Denise Bueno

Denise Bueno

Jornalista especializada na indústria de seguros brasileira e internacional

Provisões do mercado ultrapassam R$ 1 tri, destaca CNseg

Neste primeiro mês do ano o mercado de seguros teve comportamento substancialmente melhor do que o mesmo do ano anterior, destaca Coriolano
26/03/2019

As provisões técnicas de garantia dos riscos assumidos pelo mercado segurador brasileiro ultrapassaram em janeiro a barreira de R$ 1 trilhão. “Símbolo da solvência setorial e importante alavanca de desenvolvimento”, destaca Marcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras, a CNseg. Segundo ele, esse marco é o grande destaque da Conjuntura CNseg divulgada nesta semana e disponível no portal da entidade, que traz a análise dos números de janeiro e do acumulado dos últimos 12 meses. O estudo tem o objetivo de examinar aspectos econômicos, políticos e sociais que podem exercer influência sobre o mercado segurador brasileiro. Desconsiderando o DPVAT e saúde, a arrecadação global do mercado em 12 meses até janeiro foi de R$ 243,1 bilhões, aumento de 1,2% comparando-se com até dezembro do ano passado. Considerando-se janeiro deste ano com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento dos ramos regulados pela Susep, sem DVPAT, foi de 12,3%. O presidente da CNseg analisa que é preciso prestar atenção nos números. “Estamos comparando um mês de janeiro bom com um mês de janeiro de 2018 que foi muito ruim, com as expectativas de um ano eleitoral, com um clima de insegurança grande por parte de todos”. Entre os destaques deste período analisado Coriolano cita os segmentos de previdência considerando-se VGBL, PGBL e planos tradicionais, com crescimento de 18,8%; dos seguros de vida e acidentes pessoais (+16,2%), seguros patrimoniais (+14%) e também os títulos de capitalização (+10%). Quanto aos planos PGBL, VGBL e planos tradicionais de previdência, que representam 44% da arrecadação geral, a arrecadação na série móvel de 12 meses terminada em janeiro deste ano comparada a até dezembro registrou alta em 1,3%, o que, evidentemente, influencia a média global de desempenho setorial. Os seguros de vida e de acidentes cresceram 1,2% na série móvel de 12 meses comparativamente a até dezembro de 2018 e 16,2% comparando-se com janeiro do ano passado. Somados já contabilizam R$ 38,4 bilhões (quase 16% da arrecadação geral), mais do que a arrecadação dos seguros de automóveis, de R$ 35,8 bilhões, que representa 15% da arrecadação geral. No segmento de seguros gerais, que engloba seguros patrimoniais e de responsabilidade civil (RC), o seguro de automóveis teve relativa estabilidade (-0,1%) na mesma comparação da série móvel de 12 meses e pequena queda de 1,5% relativamente a janeiro de 2018. Os melhores desempenhos, mês contra igual mês do ano anterior, foram registrados em RC (38,5%), transportes (14,3%) e patrimonial (14,0%), confirmando tendências de diversificação de negócios há muito tempo observadas. “Esses três ramos participam com 8% da arrecadação geral”, destaca Coriolano. Ele comenta que o automóvel, que vem enfrentando o grande desafio de crescer num cenário desfavorável dos últimos dois anos por conta da queda das vendas de carros zero quilômetro, começa a reagir, mas ainda tem um crescimento não muito expressivo. “Os dados recentes sobre produção de automóvel e de licenciamentos estão sinalizando melhora, o que anima os seguradoras que atuam com automóvel”, comenta o executivo. Alguns ramos que eram inexpressivos também passam a chamar atenção, como transporte, crédito e rural. O segmento de capitalização vem mantendo ritmo e acumulando crescimento de 0,8% em 12 meses, com volume significativo de receitas anualizadas, da ordem de R$ 21,2 bilhões, o que representa 9% da arrecadação geral. “Neste primeiro mês do ano o mercado de seguros teve comportamento substancialmente melhor do que o mesmo do ano anterior, revelando resiliência ao ciclo econômico ainda baixo, pela já registrada preferência dos consumidores pela proteção propiciada pelos ramos líderes”, finaliza Marcio Coriolano.