2010 tem tudo para se firmar como um ano interessante. Sob qualquer ponto de vista, mas principalmente sob a ótica chinesa que tem como uma das maiores pragas desejar aos desafetos que vivam em tempos interessantes. Sem dúvida nenhuma, o ano será de crescimento econômico. É aí que reside a primeira de uma série de grandes ameaças. Se o crescimento for maior do que 6% o Brasil corre o risco de não ter energia elétrica à disposição da sociedade. Por outro lado, é preciso ter claro que o crescimento esperado para o Brasil é de 5% sobre uma recessão de 1% em 2009. Neste cenário, a atividade seguradora entra em 2010 pressionada pelos juros significativamente mais baixos do que até meados do ano passado e pela violenta redução do preço do seguro de automóveis, acontecida no segundo semestre de 2009 e mantida até agora. Como o seguro de veículos é o grande responsável pelo giro do caixa das principais seguradoras, e na outra ponta não há uma redução nos índices de sinistralidade, as margens estão apertadas e devem continuar assim ao longo dos próximos meses. É verdade que no campo do resseguro as notícias são boas. A redução da oferta obrigatória de 60% para 40%, em vigor desde janeiro, já começa acelerar o ritmo dos negócios, que têm como maior dificuldade para a obtenção de capacidade o Brasil não estar sujeito a grandes catástrofes naturais, o que faz com que os prêmios do país sejam mais baixos, ou seja, não são os mais interessantes para as resseguradoras. A consolidação do mercado segue firme em seu curso, definindo os grandes grupos que atuarão em nível nacional, o que obrigará as outras seguradoras a se reposicionarem, em função de capital, áreas de atuação e ramos de seguros. Os grupos que já definiram o que querem são Bradesco, Itaú/Porto Seguro e Banco do Brasil. Ainda faltam se posicionar Caixa Econômica Federal, Santander e HSBC. Como e quando estas decisões serão tomadas não vem ao caso. Estes são os grupos com capilaridade própria suficiente para atuar de forma rentável em todo o território nacional. É aí que está a grande oportunidade para as outras seguradoras. Como serão as herdeiras dos canais de distribuição atualmente insatisfeitos com o novo desenho dos players nacionais, além de possuírem a agilidade necessária para redefinir foco, as seguradoras médias e pequenas têm diante de si um momento único para investirem pesado no novo desenho de seus negócios. A tarefa não é fácil e o desafio promete muito estresse, mas os que tiverem competência para fazer a lição de casa em pouco tempo estarão colhendo os frutos destes investimentos. Finalmente, um tema que também merece ser colocado na mesa é o futuro do microsseguro. O microsseguro tem potencial para alavancar o mercado, mas muito mais no sentido de abrir para milhões de pessoas os produtos do setor do que como faturamento puro. Um cálculo grosseiro do seu potencial não o coloca como capaz de gerar mais do que dez por cento do faturamento atual e isso é pouco ante o que falta ser segurado dentro dos canais tradicionais de seguros. Como se vê, entre secos e molhados, há espaço para todos, ou seja, o ano deve ser bom, mas dizer que será fácil é outra coisa. Isso, 2010 não será, e quem estiver focando a realidade de outro jeito tem tudo para quebrar a cara. |