LEONCIO DE ARRUDA


O Estado de S. Paulo - 09/01/2012

Apesar de todos os sinais positivos, o mercado segurador brasileiro começa 2012 de luto. No dia 29 de dezembro passado morreu Leoncio de Arruda, um dos principais nomes da atividade ao longo dos últimos 25 anos.
Por honestidade jornalística tenho que dizer que Leoncio era meu amigo. Amizade que começou há mais de 20 anos, quando ele ainda não ocupava os cargos que veio a ocupar, mas já fazia os primeiros movimentos para se consolidar como uma das grandes lideranças dos corretores de seguros.
Quem sabe o momento mais próximo, e com certeza o que me deu a melhor imagem de quem era Leoncio de Arruda, aconteceu em 1992, durante um evento do mercado segurador, na cidade de Maringá, no Paraná.
No último dia do congresso Leoncio de Arruda e eu alugamos um carro e, junto com a advogada Terezinha Correa, fomos até a cidade de Paranavaí, próxima de Maringá. Foi lá que Leoncio, menino pequeno, chegou com a família, retirantes do nordeste, para o avô trabalhar como boia fria.
Dito isto, e vendo sua carreira impressionante, fica mais fácil entender o tipo de homem que ele era. Não é comum pessoas normais se transformarem em líderes de uma determinada categoria profissional. Pensar que um dos maiores nomes da história dos corretores de seguros começou a vida numa família de boias frias, trabalhando no norte do Paraná, dá a dimensão de pelo menos três traços que fizeram Leoncio de Arruda galgar os mais altos postos das entidades representativas de sua atividade.
O primeiro é sua coragem. Leoncio era corajoso sem dizer que era. Ele não se gabava, não ameaçava, não dizia que fazia e acontecia. Pelo contrário, conversava, e conversava de novo, e, se necessário, conversava ainda mais uma vez.
O Segundo é que Leoncio gostava de chegar a bom termo através do diálogo, o que não significa dizer que não sabia ser duro ou que ficava com medo diante das dificuldades que teve que superar.
O terceiro é que desde sua atuação à frente de uma Associação que ele criou para se tornar conhecido e acabar vencendo as eleições para presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo - Sincor/SP, sempre foi um guerreiro, um articulador extremamente bem sucedido e um homem focado em resultados.
Seus congressos, feiras, seminários, cursos, programas de treinamento profissional e demais fóruns de discussão com foco na profissionalização e reconhecimento do corretor de seguros sempre foram um sucesso de público e de resultados, o que fez com que, poucos anos após ser eleito presidente do Sindicato dos Corretores de São Paulo, fosse eleito presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros.
Ao longo de sua trajetória vitoriosa, onde os grandes beneficiários foram dezenas de milhares de corretores de seguros espalhados por todo o Brasil, Leoncio nunca se furtou a mostrar a cara e assumir as responsabilidades pelos seus atos, e por outros não tão seus, o que fez dele uma figura polêmica, mas sempre respeitada, quando não temida, pela competência no jogo político e pela obstinação em relação aos seus objetivos.
2012 começa com a impressionante marca de mais de 70 mil corretores de seguros cadastrados no país. Todos, sem exceção, devem boa parte do reconhecimento e o respeito que a categoria atualmente desfruta à atuação de Leoncio de Arruda como líder da categoria, tanto em São Paulo, como a nível nacional.
Nos últimos anos, Leoncio de Arruda comandou o primeiro programa de seguros bem sucedido na televisão brasileira. Com a cara e a coragem ele enfrentou o desafio de colocar no ar, no horário nobre da noite de domingo, um programa falando de um segmento econômico. E deu certo, ao ponto de se transformar numa das boas audiências da TV Gazeta. Foi sua derradeira contribuição para a atividade seguradora nacional.
Depois de uma longa luta contra um câncer, Leoncio encontrou o descanso. Pena que isso tenha acontecido muito cedo. Com sua morte o setor de seguros perde um de seus grandes nomes. E eu perco um querido amigo.