De acordo com números oficiais recentemente publicados, apenas 5,4% das multas de trânsito aplicadas em São Paulo autuam motociclistas e motoqueiros. É um percentual insignificante, que merece ser analisado à sombra dos números do seguro obrigatório de veículos. Segundo estatísticas do DPVAT, quase metade das indenizações por morte são pagas por conta de acidentes envolvendo motocicletas. As duas estatísticas são lógicas e o resultado evidente. De um lado pode-se dizer que, porque as autuações são muito baixas, há um número elevado de acidentes graves. E de outro, pode-se dizer que há um elevado número de óbitos em acidentes com moto porque a fiscalização é falha. As duas realidades são complexas e envolvem variáveis que justificam o alto custo dos seguros para motocicletas e a aversão de várias seguradoras por este tipo de risco. Ainda que o resultado final do negócio de uma seguradora seja o pagamento da indenização dos sinistros cobertos, nenhuma seguradora gosta de pagar muitos sinistros e, consequentemente, atuar numa carteira com alto grau de acidentes. O resultado é que boa parte das companhias em operação no Brasil não faz seguros para motocicletas, complicando a vida de quem tem uma e precisa de seguro para proteger o bem. A verdade é que há uma enorme e profunda diferença entre motociclista e motoboy. O motoboy é invariavelmente um irresponsável, que se atira às ruas com a sanha dos guerreiros bárbaros enfrentando os exércitos romanos. Por mais corajosos que eles fossem, as disciplinadas e aguerridas legiões os arrasavam, com o uso de armas, táticas e estratégias muito mais sofisticadas. Os automóveis, ônibus e caminhões fazem a mesma coisa, e com um diferencial simples: como são maiores e mais pesados, machucam mais do que são machucados. Não é necessária nenhuma investigação sofisticada para se ver ao vivo essa realidade. Basta um motorista descer a Avenida Rebouças em direção da Marginal para sentir na pele o que é a horda de motoqueiros que passa ao seu lado, pouco se importando com a própria vida, arrancando espelhos retrovisores e, volta e meia, caindo no asfalto, com mais ou menos gravidade, dependendo da sorte. O motociclista é o proprietário de uma motocicleta que a utiliza de acordo com as especificações e dentro das limitações naturais de um veículo de duas rodas, de equilíbrio relativamente instável e cujo parachoque é o seu capacete. Ele é cuidadoso, atento e disciplinado no trânsito. Na medida do possível, evita os riscos de acidentes, mas, ainda assim, em função das características básicas da motocicleta, estes acontecem com mais freqüência do que com veículos de quatro rodas. O seguro para motociclistas é mais fácil de ser contratado do que para motoboys. As estatísticas são menos ruins e é possível suportar o índice de acidentes dentro de condições comerciais razoáveis, ainda que mais caras, proporcionalmente, do que os seguros para automóveis. De qualquer forma, se a fiscalização melhorasse seu desempenho e multasse os abusos praticados por motoboys, motoqueiros e motociclistas da mesma forma como multa os motoristas dos automóveis, com certeza as estatísticas do DPVAT não apresentariam um número tão elevado de indenizações pagas por morte em acidentes envolvendo motocicletas. Cabe às seguradoras sensibilizarem as autoridades de trânsito para esta necessidade. E isso precisa ser feito de forma constante e consistente, através de ações de marketing na grande imprensa e através de contatos diretos, para passar dados e apontar soluções para serem implementadas visando a redução dos números absurdamente altos das indenizações por morte em acidentes de moto. |