Antonio Penteado Mendonça
Antonio Penteado Mendonça

Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.

PARA O SETOR DE SEGUROS 2020 NÃO FOI RUIM

2020 foi um ano trágico na história do Brasil. 29 de Janeiro de 2021

2020 foi um ano trágico na história do Brasil. Em primeiro lugar, a pandemia do coronavírus matou perto de duzentas mil pessoas. Em segundo, gerou uma crise econômica sem precedentes, que quebrou milhares de empresas e deixou mais de treze milhões de brasileiros sem emprego. Em terceiro, por causa do Natal e do Ano Novo, no começo de 2021, os números do coronavírus pioraram. Em quarto, como colocou o Ministro da Economia, sem vacinação em massa não há a retomada da economia e o Brasil não tem vacinas para imunizar a população.  Entre secos e molhados, 2020 é um ano que não será esquecido, mas que ninguém gostará de lembrar.

Contra fatos não há discussão. A recessão foi menor do que inicialmente prevista, mas ficou na casa de 6%, o que é muito, levando em conta o estado anterior da economia, que apenas começava a se recuperar do desastre petista. Setores da indústria amargaram os piores resultados de sua história, outros tiveram um desempenho medíocre e outros ainda tiveram prejuízos de todos os tamanhos.

As duas exceções são o agronegócio e o setor de exportações. O primeiro vem, ano depois de ano, batendo recordes de produtividade por conta da demanda internacional por alimentos. E o segundo, graças à desvalorização do real, encontrou campo fértil para colocar nossos produtos, especialmente, mas não apenas, grãos, proteína animal e minérios.

Esse é o desenho publicado diariamente pela imprensa e que não está longe da verdade. Todavia, além deles, outros setores tiveram desempenho positivo, alguns por razões completamente inesperadas no começo de 2020. É o caso de várias seguradoras, o que não significa que todos os players do mercado tiveram bons resultados ao longo do ano passado.

2020 não foi um ano de crescimento expressivo do setor, nem poderia ser, já que a economia estava em recessão, o que não quer dizer que boa parte das seguradoras não vai publicar balanços no azul, dando conta de seus resultados. É que a soma do que aconteceu, ainda que as companhias não tendo crescimento significativo de seus faturamentos, impactou a última linha dos balanços. Muitas apresentarão lucros superiores aos dos balanços de 2019, mesmo com o faturamento se mantendo mais ou menos estável em relação ao ano anterior.

O dado inicialmente inesperado, mas rapidamente compreendido e assimilado, foi a queda do número de sinistros em todos os ramos de seguros. A grande responsável por isso foi a pandemia, por conta do isolamento social, incialmente respeitado pela maior parte da população. A principal medida de combate à Covid19 foi a grande responsável pela redução do número de eventos cobertos e, consequentemente, dos valores pagos a título de indenização. E o fenômeno não se limitou à carteira de seguros de automóveis. Ele beneficiou todos os seguros, inclusive os planos de saúde privados, que, se atenderam os casos de Covid19, tiveram, por causa dela, uma redução expressiva em todos os demais procedimentos não emergenciais, adiados pelo medo de contrair a doença.

De outro lado, se houve uma redução no número de contratação de seguros novos, especialmente de veículos, a renovação dos seguros antigos se manteve, preservando o faturamento nos níveis anteriores.

Além disso, a pandemia levou ao aumento da demanda por seguros de vida e o confinamento das pessoas dentro de casa gerou o aumento da procura por seguros residenciais. Quer dizer, grosso modo, o faturamento das seguradoras não diminuiu, enquanto as despesas apresentaram uma queda expressiva, tanto nos valores das indenizações, como nos custos administrativos, menos exigidos pela queda dos sinistros e dos processos de regulação.

Isto não quer dizer que todas as seguradoras ganharam muito dinheiro. Cada uma foi impactada de uma determinada forma, levando em conta suas carteiras e as respectivas peculiaridades de atuação. Algumas publicarão balanços muito bons, outras bons e um terceiro grupo não tão bons. O que é importante destacar é que, num ano terrível para a economia nacional, o setor de seguros se saiu bem.