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  Sala de imprensa: Colunistas
   
Antonio Penteado Mendonça
Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.
Mais mudanças no mercado
Esta semana o presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar deixa seu cargo. Depois de vários anos à frente da ANS, o Dr. Fausto entrega a presidência, sendo provisoriamente substituído pelo Dr. Alfredo, antigo integrante de sua equipe no comando da agência reguladora dos planos de saúde privados.
Um balanço honesto do que aconteceu na gestão do Dr. Fausto mostra avanços importantes no trato de uma das atividades mais delicadas da sociedade brasileira. Os planos de saúde privados desempenham papel fundamental para a cobertura das necessidades de saúde da população. Com um universo coberto de algo próximo a 55 milhões de pessoas, eles já representam mais de 60% do total das verbas a disposição do atendimento médico-hospitalar de nossa sociedade.
Ao longo da gestão do Dr. Fausto a ANS amadureceu. E este amadurecimento pode ser visto de forma clara na condução de temas sensíveis que poderiam ter causado verdadeiros tsunamis, mas que passaram como pequenas marolas, a maioria das quais foi contornada com habilidade, permitindo que o setor se mantivesse saudável, mesmo durante a crise de 2008/9, que reduziu o número de segurados de forma mais pesada do que o contado.
Ainda que discordando de uma série de posições defendidas pelo Dr. Fausto e pela ANS, a começar pela obrigatoriedade das operadoras reembolsarem o SUS, passando pela forçada de barra visando a concentração do mercado em poucas operadoras e por intervenções que me parecem além do poder legal da agência, sou o primeiro a apoiar sua gestão, como balizadora do caminho da modernidade, levando em contas as exigências da sociedade e as reais condições dos planos privados, para suportarem o aumento de suas responsabilidades, às vezes, até sem aumento de preço.
Entre secos e molhados não se salvaram todos e nem todas as ações desencadeadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar tiveram a transparência exigida para uma atividade econômica com a importância social dos planos de saúde privados.       
Mas, ainda que devendo algumas explicações que nunca serão dadas, a gestão do Dr. Fausto foi, volto a dizer, bastante positiva. Tanto que ele é criticado, ainda que sem radicalismo, por todos os lados envolvidos com o negócio, o que demonstra seriedade e isenção na equação das questões macro do setor.
Outra mudança que está na boca de acontecer passa pelo IRB Brasil Resseguros. De acordo com informações consistentes, o presidente e o vice-presidente estão deixando seus cargos.
Mais uma vez sou obrigado por uma questão de coerência a elogiar os que saem. E o faço com prazer. A atuação dos senhores Nakao e Alberto Paes à frente do quadro diretor do ressegurador nacional, especialmente depois do escândalo do “mensalão” que o atingiu diretamente, e durante a abertura do resseguro, merece elogios.
A diretoria comandada por eles não só conseguiu superar o envolvimento do IRB com um dos maiores escândalos políticos que recentemente chacoalharam o Brasil, como conduziu a empresa de forma eficiente durante a quebra do seu monopólio e mesmo depois, com o mercado já aberto, conseguindo expressivos resultados nos balanços, e atuando com grande profissionalismo num momento em que todo o cuidado era pouco e que um erro poderia ser quase que fatal.
Com uma gestão austera e sem chamar a atenção, o IRB vai-se consolidando como um dos grandes resseguradores da América Latina, com chances concretas de não só de manter essa posição, mas de avançar num setor econômico em que a profissionalização é fundamental para a operação.
Assim, só me resta agradecer ao Dr. Fausto e aos Drs. Nakao e Alberto Paes o que fizeram pelos setores e empresa em que atuaram. E desejar-lhes muito sucesso em suas novas empreitadas.
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