Fernando Grossi

Diretor Comercial da Sompo Seguros

Diretor Comercial da Sompo destaca resiliência do setor de seguros diante da crise econômica

No início de 2017, Fernando Grossi já tinha consciência de que esse seria um ano de desafios. Como esperado, a situação econômica afetou as empresas, os investimentos em infraestrutura. Veja a entrevista abaixo:
11/12/2017

Como foi o ano de 2017 e quais as perspectivas para 2018?

Dada a conjuntura do país, sabíamos já no início de 2017 que este seria um ano de desafios. Isso porque a situação econômica teria um impacto nas empresas, no consumo, no transporte de cargas, nos investimentos em projetos de infraestrutura, entre outros, com um efeito direto na indústria de seguros. Portanto, o mercado teve que agir com resiliência. E, mesmo nesse cenário econômico, nossa indústria apresentou crescimento. As perspectivas são de que o mercado como um todo tenha um crescimento da ordem de 9% em 2017.  Portanto, a indústria de seguros está entre aqueles setores que “puxaram” a economia brasileira para cima. Basta verificar que os dados do IBGE apontam que, no acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB cresceu 0,6%, em relação ao mesmo período de 2016. Dificilmente esse índice será superior a 1%. 

Quando cito resiliência, vale ressaltar que essa característica foi crucial para os players trabalharem as oportunidades, haja vista que muitos clientes estavam temerosos e preocupados em evitar demandas que comprometessem ainda mais suas finanças. Com isso, os players do setor de seguro mais uma vez cumpriram seu papel social ao levar ao mercado soluções que estivessem adequadas ao momento e contribuíssem com a proteção do patrimônio do segurado. Na Sompo, já vínhamos com a missão de alcançar um crescimento acima da média de mercado. E essa meta foi perseguida durante todo o ano. Como parte disso, promovemos lançamentos de novos produtos em diferentes linhas de negócios. Também investimos pesado em tecnologia, o que propiciou que nossa infraestrutura alcançasse um novo patamar. Com isso, novas funcionalidades como o novo App do Seguro Saúde e o uso de Chatbot para contratação de seguro foram disponibilizadas no mercado. Essa novidade mais recente torna a Sompo Seguros a primeira seguradora no Brasil a utilizar a plataforma de computação cognitiva IBM Watson para cotação e emissão de apólices. 

Como o sr. vê a atuação de associações e outras entidades que oferecem proteção veicular?

Esse assunto tem provocado um debate bastante saudável na sociedade. Isso fez com que muitos veículos de imprensa, nos quais o tema seguros não conta com uma ampla cobertura, abordassem o tema. Muitas das associações e entidades comercializam a proteção veicular, como um “tipo de Seguro Auto”. Isso não é novo, muito menos ético. Digo isso com base em dois motivos simples. O primeiro é que proteção veicular não é seguro. Então, dizer que o consumidor vai comprar “um tipo de Seguro Auto” não é verdade, porque são produtos bastante distintos. Em segundo lugar, ao utilizar esse tipo de argumento, ao invés de cumprir o papel de consultor e prestar os esclarecimentos corretos, o vendedor só contribui para que o consumidor fique ainda mais sem informação e desorientado. 

Nosso país ainda tem muito campo para crescer em termos de seguros. A inserção do cidadão na sociedade de consumo e o processo de bancarização que aconteceu em decorrência disso, aconteceu tardiamente. Por isso, ainda estamos num processo educacional, no qual o consumidor deve ser devidamente orientado sobre o que é, como funciona, quais as vantagens e outros aspectos relacionados ao seguro. E confundir o consumidor lhe vendendo um produto como se fosse aquilo que não é realmente não passa de um desserviço à toda sociedade. Em contrapartida, o mercado de seguros como um todo se vale dessa oportunidade para intensificar o trabalho de (in)formação do consumidor. É importante sempre ressaltarmos as garantias e idoneidade de um produto de uma seguradora regulada e fiscalizada pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) ou pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). 

O que representa hoje a inovação para a indústria seguradora?

A inovação tem de abranger todos os aspectos do mercado de seguros. Isso porque o seguro é um segmento que está diretamente relacionado ao bem-estar e ao dia-a-dia das pessoas. Dessa forma, assim como a inovação permeia outros aspectos da sociedade, ela também deve estar no seguro, seja no desenvolvimento de produtos, soluções e ferramentas de gestão quanto no relacionamento com corretores de seguros e segurados. Sem inovação, não há evolução e expansão do mercado. Na Sompo, por exemplo, contamos com um Grupo de Inovação, que reúne profissionais da companhia de diferentes áreas e das mais diversas formações profissionais e acadêmicas. Esses profissionais se reúnem periodicamente em atividades diversas com o intuito de encontrar meios de trazer a inovação que reflita em bem-estar para a sociedade. 

Foi por meio desse grupo que surgiu a ideia de desenvolver o produto Equipamentos de Mobilidade, que é o primeiro seguro da América Latina voltado à Pessoa com Deficiência, que conta com coberturas específicas para cadeiras de rodas e próteses ortopédicas. Já na área de inovação tecnológica, a Sompo acaba de lançar uma nova funcionalidade para o corretor de seguros. A companhia é a primeira seguradora do mercado a utilizar a tecnologia Chatbot para contratação de seguros. A solução é um programa de computador que simula o atendimento de um ser humano na conversação com as pessoas. Agora, o corretor passa a contar com esse novo recurso que utiliza a plataforma de computação cognitiva para negócios da IBM, Watson, que é hospedada em nuvem. Essa plataforma para cotação e emissão de apólices vai ser disponibilizada numa primeira etapa para a contratação do Seguro Garantia de Obrigações Públicas (Licitante e Executante), e pode ser acessada pelo aplicativo Telegram. A ideia é trazer mais funcionalidades e viabilizar em breve a implementação do serviço para os corretores que atuam nos demais segmentos de seguros. 

Com o uso dessa tecnologia, o corretor pode informar via celular os dados do tomador do seguro, a importância segurada, a modalidade (Executante ou Licitante), a vigência do seguro e se haverá cobertura adicional. A partir desses dados, a ferramenta faz os cálculos e apresenta o prêmio. Com o prêmio calculado, o corretor pode informar se o segurado está de acordo com o valor. Em caso positivo, o app solicita o CNPJ do segurador e o número do Contrato de Licitação. Com esses dados, é providenciada a emissão online. Com isso, o corretor é prontamente informado sobre o número da apólice. Daí basta clicar em 'emitir' para gerar um PDF da apólice, que será enviada por e-mail para o corretor de seguros. Imagine fazer todos esses passos ao alcance do celular. Isso simplifica e agiliza muito o processo de cotação e subscrição. Com isso, ganha o segurado, que tem todo o processo de contratação agilizado, e ganha o corretor de seguros, que economiza tempo e dinheiro, o que lhe confere mais tempo para a prospecção de novos negócios. Ganha também a seguradora, que aumenta a eficiência e a agilidade e propicia mais segurança a todos envolvidos no processo.