Denise Bueno

Denise Bueno

Jornalista especializada na indústria de seguros brasileira e internacional

Holandeses criam modelo para calcular risco de morte após paciente ser curado do câncer


17/04/2018

Enfim, achei algo para centenas de leitores que me questionam sobre seguro de vida para quem teve câncer e foi liberado pela equipe médica como curado. Essas pessoas não conseguem comprar seguro de vida. Principalmente se tinham e usaram a cobertura de doenças graves. Claro que ainda não há nada no Brasil, mas no mercado europeu as discussões já saíram do papel.

Segundo as agências internacionais, os médicos holandeses criaram, a pedido das seguradoras, um modelo que calcula o risco de morte real de sobreviventes ao câncer de mama em dez anos, para que possam subscrever um seguro de vida e fixar suas quotas.

O modelo, apresentado recentemente em uma conferência de imprensa pela pesquisadora Marissa van Maaren no Congresso Europeu de Câncer de Mama, realizado em Barcelona, é necessário porque, segundo ela, com a melhora do tratamento de câncer de mama, cada vez mais e mais mulheres sobrevivem à doença. No entanto, as companhias de seguros estão relutantes em subscrever um seguro de vida, mesmo tendo o diagnóstico de cura.

“Na Holanda, a maioria das solicitações para um seguro de vida é aceita, mas não para as sobreviventes de câncer”, explicou Van Maaren, pesquisadora da Organización Integral del Cáncer de Países Bajos, com sede em Utrecht (Holanda). Assim também acontece no Brasil. Não só para mulheres, mas também para homens diagnosticados por câncer de próstata e curados, segundo os médicos.

“Muitos ex-pacientes com câncer ou são rejeitadas ou são solicitados pagamentos de quotas mais altas”, segundo Van Maaren. Portanto, atendendo o pedido da Associação Holandesa de Seguradores e da Federação Holandesa de Pacientes de Câncer, a pesquisadora liderou uma equipe que criou um modelo que prevê o risco adicional de morte nas pacientes com câncer até dez anos depois do diagnóstico.

Van Maaren e sua equipe compararam os casos de 23.234 mulheres diagnosticadas entre 2005 e 2006 de câncer de mama com a população geral da Holanda. Eles obtiveram dados sobre idade, ano de diagnóstico ou estágio do câncer de mama e encontraram 10.101 mulheres diagnosticadas com câncer no estágio I, 9.868 no estágio II e 3.265 no estágio III. Em seguida, criaram 30 modelos, 10 para cada um dos três estágios do câncer de mama.

Eles foram então ajustados para levar em conta fatores que podem influenciar no risco de morte, como o tipo de câncer de mama, se há disseminação do câncer para os gânglios linfáticos, a idade no momento do diagnóstico, o tipo de cirurgia, e se o paciente recebeu tratamentos como radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal ou terapias dirigidas.

“Todos os modelos foram então integrados em um conjunto que, para cada estágio da doença, mostra o risco de morte nos primeiros 10 anos em comparação com a população holandesa em geral, dependendo do número de anos de sobrevida ao câncer após o diagnóstico”. detalhou a pesquisadora.

As seguradoras holandesas já estão testando o novo modelo e comparando seus resultados com seus dados anteriores para calcular como isso pode afetar o fato de que alguém seja aceito ou não para o seguro de vida. Uma vez terminado este trabalho, eles avaliarão o resultado com as associações de pacientes e os grupos de trabalho envolvidos no projeto e, se houver concordância, o modelo poderá ser aplicado.

Como o modelo está baseado na Holanda, antes de se aplicar a outros países, ele deverá ser avaliado com sua própria população.”No entanto, não esperamos que o risco de morte adicional – a diferença entre os sobreviventes de câncer de mama e a população – seja muito diferente”, assegurou Van Maaren.