Ao longo de 2009 foram dadas queixas de 257 mil roubos no Estado de São Paulo. 257 mil roubos significam 21.416 roubos por mês, ou 714 roubos por dia, que deságuam em impressionantes 30 roubos por hora ou um roubo a cada 2 minutos. Se tomarmos o número de furtos avisados à polícia, esta conta se inverte, com evento e meio a cada minuto.
Também aumentaram os roubos e furtos de veículos, latrocínios, homicídios e crimes sexuais. Em outras palavras, se somarmos a estes números os prejuízos decorrentes dos acidentes com veículos fica claro que a violência humana cobra da sociedade brasileira preço incomensuravelmente maior do que a violência natural, notadamente os eventos de origem climática.
O grave no quadro é que existem poucas medidas isoladas com chances de sucesso a curto prazo. Enquanto o governo, em todos os seus níveis, não criar um programa estruturado de intervenção multidisciplinar para as áreas mais carentes, não há o que fazer, exceto assistir o crime organizado se fortalecer e ocupar espaços que deveriam ser da sociedade, mas que, por omissão das autoridades e ausência de políticas públicas, acabam sendo dominados pelos bandidos, que, por bem ou por mal, estão presentes nestas comunidades.
Como não há, pelo menos até agora, qualquer indicação de que as diferentes esferas da administração pública estejam conversando para iniciar estudos conjuntos para mapear as necessidades de educação, saúde e segurança pública das grandes favelas urbanas, é fácil prever que os números acima, ainda que caiam, terão uma redução insignificante e inútil para inverter a tendência e trazer as taxas de criminalidade para patamares comparáveis aos do primeiro mundo.
Quem paga o maior custo é a sociedade. Os números anuais referentes a homicídios colocam o país em situação vergonhosa diante da comunidade internacional. E quando o estado mais rico da nação apresenta 257 mil roubos em um ano a pergunta que fica é: qual o total anual deste tipo de crime no Brasil inteiro?
Como a resposta, ainda que não havendo estatística consolidada, pode ser resumida em “muito alto”, é evidente que as seguradoras ou não operarão na carteira, ou cobrarão caro para garantir cobertura contra roubo e furto, em suas diferentes modalidades.
Nem poderia ser diferente. Seguro não existe para dar prejuízo para a companhia de seguros, mas para remunerar o capital investido no negócio de garantir proteção para a coletividade, assumindo, mediante o recebimento do prêmio, a obrigação de indenizar os prejuízos decorrentes dos sinistros cobertos.
Se as estatísticas oficiais confirmam que acontecem no Estado de São Paulo quase dois roubos ou furtos por minuto, as seguradoras precisam precificar esta frequência, bem como o valor médio dos prejuízos decorrentes deste tipo de ação, para calcular o prêmio do seguro. Supondo, apenas para exemplo, que, entre secos e molhados, o valor médio dos eventos fique ao redor de R$ 1.000,00, teremos, apenas em São Paulo, sem contar as perdas decorrentes de furtos e roubos de veículos, 500 milhões de reais por ano.
É este número que começa a explicar a aversão das seguradoras a este tipo de seguro. Mas, além das indenizações, as seguradoras têm despesas comerciais, administrativas e tributárias, o que faz com que os 500 milhões de reais subam bastante. Em outras palavras, sem as intervenções multidisciplinares de longo prazo é inviável se pensar em produtos de seguros massificados para fazer frente a estes eventos. |