Denise Bueno

Denise Bueno

Jornalista especializada na indústria de seguros brasileira e internacional

Wiz divulga resultados fortes, mas analistas estão atentos a negociação com a Caixa

A atenção dos investidores continuará focada nas renegociações dos contratos da Caixa Seguros, para continuar com a preferência no canal bancário do banco estatal.
10/11/2017

A Wiz, corretora de seguros da Caixa, divulgou lucro líquido de R$ 51 milhões no terceiro trimestre deste ano, 38% acima do resultado obtido em mesmo período do ano anterior. Segundo o balanço, disponível no portal do grupo, o crescimento foi impulsionado por bons resultados da venda bancassurance, ou seja, por meio do canal bancário Caixa. Além disso, foi a primeira contribuição da Finanseg, recentemente adquirida, somando R$ 16 milhões na receita líquida no terceiro trimestre.

“Apesar dos bons resultados, as incertezas quanto às renegociações de contratos com a Caixa Econômica Federal (CEF) ainda permanecem em vigor e devem pesar sobre o nome no curto prazo”, comentam os analistas da BBI Investimentos, em relatório divulgado para clientes, mas que o blog Sonho Seguro teve acesso. Além disso, notícias recentes sobre as restrições de capital da Caixa anunciadas na mídia na semana passada, poderiam aumentar a incerteza sobre o crescimento futuro das operações bancárias e de seguros. “No entanto, mantemos a nossa classificação Outperform, pois acreditamos que a avaliação atual já incorpora a maior parte disso”, afirmam os analistas.

No relatório divulgado em outubro os analistas citam a ZIM, plataforma lançada em parceria com a Federação dos Corretores (Fenacor). Nele, os analistas do BBI avaliaram o lançamento da ZIM como sendo um movimento estratégico interessante. “Pode ser uma nova fonte de crescimento no futuro, mas ganhar escala será um grande desafio. Os lucros provavelmente não serão significativos no curto prazo, podendo aparecer somente em 18 a 24 meses”, afirma o relatório.

O relatório avalia que ao trazer inclusão digital para um mercado fragmentado, a ZIM tem como objetivo promover e incorporar a inclusão digital para pequenas empresas de corretagem. Seu alvo potencial são 109 mil corretores, “que são altamente fragmentados, não capitalizados e sem tecnologia adequada”, informa o relatório do BBI. A ZIM pretende aumentar o uso de tecnologia, redes sociais e grandes dados para melhorar o alcance desses corretores e sua qualidade de serviço. Além disso, um dos seus objetivos é reduzir a ineficiência do segmento, uma vez que atualmente 65% do tempo dos corretores são alocados para atividades, processos e trabalhos de papelaria, acrescentam os analistas.

Atrair o tráfego para a plataforma será um desafio, segundo o estudo. O principal desafio para garantir o sucesso do produto é estabelecer uma escala para a plataforma através de downloads de aplicativos. Nesse sentido, segue o analista, a ZIM deve demonstrar sua proposição de valor a diferentes jogadores neste meio ambiente: os corretores que estão mostrando alguma resistência para se juntar à plataforma – devido a preocupações com a perda de seus clientes para Wiz ou Caixa; os clientes de corretores; e as empresas de seguros que podem ver a ZIM como concorrente de seus próprios canais digitais.

“Vemos o lançamento da ZIM como positivo, pois poderia trazer uma fonte adicional de crescimento no futuro. Além disso, reforça a recente estratégia da Wiz de se posicionar como um provedor de serviços de seguros tecnológicos em vez de um corretor de seguros regular. No entanto, a empresa observou que a plataforma provavelmente não gerará lucros significativos antes de 18 a 24 meses. Além disso, acreditamos que a atenção dos investidores continuará focada nas renegociações dos contratos da Caixa Seguros, para continuar com a preferência no canal bancário do banco estatal.