019?

O mercado segurador brasileiro vive um momento de transição para um cenário mais promissor. A estabilidade da economia, com a inflação e a taxa de juros em patamares menores e a recuperação da renda e da confiança de empresários e consumidores, oferece uma perspectiva de evolução. O mercado de seguros fechou 2018 com arrecadação de R$ 245,6 bilhões. As provisões técnicas chegaram perto de R$ 1 trilhão, em uma evolução de 9,9% em relação ao ano anterior. Esses números consolidam a imagem de um segmento diferenciado da economia brasileira. A expectativa para 2019 é de um ano com muitas oportunidades e condições para a retomada de crescimento do mercado de seguros, em linha com o seu potencial.

Quais segmentos tendem a apresentar um melhor desempenho neste ano? Por quais motivos?

O segmento de Previdência é pró-cíclico, ou seja, acompanha o ritmo da economia. Nesse sentido, da mesma forma que o cenário de 2018 contribuiu para arrefecer o ritmo de crescimento do setor, que sempre se mostrou expressivo, 2019 acena com uma possível retomada. Mas dessa vez, além dos sinais positivos da economia, o projeto de reforma da Previdência em discussão no Congresso Nacional também deve induzir à reativação do debate sobre as vantagens de se investir em previdência complementar. Historicamente, sempre que se discutiu a reforma da previdência pública no Brasil houve um aumento do interesse da sociedade em torno do assunto. É natural que as pessoas passem a refletir mais sobre a necessidade de complementar sua renda e se planejar financeiramente para ter um futuro mais tranquilo. Vale salientar, no entanto, que esse impacto geralmente se verifica a médio e longo prazos, no que diz respeito tanto a empresas quanto a pessoas, porque a tomada de decisão tem seu tempo próprio. Outro segmento que deve se beneficiar da interrupção da perda de empregos e do aumento da arrecadação no setor é o do seguro saúde.

Quais são os principais desafios do segmento para 2019, considerando o cenário político-econômico e as demandas das empresas em áreas como a regulação?

O universo digital, que evolui rapidamente e amplia as relações de consumo na mesma velocidade, oferece um desafio duplo: de um lado, por parte das seguradoras, que precisam investir no desenvolvimento de soluções tecnológicas de olho na experiência dos clientes e corretores; e de outro, pelos órgãos reguladores, que devem assegurar as condições para que o segmento de seguros esteja alinhado com as melhores práticas digitais. Do ponto de vista político-econômico, o desafio é transformar a oportunidade representada pela discussão da reforma da Previdência Pública em um retorno gradual do segmento de Previdência Privada a seus níveis históricos de crescimento.